De acordo com a publicação da FAO, FIDA, OPAS, UNICEF e PMA, a subnutrição e a insegurança alimentar diminuíram, embora persistam preocupações quanto ao custo de uma alimentação saudável e aos altos índices de obesidade.
27 de fevereiro de 2026, Santiago, Chile — Na América Latina e no Caribe, a subnutrição diminuiu pelo quarto ano consecutivo, segundo a edição de 2025 do Panorama Regional da Segurança Alimentar e Nutricional: Estatísticas e Tendências, divulgada hoje.
O relatório informa que a subnutrição afetou 5,1% da população em 2024, abaixo do pico de 6,1% registrado em 2020. Isso significa que 6,2 milhões de pessoas deixaram de enfrentar a fome na região.
O relatório anual destaca que já existem quatro países na região (Brasil, Costa Rica, Guiana e Uruguai) com prevalência de fome inferior a 2,5%, enquanto outros dois (Chile e México) estão muito próximos desse limite, e cinco já estão abaixo de 5% (Argentina, Barbados, Colômbia, Dominica e República Dominicana).
A América do Sul registrou os maiores resultados nos últimos anos, alcançando uma prevalência média de fome de 3,8%, com redução de quase um ponto percentual entre 2022 e 2024. A Mesoamérica permaneceu relativamente estável em 5%, assim como o Caribe, com 17,5%. Este último resultado é explicado pela elevada prevalência de subnutrição no Haiti (54,2% no triênio 2022–2024).
A insegurança alimentar moderada ou grave afetou 25,2% da população da região em 2024. Esse percentual está abaixo da estimativa global de 28% e também demonstra queda contínua desde o pico de 33,7% em 2020. No entanto, a desigualdade de gênero permanece significativa, com prevalência 5,3 pontos percentuais maior entre as mulheres do que entre os homens.
Apesar dos avanços, mais de 33 milhões de pessoas ainda enfrentam a fome, 167 milhões vivem em situação de insegurança alimentar, 181,9 milhões não podem arcar com o custo de uma alimentação saudável, e 141 milhões de adultos vivem com obesidade.
Foco na nutrição
“A região conseguiu reduzir a prevalência de fome e de insegurança alimentar, mas persistem desigualdades significativas no acesso e na acessibilidade econômica a alimentos e dietas saudáveis. Além disso, precisamos enfrentar, por meio de uma abordagem abrangente e intersetorial, os níveis crescentes de sobrepeso e obesidade. A FAO está apoiando os países na geração de dados sobre segurança alimentar e nutrição e de evidências para subsidiar melhores decisões, bem como na implementação e avaliação de políticas e ações para erradicar a fome e reduzir a má nutrição em todas as suas formas”, afirmou o diretor-geral Assistente e representante regional da FAO, Rene Orellana Halkyer.
A América Latina e o Caribe continuam a sentir os efeitos da pandemia de COVID-19, das interrupções nas cadeias de abastecimento e dos conflitos geopolíticos, que intensificaram a inflação dos preços dos alimentos, elevando o custo de uma alimentação saudável tanto em nível global quanto regional. Em 2024, o custo de uma alimentação saudável aumentou 3,8% na América Latina e no Caribe, tornando-a a região com o custo mais alto do mundo, estimado em US$ 5,16 por dia, ajustado pela paridade do poder de compra.
Embora a região tenha avançado na redução da fome, persistem lacunas significativas. As mulheres e as comunidades rurais continuam a enfrentar níveis mais elevados de insegurança alimentar do que os homens e as populações urbanas. Esses resultados devem servir como um claro alerta para redobrar esforços e direcionar investimentos àqueles que mais precisam. Apoiar o desenvolvimento rural e as pessoas que produzem alimentos é essencial para fortalecer a segurança alimentar, construir resiliência e garantir crescimento sustentável”, afirmou Rocío Medina Bolívar, Diretora Regional do FIDA para a América Latina e o Caribe.
