Folha informativa atualizada em outubro de 2020

Câncer é um termo genérico para um grande grupo de doenças que pode afetar qualquer parte do corpo. Outros termos utilizados são tumores malignos e neoplasias. Uma característica que define o câncer é a rápida criação de células anormais que crescem além de seus limites habituais e podem invadir partes adjacentes do corpo e se espalhar para outros órgãos, processo referido como metástase. A metástase é a principal causa de morte por câncer.

O câncer é uma das principais causas de morte nas Américas. Em 2008, causou 1,2 milhão de mortes, 45% das quais ocorreram na América Latina e no Caribe. Prevê-se que a mortalidade por câncer nas Américas aumente para 2,1 milhões até 2030. Cerca de um terço de todos os casos de câncer poderiam ser evitados trabalhando os principais fatores de risco, como tabagismo, abuso de álcool, dieta inadequada e inatividade física. Os programas de rastreamento e vacinação representam intervenções eficazes para reduzir a carga de certos tipos de câncer. Muitos cânceres têm uma grande chance de serem curados se detectados precocemente e tratados adequadamente.

Principais fatos
  • O câncer é a segunda principal causa de morte no mundo e é responsável por 9,6 milhões de mortes em 2018. A nível global, uma em cada seis mortes são relacionadas à doença.
  • Aproximadamente 70% das mortes por câncer ocorrem em países de baixa e média renda.
  • Cerca de um terço das mortes por câncer se devem aos cinco principais riscos comportamentais e alimentares: alto índice de massa corporal, baixo consumo de frutas e vegetais, falta de atividade física e uso de álcool e tabaco.
  • O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer, causando 22% das mortes pela doença (2).
  • Os cânceres causados por infecções, tais como hepatite e papilomavírus humano (HPV), são responsáveis por aproximadamente 22% das mortes pela doença em países de baixa e média renda (3).
  • A apresentação tardia e o diagnóstico e tratamento inacessíveis são comuns. Em 2017, apenas 26% dos países de baixa renda relataram ter serviços de patologia disponíveis no setor público. Mais de 90% dos países de alta renda relataram que os serviços de tratamento estão disponíveis, em comparação com menos de 30% dos países de baixa renda.
  • O impacto econômico do câncer é significativo e está aumentando. O custo anual total da doença em 2010 foi estimado em aproximadamente US$ 1,16 trilhão (4).
  • Apenas um em cada cinco países de baixa e média renda tem os dados necessários para conduzir uma política para o câncer (5).
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O problema

O câncer é uma das principais causas de morte no mundo, sendo responsável por cerca de 9,6 milhões de mortes em 2018. Os tipos de câncer mais comuns são: 

  • pulmão (2,09 milhões de casos)
  • mama (2,09 milhões de casos)
  • colorretal (1,8 milhão de casos)
  • próstata (1,28 milhão de casos)
  • câncer de pele não-melanoma (1,04 milhão de casos)
  • estômago (1,03 milhão de casos)

As causas mais comuns de morte por câncer são os cânceres de: 

  • pulmão (1,76 milhão de mortes)
  • colorretal (862 mil mortes)
  • estômago (783 mil mortes)
  • fígado (782 mil mortes)
  • mama (627 mil mortes)
     

O que causa o câncer?

O câncer surge da transformação de células normais em células tumorais em um processo de vários estágios, que geralmente progridem de uma lesão pré-cancerosa para tumores malignos. Essas mudanças são o resultado da interação entre os fatores genéticos de uma pessoa e três categorias de agentes externos, incluindo:

  • Cancerígenos físicos, tais como radiação ultravioleta e ionizante;
  • Substâncias químicas cancerígenas, como o amianto, componentes do fumo do tabaco, aflatoxina (um contaminante alimentar) e arsênio (um contaminante da água potável); e
  • Cancerígenos biológicos, tais como infecções por certos vírus, bactérias ou parasitos.

A OMS, por meio de sua agência de investigação do câncer, Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês), mantém uma classificação dos agentes causadores da doença.

O envelhecimento é outro fator fundamental para o desenvolvimento do câncer. A incidência do câncer aumenta drasticamente com a idade, provavelmente devido a uma acumulação de riscos para cânceres específicos. A acumulação do risco total é combinada com a tendência de que os mecanismos de reparação celular sejam menos eficazes à medida em que a pessoa envelhece.

Fatores de risco

O consumo de tabaco e de álcool, uma dieta pouco saudável e a inatividade física são os principais fatores de risco para o câncer em todo o mundo. São também os quatro fatores de risco para outras doenças não-transmissíveis.

Algumas infecções crônicas também são fatores de risco para a doença e têm grande relevância em países de baixa e média renda. Aproximadamente 15% dos cânceres diagnosticados em 2012 foram atribuídos a infecções carcinogênicas, entre elas Helicobacter pylori, papilomavírus humano (HPV), os vírus da hepatite B e hepatite C, bem como o vírus Epstein-Barr.

