Por um futuro sem câncer de colo do útero: o primeiro compromisso global para eliminar um câncer

17 nov 2020
Mujeres sonriendo

OPAS apoia nova estratégia global da OMS e trabalhará com países e parceiros nas Américas para eliminar o câncer que mata 34 mil mulheres a cada ano na região

Genebra, 17 de novembro de 2020 – A Estratégia Global da OMS para Acelerar a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, lançada nesta terça-feira (17), baseia-se em três pilares essenciais: vacinação, rastreamento e tratamento. Sua implementação bem-sucedida poderia reduzir em 40% os novos casos da doença e salvar 5 milhões de vidas em 2050. 

O evento de lançamento representa um marco histórico. É a primeira vez que 194 países se comprometem a eliminar o câncer de colo do útero após a adoção de uma resolução da Assembleia Mundial da Saúde deste ano. Cumprir as seguintes metas até 2030 colocará todos os países no caminho da eliminação:

  • 90% das meninas totalmente vacinadas com a vacina contra o HPV até os 15 anos de idade;
  • 70% das mulheres examinadas antes dos 35 anos e, novamente, antes dos 45 anos, por meio de testes de alta precisão; 
  • 90% das mulheres diagnosticadas com câncer de colo do útero recebendo tratamento (90% das mulheres com lesões pré-cancerosas e 90% das mulheres com câncer invasivo).

A estratégia também enfatiza que investir nas intervenções para cumprir estas metas pode gerar benefícios econômicos e sociais consideráveis. Estima-se que a cada dólar investido na estratégia global até 2050, haverá um retorno US$ 3,20 à economia, graças ao aumento da participação da mulher na força de trabalho. O valor sobe para US$ 26 se os benefícios que reportam a melhora da saúde das mulheres nas famílias, comunidades e sociedades forem considerados.

“A eliminação de um câncer parecia um sonho impossível, mas agora temos as ferramentas custo-efetivas e baseadas em evidências para tornar esse sonho realidade”, disse o diretor-geral, da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Mas só podemos eliminar o câncer de colo do útero como um problema de saúde pública se combinarmos o poder das ferramentas que temos com uma determinação implacável para expandir seu uso em todo o mundo.”

O câncer de colo do útero é uma doença prevenível. Também pode ser curado se detectado precocemente e tratado adequadamente. No entanto, é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo. Sem adotar medidas adicionais, o número anual de novos casos deste tipo de câncer deve aumentar de 570 mil para 700 mil entre 2018 e 2030, e as mortes pela doença aumentarão 311 mil para 400 mil a cada ano. Em países de baixa e média renda, a incidência do câncer de colo do útero é quase duas vezes maior e as taxas de mortalidade três vezes maiores do que em países de alta renda.

“A elevada carga de mortalidade relacionada ao câncer de colo do útero é uma consequência de décadas de negligência por parte da comunidade global de saúde. No entanto, o roteiro pode ser reescrito”, afirmou a diretora-geral assistente da OMS, Princesa Nothemba (Nono) Simelela. “Alguns avanços essenciais neste sentido são a disponibilidade de vacinas profiláticas; abordagens de baixo custo para detecção e tratamento dos precursores do câncer de colo do útero; e métodos inovadores de formação cirúrgica. Por meio do compromisso global com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e de não deixar ninguém para trás, os países estão traçando um novo caminho para acabar com o câncer de colo do útero.”

A estratégia é lançada em um momento desafiador, no entanto.

A pandemia de COVID-19 apresenta desafios para a prevenção de mortes por câncer, incluindo a interrupção dos serviços de vacinação, triagem e tratamento; fechamentos de fronteiras que reduzem a disponibilidade de suprimentos e evitam o trânsito de engenheiros biomédicos qualificados para a manutenção de equipamentos; novas barreiras que impedem as mulheres em áreas rurais de viajarem para centros de referência para tratamento; e fechamento de escolas que interrompem os programas de vacinação. Na medida do possível, entretanto, a OMS chama todos os países a garantirem que a vacinação, a triagem e o tratamento possam continuar ocorrendo com segurança e com todas as precauções necessárias.

“A luta contra o câncer de colo do útero é também uma luta pelos direitos das mulheres: o sofrimento desnecessário causado por esta doença prevenível reflete as injustiças que afetam de maneira única a saúde das mulheres em todo o mundo”, destacou Simelela. “Juntos, podemos fazer história para garantir um futuro sem câncer de colo do útero.”

O lançamento está sendo celebrado com um dia de ação em todo o mundo, à medida que Ministérios da Saúde, parceiros e defensores da eliminação deste câncer se envolvem em atividades para melhorar o acesso à prevenção e tratamento do câncer para meninas e mulheres. Em todo o mundo, monumentos estão sendo iluminados na cor verde-azulado, associada ao câncer de colo do útero, desde as Cataratas do Niágara, na América do Norte, até o Marco de Dubai, bem como em cidades em toda a Austrália.

Câncer de colo do útero nas Américas

Na região das Américas, a cada ano, mais de 72 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo do útero e 34 mil perdem a vida devido à doença. O câncer de colo do útero está entre as principais causas de morte por câncer em mulheres em 23 países das Américas. Além disso, as desigualdades no acesso à atenção de saúde afetam o estado de saúde das mulheres com a enfermidade. Na América Latina e no Caribe, as taxas de mortalidade por câncer de colo do útero são três vezes maiores do que na América do Norte.

A vacina contra o HPV, que pode prevenir o câncer de colo do útero e é recomendada para meninas de 9 a 14 anos, está disponível em programas de saúde pública em 43 países e territórios da região. No entanto, na maioria deles, a cobertura com as duas doses recomendadas não chega a 90% da população-alvo. Além disso, estima-se que 32 milhões de mulheres (com mais de 30 anos) na região precisam fazer o teste de HPV.
Em setembro de 2018, os ministros da saúde da região concordaram com um plano que, com o apoio da OPAS, visa reduzir em um terço os novos casos e mortes por câncer de colo do útero até 2030 – em consonância com a estratégia global lançada nesta terça-feira (17).  

“As Américas são reconhecidas globalmente por serem pioneiras na eliminação de doenças como varíola, poliomielite e tétano neonatal e também podem eliminar o câncer de colo do útero”, pontuou a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne. “A OPAS apoia totalmente essa estratégia de eliminação do câncer de colo do útero e está empenhada em trabalhar com os Estados Membros e parceiros para alcançar as novas metas.”