Apesar do aumento no custo de uma alimentação saudável, a acessibilidade econômica melhorou. Em 2024, 15,4 milhões de pessoas a mais puderam arcar com o custo de uma alimentação saudável em comparação com 2021, quando o número de pessoas que não podiam pagar por ela atingiu o pico de 197,3 milhões. Ainda assim, 27,4% da população da América Latina e do Caribe — 181,9 milhões de pessoas — não puderam arcar com uma alimentação saudável em 2024.
“Embora a segurança alimentar apresente avanços na América Latina e no Caribe, o Panorama Regional 2025 expõe profundas desigualdades entre sub-regiões, dentro dos países e entre mulheres e homens. Não podemos falar em progresso real enquanto as desigualdades continuam deixando milhões para trás, especialmente as mulheres. O PMA está comprometido em alcançar aqueles em maior necessidade, desde a resposta a emergências até o fortalecimento da proteção social, da alimentação escolar e de iniciativas de resiliência”, afirmou a Diretora Regional do Programa Mundial de Alimentos, Lena Savelli.
Os indicadores de nutrição mostram avanços desiguais. Por exemplo, a anemia afetou 19,9% das mulheres de 15 a 49 anos na região em 2023. Embora essa prevalência permaneça consideravelmente abaixo da estimativa global (30,7%), as taxas de anemia vêm aumentando de forma constante na região desde 2014.
Ao mesmo tempo, a obesidade entre adultos na região dobrou desde 2000, alcançando 29,9% em 2022 — quase o dobro da estimativa global de 15,8%.
“Ambientes alimentares não saudáveis, caracterizados pela alta disponibilidade de produtos ultraprocessados e pelo acesso limitado a alimentos saudáveis, continuam a impulsionar a elevada prevalência de sobrepeso e obesidade nas Américas”, afirmou o Jarbas Barbosa, diretor da OPAS. “A OPAS está trabalhando para transformar os sistemas alimentares por meio de medidas fiscais, regulamentação da publicidade e rotulagem nutricional frontal de advertência, a fim de tornar as dietas saudáveis mais acessíveis, acessíveis economicamente e sustentáveis, ajudando a prevenir a obesidade e as doenças crônicas não transmissíveis relacionadas à alimentação”.
Entre as crianças menores de 5 anos, a prevalência de baixa estatura para a idade (atraso no crescimento) foi de 12,4%, mantendo-se consistentemente abaixo da estimativa global ao longo dos últimos 25 anos. Atualmente, um terço dos países com dados disponíveis está no caminho para alcançar a meta de 2030 relativa ao atraso no crescimento. Da mesma forma, a prevalência de emagrecimento agudo (baixo peso para a altura) na região foi estimada em 1,3% em 2024, e a maioria dos países já atingiu a meta da Assembleia Mundial da Saúde para 2025 relativa ao emagrecimento infantil.
Em relação ao sobrepeso, a prevalência entre crianças menores de 5 anos aumentou de forma constante desde 2000, atingindo 8,8% em 2024, acima da estimativa global. Como resultado, a região não está no caminho para alcançar a meta de 2030 de reduzir e manter essa prevalência abaixo de 3%.
“Avanços importantes na redução do atraso no crescimento refletem investimentos sustentados e ação coordenada em prol do bem-estar das crianças”, afirmou Roberto Benes, diretor regional do UNICEF para a América Latina e o Caribe. “Ao mesmo tempo, a região enfrenta um desafio nutricional complexo. Enquanto a desnutrição persiste em populações vulneráveis, o sobrepeso e a obesidade aumentam de forma constante, inclusive entre crianças. Enfrentar a má nutrição em todas as suas formas — desde o atraso no crescimento, o emagrecimento agudo e as deficiências de micronutrientes até o sobrepeso e a obesidade — exige o fortalecimento dos sistemas de saúde, nutrição, educação e proteção social, garantindo que cada criança tenha acesso a dietas acessíveis, diversificadas e nutritivas”.
O Panorama Regional da Segurança Alimentar e Nutricional 2025 é uma publicação conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), do Programa Mundial de Alimentos (PMA) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
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