Brasil, relatório anual de país 2025

niña sonríe

 

Relatório anual 2025 
Brasil

Organização Pan-Americana 
da Saúde

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Cristian Morales  Representante da OPAS/OMS no Brasil

Mensagem do Representante da OPAS/OMS no Brasil

Em 2025, o Brasil demonstrou que é possível transformar desafios em conquistas quando a saúde é tratada como direito e prioridade, refletindo o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e seu impacto nas condições de vida da população do país e das Américas.

Um exemplo foi a certificação pela OMS da eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. Assim, o Brasil passou a ser o único país de mais de 100 milhões de habitantes a atingir esse resultado. Outro êxito para o qual a cooperação da OPAS foi chave é a incorporação de tecnologias, como o novo teste molecular de HPV – que, junto à alta cobertura de vacinação e ao investimento para aumentar a capacidade de tratamento, posiciona o país no caminho para eliminar como problema de saúde pública o câncer de colo do útero.

A OPAS tem contribuído também na elaboração de políticas para o envelhecimento saudável e acesso mais equitativo aos serviços de saúde, assim como no desenvolvimento de sistemas de alerta oportuno para ondas de calor e outras intervenções que salvam vidas.

No cenário global, destacamos a parceria para aprovar na COP30 o Plano de Ação em Saúde para adaptação às mudanças climáticas. Nos diálogos entre países do BRICS sobre a eliminação de doenças determinadas socialmente, ficou claro que é possível avançar em direção a um multilateralismo sustentável.

Em 2026, a OPAS seguirá neste caminho, apoiando em nível nacional e subnacional, para alcançar um SUS mais equitativo, eficiente e baseado na ciência e na participação social.

Cristian Morales 
Representante da OPAS/OMS no Brasil

Marcos de 2025

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NOVA TECNOLOGIA PARA PREVENIR CÂNCER

Com apoio técnico da OPAS, o Brasil adota uma nova tecnologia: um teste de HPV menos invasivo que o exame Papanicolau e que permite identificar a presença do vírus antes do surgimento de lesões ou câncer em estágio inicial.

SAÚDE GANHA PROTAGONISMO NA COP30 

Plano de Ação em Saúde coloca, pela primeira vez, a saúde como eixo central das políticas climáticas globais na COP30, com foco em populações em situação de vulnerabilidade, riscos sanitários e preparação para eventos extremos.

BRASIL ELIMINA TRANSMISSÃO VERTICAL DO HIV

Brasil se tornou o país mais populoso do mundo a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho como problema de saúde pública, consolidando o SUS como referência em acesso universal e respeito aos direitos humanos.

NOVA POLÍTICA DE REGULAÇÃO PARA MELHOR ACESSO

Diretrizes inéditas ajudam a organizar o acesso aos serviços de saúde nas três esferas de gestão do SUS, em articulação com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas e foco em equidade, integralidade e universalidade.

BRASIL AMPLIA REDE GLOBAL AMIGA DOS IDOSOS

Com apoio da OPAS, 19 cidades e duas unidades da federação passaram a integrar a Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas da OMS, ampliando a escala e a capilaridade da iniciativa.

Conquistas no Brasil

 

Brasil elimina transmissão vertical do HIV

O Brasil alcançou, em 2025, uma série de marcos relacionados às Iniciativas da OPAS de Eliminação de Doenças e de Melhor Atenção às Doenças Não Transmissíveis. Uma das principais conquistas foi a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV, concedida ao Estado brasileiro pela OMS em dezembro. Com isso, o Brasil se tornou o país mais populoso do mundo a conseguir essa proeza. O resultado reflete o compromisso do Brasil com o acesso universal, via Sistema Único de Saúde (SUS), a serviços ancorados em uma atenção primária forte e no respeito aos direitos humanos. O caminho para essa conquista contou com uma inovação: certificar primeiro as unidades da federação e os municípios com mais de 100 mil habitantes, adaptando a metodologia de validação da OPAS/OMS ao contexto nacional. Ao longo de todo o processo, a OPAS forneceu cooperação técnica, contribuindo para ações como o fortalecimento da vigilância epidemiológica, a geração de evidências e o apoio ao programaBrasil Saudável.

