• Envelope com informações sobre tratamento de malária e possíveis eventos adversos

OPAS conclui projeto piloto de farmacovigilância de malária no Brasil

14 abr 2021

Brasília, 14 de abril de 2021 – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) encerrou nesta quarta-feira (14), no Brasil, o projeto piloto “Fortalecimento da Farmacovigilância e Adesão ao Tratamento da Malária na Região das Américas (VigilADMa)”. O país foi o primeiro a implantar e concluir a ação, desenvolvida no município de Manaus, estado do Amazonas, de novembro de 2019 a dezembro de 2020.

A malária é uma enfermidade potencialmente fatal causada por parasitos transmitidos às pessoas pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. Para tratamento dessa doença, um dos medicamentos utilizados é a primaquina. 

Porém, esse antimalárico possui um composto chamado 8-aminoquinolina, que causa efeitos adversos em quem tem deficiência da enzima glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD). As pessoas com esse quadro de saúde, ao tomarem a primaquina, correm risco de ter hemólise – rompimento da membrana das hemácias, que pode levar à necessidade de transfusões sanguíneas, e, até mesmo à óbito.

Por isso, a OPAS tem desenvolvido em vários países das Américas essa iniciativa de fortalecimento da farmacovigilância de malária. No Brasil, o projeto foi feito em parceria com o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do Amazonas e a Fundação de Medicina Tropical de Manaus e Secretaria Municipal de Saúde de Manaus.

Ao todo, 1.062 pacientes foram entrevistados no questionário sobre efeitos adversos, o que permitiu identificar três pessoas com deficiência de G6PD. Em seguida, o esquema de tratamento delas foi alterado e elas puderam se curar da malária sem necessidade de transfusão de sangue ou outro agravamento do quadro.

Para ajudar a fortalecer a farmacovigilância e aumentar a adesão ao tratamento, foi criado um envelope e um vídeo com informações simples sobre o tratamento e efeitos adversos. Quando uma pessoa era diagnosticada com malária, o profissional de saúde entregava o envelope e explicava tudo sobre o tratamento, além de pedir autorização para incluí-lo no projeto.

A partir daí, o paciente passava a receber mensagens de SMS via celular para lembrá-lo de tomar corretamente a medicação e, após três dias do fim do tratamento, ele recebia uma ligação que buscava identificar possíveis eventos adversos e referenciá-lo, se necessário, ao serviço de saúde.

A experiência em Manaus servirá de modelo para implementação do VigilADMa em outras localidades do Brasil e em outros países e territórios. Além do país, Colômbia, El Salvador, Guatemala, Honduras, Peru e República Dominicana participam do projeto. A iniciativa conta também com a parceira da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e Fundação Bill & Melinda Gates.