Os vírus da hepatite B (HBV) e hepatite C (VHC) e alguns tipos de papilomavírus humano (HPV) aumentam o risco de câncer no fígado e no colo do útero, respectivamente. A infecção por HIV aumenta substancialmente o risco de câncer (como o câncer do colo do útero, por exemplo).

Como a carga global do câncer pode ser reduzida?

Entre 30% e 50% dos cânceres podem ser prevenidos. O câncer pode ser reduzido e controlado por meio da implementação de estratégias baseadas em evidências para a prevenção, a detecção precoce e o tratamento de pacientes com a doença. Muitos cânceres têm uma alta chance de cura se detectados precocemente e tratados adequadamente.

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Modificando e evitando fatores de risco

Modificar e prevenir fatores-chave de risco podem reduzir significativamente o fardo do câncer, incluindo:

  • Tabagismo
  • Estar acima do peso ou obeso
  • Dieta não saudável com baixa ingestão de frutas e vegetais
  • Sedentarismo
  • Uso de álcool
  • Infecção por HPV
  • Infecção por hepatites e outras infecções carcinogênicas
  • Radiações ionizantes e não ionizantes
  • Poluição do ar urbano
  • Fumaça interna proveniente do uso doméstico de combustíveis sólidos

O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer, causando 22% das mortes pela doença a nível global (2).

Estratégias de prevenção

Para prevenir câncer, as pessoas podem:

  • Evitar os fatores de risco listados acima;
  • Vacinar-se contra o papilomavírus humano (HPV) e hepatite B;
  • Controlar riscos ocupacionais;
  • Reduzir a exposição à radiação não-ionizante pela luz solar (UV);
  • Reduzir a exposição às radiações ionizantes (imagiologia diagnóstica ocupacional ou médica).

A vacinação contra os vírus HPV e da hepatite B poderia prevenir 1 milhão de casos de câncer a cada ano (3).
 

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Detecção precoce

A mortalidade por câncer pode ser reduzida se os casos forem detectados e tratados precocemente. Existem dois componentes para a detecção precoce:

Diagnóstico precoce

Quando identificado precocemente, o câncer pode responder melhor a um tratamento eficaz. Isso resulta em uma maior probabilidade de sobrevivência, menor morbidade e um tratamento menos dispendioso. Melhorias significativas podem ser feitas na vida dos pacientes com câncer por meio da detecção precoce e cuidados em tempo oportuno.

O diagnóstico precoce consiste em três etapas, que devem ser integradas e fornecidas oportunamente:

  • Conscientização e acesso aos cuidados;
  • Avaliação clínica, diagnóstico e preparação; e
  • Acesso ao tratamento.

O diagnóstico precoce é relevante em todos os contextos e na maioria dos cânceres. Na ausência de diagnóstico precoce, os pacientes são diagnosticados em estádios tardios, quando o tratamento curativo pode deixar de ser uma opção. Os programas podem ser projetados para reduzir atrasos e barreiras ao cuidado, permitindo que os pacientes acessem o tratamento em tempo hábil.

Rastreamento

O rastreamento tem o objetivo de identificar indivíduos com anormalidades sugestivas de um câncer específico ou pré-câncer que não tenha desenvolvido nenhum sintoma e encaminhá-los prontamente para diagnóstico e tratamento.

Os programas de rastreamento podem ser eficazes para tipos de câncer selecionados quando os testes adequados são realizados, implementados de forma eficaz, ligados a outras etapas do processo de rastreio e quando a qualidade é assegurada. Em geral, um programa de rastreamento é uma intervenção de saúde pública muito mais complexa em comparação com o diagnóstico precoce.

Alguns dos exemplos são:

  • Inspeção visual com ácido acético para câncer de colo do útero em contextos com baixos recursos;
  • Teste de detecção de HPV para câncer do colo do útero;
  • Teste de Papanicolau para câncer do colo do útero em contextos de média e alta renda;
  • Mamografia para câncer de mama em contextos com sistemas de saúde fortalecidos ou relativamente fortes.

Tratamento

O diagnóstico correto do câncer é essencial para um tratamento adequado e eficaz, porque cada tipo da doença precisa de um tratamento específico, que pode abarcar uma ou mais modalidades, tais como cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Determinar os objetivos do tratamento e dos cuidados paliativos é um passo importante e os serviços de saúde devem estar integrados e centrados nas pessoas. O objetivo principal é curar o câncer ou prolongar a vida do paciente de forma considerável. Outro objetivo importante é melhorar a qualidade de vida do paciente por meio de cuidados paliativos e apoio psicológico.
 

quimioterapia câncer

Potencial de cura para cânceres detectados precocemente

Alguns dos tipos mais comuns de câncer, como o de mama, colo do útero, oral e colorretal, têm altas taxas de cura quando detectados precocemente e tratados de acordo com as melhores práticas.

Potencial de cura para outros tipos de cânceres

Alguns tipos de câncer, embora disseminados, como leucemias e linfomas em crianças, além do seminoma testicular, têm altas taxas de cura se o tratamento adequado é fornecido.