Liderança global na agenda de saúde e clima

O Brasil também posicionou a saúde no centro de agendas internacionais de alto nível — em especial com o lançamento, em novembro, do Plano de Ação em Saúde de Belém para a Adaptação do Setor da Saúde às Mudanças Climáticas, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30). Pela primeira vez, foram estabelecidos na COP compromissos concretos para a promoção de sistemas de saúde resilientes frente à crise climática, com ênfase na proteção de populações em situação de vulnerabilidade. Também foi apresentado na COP30 o plano AdaptaSUS, que tem como foco a redução de impactos das mudanças do clima na saúde das pessoas e nos serviços de saúde. A OPAS participou da elaboração de ambos esses planos e cooperou tecnicamente com o Brasil na articulação entre países e parceiros, bem como na tradução de evidências científicas em ações operacionais.Houve avanço ainda em relação à aliança intergovernamental BRICS, que se reuniu no Brasil para alinhar prioridades de saúde com foco em doenças não transmissíveis e socialmente determinadas, preparação para pandemias e fomento à saúde digital, entre outros.

    A OPAS firmou em novembro um acordo com cinco instituições brasileiras para fortalecer a inovação e a regulação, incluindo apoio a startups e empresas de base tecnológica.

Vigilância fortalecida

O Brasil fortaleceu a resiliência a eventos extremos e fluxos migratórios nas fronteiras do Mercosul e da Amazônia com planos de contingência binacionais e monitoramento clima-saúde. A OPAS contribuiu com suporte metodológico e apoio na realização de exercícios simulados em pontos de entrada, em parceria com autoridades nacionais e locais.Por sua vez, a iniciativa Mosaico, fruto de parceria entre o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Ministério da Saúde e a OPAS, fortaleceu a vigilância de vírus respiratórios. Essa vigilância robusta, somada a coberturas da vacina tríplice viral de 93,89% (1ª dose) e 78,94% (2ª dose), contribuiu para que o país mantivesse a eliminação sustentada do sarampo. A OPAS participou dessas conquistas, facilitando ações como a doação de vacinas do Brasil para a Bolívia.

Novo teste de HPV

Em agosto, o rastreamento organizado com o teste molecular DNA-HPV desenvolvido pelo Instituto de Biologia Molecular do Paraná foi implementado em 13 unidades da federação. O novo teste detecta 14 genótipos do HPV, incluindo os maiores causadores de câncer do colo do útero, o que permite identificar a presença do vírus no organismo antes da ocorrência de lesões ou de câncer em estágio inicial. A OPAS apoiou tecnicamente a validação clínica desse teste, bem como sua adoção e monitoramento no SUS.

Mais saúde no curso de vida

A agenda de envelhecimento saudável avançou com a ampliação de políticas e ações voltadas a ambientes mais favoráveis às pessoas idosas. A escala da Rede Global de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas da OMS foi ampliada pela inclusão de 19 cidades brasileiras além dos estados do Paraná e do Rio de Janeiro. A OPAS apoiou essa expansão, atuando na planificação e no monitoramento das ações locais, bem como no intercâmbio de experiências.

Além disso, para reduzir a mortalidade materna e neonatal, a OPAS trabalhou com a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais em capacitações e fortalecimento das redes de serviços de saúde, melhorando processos de trabalho em áreas como vinculação obstétrica e vigilância do óbito materno e de near miss.

No âmbito assistencial, foi instituída, em dezembro, a Política Nacional de Regulação em Saúde do SUS, voltada a aperfeiçoar a prestação de ações e serviços nas esferas federal, estadual e municipal, em articulação com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas e com foco na equidade, integralidade e universalidade. Para subsidiar essa política, a OPAS apoiou o Ministério da Saúde na realização de estudos comparativos de modelos regulatórios nacionais e internacionais.

Inovação e pesquisa

Em 2025, a OPAS e o Ministério da Saúde fortaleceram o ecossistema nacional de inovação, pesquisa e produção, visando aumentar o acesso a medicamentos e tecnologias nas Américas. Essa ação incluiu encontros com produtores brasileiros, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos, Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa e Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil.

Em outubro, foi regulamentada a Lei da Pesquisa Clínica, voltada à proteção ética dos participantes de estudos no país e à atração de investimentos em inovação em saúde.

Relatos de trabalho de campo

Policlínicas de Saúde da Bahia são modelo de descentralização da assistência especializada

O modelo de cuidado regionalizado para atenção especializada de média complexidade adotado pelo estado da Bahia por meio das Policlínicas de Saúde tem se destacado como uma boa prática de cuidado integral. Para conhecer mais sobre esse modelo, um grupo internacional formado por gestores, pesquisadores e representantes da sociedade civil de 12 países visitou, em maio de 2025, as instalações da Policlínica de Narandiba, em uma missão facilitada pela OPAS. Entre eles, estava Philip Rocco, Professor Associado de Ciência Política da Marquette University, nos Estados Unidos, e co-editor da revista Publius: The Journal of Federalism. “Venho dos Estados Unidos, um país que não tem cobertura universal. Então, mesmo onde operam algumas unidades de atenção primária com modelo de medical home, que centralizam uma variedade de serviços, elas são limitadas a um pequeno número de sistemas hospitalares. Não são oferecidas à população da mesma forma como são aqui [na policlínica]. A escala do que está acontecendo aqui é muito maior”, destacou Rocco.

