Amamentação não é responsabilidade exclusiva da mãe, defende OPAS/OMS

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4 de agosto de 2017 – A representante adjunta da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), María Dolores Perez-Rosales, afirmou nesta sexta-feira (4) que o sucesso na amamentação não é responsabilidade exclusiva da mãe. A declaração foi dada durante a abertura de uma cerimônia realizada para celebrar a Semana Mundial de Amamentação, em Curitiba, Paraná, Brasil.

“Promover o aleitamento materno é dever de todos: comunidades, empregadores, famílias, governos e profissionais de saúde”, disse Perez-Rosales.

A Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde recomenda que os bebês sejam alimentados exclusivamente pelo leite da mãe até os seis meses e que a amamentação continue acontecendo, junto com outros alimentos, por até dois anos ou mais.

O aumento do aleitamento materno para níveis quase universais salvaria a vida de mais de 820 mil crianças com menos de cinco anos de idade e 20 mil mulheres a cada ano, no mundo. Poderia também adicionar um valor estimado de US$ 300 bilhões anuais na economia global, com base na melhoria da capacidade cognitiva, caso cada criança fosse amamentada até pelo menos seis meses de idade, e no aumento do que ela poderia produzir ao longo da vida.

Segundo Perez-Rosales, o Brasil tem sido um exemplo para outros países e isso se deve às suas políticas, regulações, estratégias e iniciativas de educação sobre a importância do aleitamento. “Uma das iniciativas brasileiras que mais se destacaram foi a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. E precisamos aqui dar os parabéns às brasileiras, que foram responsáveis por cerca de 90% da coleta dos mais de 1 milhão de litros de leite doados no planeta nos últimos anos”.

Sala de amamentação

Para estimular o aleitamento materno, a Representação da OPAS/OMS no Brasil criou em 2015 uma Sala de Apoio à Amamentação, onde a mulher pode esvaziar as mamas, armazenando seu leite em frascos. O líquido é mantido em um freezer a uma temperatura controlada. No fim do expediente, a mãe pode levar seu leite para casa e oferecê-lo ao filho ou doá-lo a um Banco de Leite Humano.

“A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde reafirma o seu apoio ao Brasil no enfrentamento das barreiras que dificultam ou impedem o livre acesso às medidas de proteção e garantia ao direito humano à alimentação adequada. Juntos, podemos fazer com que a amamentação seja sustentável”, destacou a representante adjunta.

Outra iniciativa da OPAS/OMS foi o desenvolvimento do Plano de Ação para a Prevenção da Obesidade em Crianças e Adolescentes, no qual se estipula como primeira linha de ação estratégica a promoção do aleitamento materno.

Novo relatório

De acordo com um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), em colaboração com o Global Breastfeeding Collective – uma nova iniciativa para aumentar as taxas globais de amamentação – nenhum país do mundo atende plenamente aos padrões recomendados para o aleitamento materno.

O Global Breastfeeding Scorecard, que avaliou 194 países, mostrou que apenas 23 deles registram índices de amamentação exclusiva acima de 60%. Além disso, revelou que apenas 40% das crianças, no mundo, com menos de seis meses são amamentadas exclusivamente (sem nada além do leite da mãe).

O aleitamento materno é fundamental para o alcance de muitos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Melhora a nutrição (ODS 2), previne a mortalidade infantil e diminui o risco de doenças crônicas não-transmissíveis (ODS 3), além de apoiar o desenvolvimento cognitivo e a educação (ODS 4). A amamentação também é um instrumento para acabar com a pobreza, promover o crescimento econômico e reduzir as desigualdades.