Cuidados paliativos

Cuidados paliativos são um tratamento para aliviar, em vez de curar, os sintomas causados pelo câncer e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias. Eles podem ajudar as pessoas a viver mais confortavelmente, sendo uma necessidade humanitária urgente para pessoas em todo o mundo com câncer e outras doenças crônicas fatais. É particularmente necessário em locais com uma elevada proporção de pacientes em estágios avançados, onde há pouca possibilidade de cura.

O alívio de problemas físicos, psicossociais e espirituais pode ser alcançado em mais de 90% dos pacientes com câncer avançado por meio dos cuidados paliativos.

Estratégias de cuidados paliativos

Estratégias de saúde pública eficazes, que compreendem os cuidados comunitários e domiciliares, são essenciais para proporcionar alívio da dor e cuidados paliativos para pacientes e suas famílias em contextos de baixos recursos.

O acesso melhorado à morfina via oral é obrigatório para o tratamento da dor moderada a grave causada pelo câncer, sofrida por mais de 80% dos pacientes com a doença em fase terminal.

 

Referências

(1) Ferlay J, Soerjomataram I, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C et al. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer; 2013.

(2) GBD 2015 Risk Factors Collaborators. Global, regional, and national comparative risk assessment of 79 behavioural, environmental and occupational, and metabolic risks or clusters of risks, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015. Lancet. 2016 Oct; 388 (10053):1659-1724.

(3) Plummer M, de Martel C, Vignat J, Ferlay J, Bray F, Franceschi S. Global burden of cancers attributable to infections in 2012: a synthetic analysis. Lancet Glob Health. 2016 Sep;4 (9):e609-16. doi: 10.1016/S2214-109X(16)30143-7.

(4) Stewart BW, Wild CP, editors. World cancer report 2014. Lyon: International Agency for Research on Cancer; 2014.

(5) Global Initiative for Cancer Registry Development. International Agency for Research on Cancer. Lyon: France.

O que a OPAS faz

A OPAS está trabalhando com os países da Região para reduzir as mortes prematuras por doenças crônicas não transmissíveis, incluindo o câncer, em 25% até 2025. Por meio de seu plano de ação lançado em outubro de 2013, promove estratégias para reduzir o uso de tabaco e álcool, apoia a introdução da vacina e o rastreamento do HPV; e impulsiona melhorias na qualidade e no acesso ao diagnóstico precoce do câncer de mama. Além disso, a Organização promove melhorias nos serviços de radiologia e no acesso a medicamentos quimioterápicos essenciais e acessíveis, bem como promover a expansão do acesso a programas de cuidados paliativos e opioides para alívio da dor e controle de sintomas.

Entre as estratégias propostas pela OPAS para reduzir o risco de câncer, bem como de outras doenças crônicas não transmissíveis, estão:

  • Aumentar os impostos, restringir o acesso e alertar sobre os perigos do tabaco e o uso prejudicial do álcool.
  • Promover a conscientização pública sobre alimentação saudável, atividade física e peso saudável.
  • Imunizar contra a hepatite B desde o nascimento para prevenir o câncer de fígado e contra o papilomavírus humano (HPV) para adolescentes para prevenir o câncer de colo do útero.
  • Organizar programas de rastreamento para detectar e tratar lesões pré-cancerosas e prevenir o câncer de colo do útero, além de detectar precocemente o câncer de mama.

Resposta da OMS

Em 2017, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução de prevenção e controle do câncer por meio de uma abordagem integrada (Cancer Prevention and Control through an Integrated Approach - WHA70.12), instando os governos e a OMS a acelerarem ações para atingir os objetivos especificados no Plano de Ação Global e na Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável a fim de reduzir a mortalidade prematura por câncer.

A OMS e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, sigla em inglês) colaboram com outras organizações das Nações Unidas e parceiros em uma força-tarefa interagencial sobre prevenção e controle de doenças não transmissíveis para:

  • Aumentar o compromisso político para a prevenção e controle do câncer;
  • Coordenar e conduzir pesquisas sobre as causas do câncer humano e os mecanismos de carcinogênese;
  • Monitorar a carga da doença (como parte do trabalho da Global Initiative on Cancer Registries GICR);
  • Identificar estratégias prioritárias para a prevenção e controle do câncer;
  • Desenvolver padrões e ferramentas para orientar o planejamento e a implementação de intervenções de prevenção, detecção precoce, rastreamento, tratamento e cuidados paliativos e de sobrevivência, inclusive para câncer na infância;
  • Fortalecer os sistemas de saúde em níveis nacional e local para oferecer cura e cuidados para pacientes com câncer, incluindo melhorar o acesso a tratamentos contra o câncer;
  • Fornecer liderança global, bem como assistência técnica para apoiar os governos e seus parceiros a construir e manter programas de alta qualidade de controle do câncer do colo do útero por meio do Programa Conjunto Global da ONU sobre Prevenção Cervical e Câncer; e
  • Fornecer assistência técnica para a transferência rápida e eficaz de intervenções de melhores práticas para os países.