O relatório Saúde nas Américas 2026 mostra que milhões de anos de vida saudável são perdidos devido a condições evitáveis e pede o fortalecimento da atenção primária à saúde e um melhor direcionamento dos investimentos em saúde.
Washington, D.C., 29 de setembro de 2026 (OPAS) – Cerca de 40% da carga total de doenças na Região das Américas poderia ser evitada com uma prevenção mais eficaz, diagnósticos e tratamentos oportunos e sistemas de saúde mais sólidos, segundo a edição mais recente do relatório Saúde nas Américas, apresentado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) durante o 63º Conselho Diretor da Organização.
O relatório aponta que as pessoas na Região vivem mais anos do que nunca, embora não necessariamente com melhor saúde. Em 2023, a expectativa de vida chegou a 77,1 anos, superando os níveis anteriores à pandemia. Entre 2000 e 2023, aumentou quase quatro anos, enquanto a expectativa de vida saudável cresceu apenas cerca de um ano e meio.
“Os achados são contundentes. Cerca de 40% da carga total de doenças da Região é potencialmente evitável”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa. “Grande parte dessa carga se concentra em doenças cardiovasculares, diabetes, doenças renais, condições maternas e neonatais, violência, traumatismos e infecções respiratórias como a tuberculose. Com prevenção eficaz e acesso oportuno a uma atenção de qualidade, muitas dessas doenças, incapacidades e mortes prematuras poderiam ser evitadas.”
A estimativa da carga de doenças potencialmente evitável baseia-se em resultados de saúde já alcançados em países da Região, o que demonstra que é possível obter melhorias substanciais utilizando os conhecimentos, as tecnologias e as intervenções disponíveis atualmente.
A estimativa da carga de doenças potencialmente evitável baseia-se em resultados de saúde já alcançados em países da Região, o que demonstra que é possível obter melhorias substanciais utilizando os conhecimentos, as tecnologias e as intervenções disponíveis atualmente.
Doenças crônicas impulsionam maior perda de saúde
A análise mostra que a carga de doenças nas Américas é cada vez mais determinada pelas doenças crônicas e pela incapacidade. As doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, transtornos de saúde mental e outras doenças crônicas representam uma proporção crescente da perda de saúde na Região.
Muitas dessas condições estão associadas a fatores de risco evitáveis ou modificáveis, como hipertensão arterial, níveis elevados de glicose no sangue, alimentação não saudável, inatividade física, consumo de tabaco e álcool e riscos ambientais, como a poluição do ar.
Segundo o relatório, países com níveis semelhantes de recursos costumam apresentar resultados de saúde muito diferentes. Isso sugere que as melhorias na saúde dependem não apenas de quanto se investe, mas também da eficácia com que os recursos são alocados e os serviços de saúde são organizados e oferecidos.
O desafio, aponta o relatório, não é apenas identificar intervenções eficazes, mas fazer com que soluções já comprovadas cheguem à população em grande escala, por meio de uma atenção primária à saúde sólida, serviços bem organizados e um uso mais estratégico dos recursos disponíveis.
Cinco prioridades para avançar mais em saúde
O relatório Saúde nas Américas 2026 identifica cinco áreas nas quais os países podem concentrar suas ações:
- Fortalecer a atenção primária à saúde para garantir o acesso à detecção, diagnóstico, tratamento e acompanhamento de rotina das doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras condições importantes, ao mesmo tempo em que são abordadas as principais causas de problemas de saúde.
- Priorizar e financiar serviços de saúde de alto impacto, transformando as evidências em pacotes de serviços acessíveis e viáveis, apoiados por profissionais de saúde, medicamentos, meios de diagnóstico e sistemas de referência e contrarreferência para garantir que os serviços de saúde prioritários estejam disponíveis e sejam prestados de maneira eficaz.
- Reduzir as maiores lacunas, utilizando dados nacionais para identificar onde a carga de doenças é maior e onde é mais viável alcançar melhorias, particularmente entre as populações que enfrentam barreiras relacionadas à renda, à localização geográfica, à educação e ao acesso à atenção.
- Atuar de maneira intersetorial sobre os determinantes da saúde, incluindo o consumo de tabaco e álcool, ambientes alimentares, atividade física, poluição do ar, segurança viária, violência, água e saneamento, riscos relacionados às mudanças climáticas e proteção social.
- Fortalecer a prestação de contas e a cooperação entre os países para implementar ações prioritárias, compartilhar soluções e aprender com o que demonstrou resultados.
Sistemas de saúde enfrentam pressões crescentes
O relatório é publicado em um contexto de profundas mudanças demográficas e epidemiológicas na Região, marcadas pelo envelhecimento da população, pela redução da fecundidade, pela migração e pelo aumento das doenças crônicas e incapacitantes.
Ao mesmo tempo, persistem importantes lacunas no acesso à atenção e na proteção financeira. Os custos diretos representam cerca de um terço dos gastos correntes em saúde na Região, o que ressalta a necessidade de avançar rumo à saúde universal e proteger as pessoas das dificuldades econômicas associadas aos custos da atenção.
Para a OPAS, esses achados reforçam a importância de construir sistemas de saúde centrados na atenção primária e de direcionar os investimentos para intervenções que gerem o maior impacto possível.
“Sabemos o que funciona. As evidências são claras e a oportunidade é significativa”, afirmou Barbosa. “O desafio consiste em traduzir essas evidências em ações concretas, em um contexto de restrições fiscais, e, ao mesmo tempo, garantir atenção de qualidade para toda a população.”
Por meio do relatório Saúde nas Américas 2026, a OPAS coloca à disposição dos países evidências e ferramentas de análise para identificar onde podem ser obtidos os maiores ganhos em saúde, orientando as decisões de investimento e fortalecendo a prestação de serviços prioritários.
Desde 1954, Saúde nas Américas é a publicação de referência da OPAS para a análise das tendências de saúde e de seus determinantes na Região e tem contribuído para orientar prioridades e promover avanços rumo a Américas mais saudáveis e equitativas.
