Washington, D.C., 1 de outubro de 2026 (OPAS) – Os Estados Membros da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) aprovaram um marco regional comum destinado a fortalecer a vigilância, a prevenção, a preparação e a resposta integrada frente à dengue e outras arboviroses nas Américas durante a próxima década.
O documento, adotado durante o 63º Conselho Diretor da OPAS, estabelece um roteiro regional para ajudar os países a enfrentar um cenário de crescente complexidade epidemiológica marcado por epidemias de maior magnitude, circulação simultânea de múltiplos arbovírus e expansão geográfica dos vetores.
Sua aprovação ocorre após uma década marcada por epidemias cada vez mais frequentes e extensas. Em 2024, a região das Américas registrou mais de 13 milhões de casos de dengue e mais de 8,4 mil mortes, a maior epidemia documentada até o momento.
Nos últimos anos, a região também enfrentou importantes surtos de chikungunya, a expansão geográfica de Oropouche fora de suas áreas tradicionais de transmissão e um aumento de casos de febre amarela em novas zonas geográficas.
A circulação simultânea de múltiplos arbovírus, juntamente com fatores climáticos, ambientais, sociais e de mobilidade populacional destaca a necessidade de fortalecer as capacidades de vigilância, laboratório, atenção clínica, controle vetorial, comunicação de risco, participação comunitária e preparação epidêmica dos países.
“A magnitude alcançada pela dengue e outras arboviroses exige que os países reforcem sua capacidade de antecipar riscos, agir precocemente e proteger as populações mais vulneráveis”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa. “Esta estratégia oferece um roteiro comum para que os países fortaleçam seus sistemas de vigilância, seus serviços de saúde e sua capacidade de resposta integrada frente a epidemias que são cada vez mais frequentes e complexas”, acrescentou.
A estratégia estabelece quatro linhas de ação prioritárias orientadas a fortalecer a gestão integrada do risco de arboviroses, melhorar a vigilância epidemiológica, entomológica e virológica, reforçar a capacidade dos sistemas de saúde para a detecção precoce e a atenção clínica e modernizar o manejo integrado de vetores mediante abordagens mais sustentáveis e inovadoras.
Um dos principais objetivos da estratégia é ajudar os países a passar de respostas predominantemente reativas para abordagens mais antecipatórias e territoriais. Para isso, promove a integração de dados epidemiológicos, entomológicos, virológicos e laboratoriais com o fim de fortalecer os sistemas de alerta precoce, melhorar a avaliação de riscos e facilitar uma tomada de decisões mais oportuna frente a surtos e epidemias.
“A estratégia incorpora as lições aprendidas durante a última década e novas ferramentas para fortalecer a vigilância colaborativa e melhorar a coordenação entre vigilância, laboratórios, serviços de saúde e controle vetorial. Isso permitirá que os países atuem de forma mais precoce, integrada e eficaz frente a ameaças emergentes”, afirmou Sylvain Aldighieri, diretor do Departamento de Prevenção, Controle e Eliminação de Doenças Transmissíveis da OPAS.
A estratégia também incorpora tecnologias inovadoras de controle vetorial, como o uso de mosquitos com a bactéria Wolbachia, que reduz sua capacidade de transmitir vírus, e a liberação de mosquitos irradiados. Além disso, fortalece a vigilância colaborativa, o uso de ferramentas digitais e a abordagem de Uma Só Saúde, que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental.
A OPAS fornecerá cooperação técnica aos países e territórios da região para apoiar a implementação da estratégia regional aprovada pelos Estados Membros, utilizando a Estratégia de Gestão Integrada para a Prevenção e o Controle das Arboviroses (EGI-Arbovírus) 2026–2035 como marco técnico e metodológico de referência e acompanhará os avanços mediante relatórios regionais programados para 2031 e 2036.