Hanseníase: diagnóstico precoce e acolhimento melhoram vidas no Brasil

A Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (Fuham), no estado do Amazonas, é Centro Colaborador da OPAS/OMS para Controle, Treinamento e Pesquisa em Hanseníase nas Américas e referência no cuidado a pessoas com essa doença. Júnior Oliveira de Lima, de 49 anos, buscou a Fuham após perceber dormência nas pernas e manchas nos braços. “Passei pela recepção, triagem (onde são realizados exames), depois para a médica, fiz fisioterapia e cuidaram muito bem do ferimento que eu tinha”, relembrou. Devido às incapacidades que a hanseníase pode causar, é comum que os pacientes continuem o acompanhamento na Fundação, realizando exames periódicos, fisioterapia, consultas oftalmológicas, cirurgias, além de receberem próteses e outros cuidados especializados. As ações do Centro Colaborador estão conectadas à Iniciativa de Eliminação de Doenças da OPAS.

tracoma

Ações no Tocantins fortalecem estratégia do Brasil para eliminação do tracoma

Como parte das medidas de eliminação do tracoma, equipes de saúde no Brasil realizaram, entre julho e agosto, buscas ativas de casos em comunidades indígenas do Tocantins, no Norte do país. A ação-piloto ocorreu na Aldeia Funil, da etnia Xerente, no município de Tocantinópolis, e foi realizada no âmbito de um projeto para eliminar o tracoma como problema de saúde pública nas Américas, desenvolvido pela OPAS e pelo Governo do Canadá em 10 países da região. Os exames realizados permitiram identificar tanto os sinais iniciais quanto os casos mais graves da doença. A bióloga Vanusa Alves, técnica da Secretaria de Saúde do Tocantins e examinadora na missão, detalhou como ocorre a avaliação: “fazemos a eversão da parte superior do olho, para identificar folículos, que é o tracoma folicular. Para a triquíase, procuramos se o cílio está tocando na córnea”. A percepção da comunidade também demonstra o impacto da iniciativa. O cacique Elson Xerente recorda que, anos atrás, antes das primeiras ações na região, o tracoma era praticamente desconhecido entre os moradores. “A gente na comunidade não sabia o que era o tracoma, nem qual era o problema que ele causava aqui. Foi a partir do momento que vieram a campo fazer o trabalho que começamos a entender”, contou.

Nossos parceiros

Academia
CABSIn; UERGS; UFCSPA; UFG.

Associações e sociedades científicas
ABEPS; Abrasco; ABRAz; Anahp; SBIm; SBP; SBI.

Centros colaboradores
Fiocruz – Centro de Relações Internacionais em Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Departamento de Política de Medicamentos e Assistência Farmacêutica e Escola de Governo em Saúde), Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Laboratório de Referência Nacional em Leptospirose do Instituto Oswaldo Cruz e Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira; Fuham; INCA – Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco; Ministério da Saúde – Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis, Departamento de Emergências em Saúde Pública e Instituto Evandro Chagas (Seção de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas); Prefeitura de São Paulo – Centro de Controle de Zoonoses; SES-SP – Instituto Lauro de Souza Lima e Instituto Pasteur de São Paulo; UFPel – Centro de Pesquisas em Desenvolvimento Humano e Violência; UFRN – Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde; UNICAMP – Hospital da Mulher Prof. Dr. José Aristodemo Pinotti; USP – Centro de Estudos, Pesquisa e Documentação em Cidades Saudáveis, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas e Núcleo de Estudos da Violência.

Conselhos de Saúde
CES; CNS; Conasems; Cosems; Conass.

Governos estaduais
FVS/AM e Secretarias de Estado do AC, AL, AM, AP, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RO, RR, RS, SC, SE, SP, TO.

Governo federal 
Anvisa; Conicq; DNIT; Fiocruz; Instituto Butantan; MCID; MCTI; MDA; MDHC; MDIC; MDS; MEC – EBSERH e FNDE; MF; MJSP; MMulheres; MPI; MRE; MS e MT.

Governos municipais
Secretarias Municipais de Saúde: Boa Vista (RR); Florianópolis (SC); Niterói (RJ); Paranaguá (PR); Salvador (BA); São Luis (MA); São Paulo (SP).

Legislativo
Comissão de Assuntos Sociais do Senado; Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa; Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados; Frente Parlamentar Mista para a Promoção da Saúde Mental; Frente Parlamentar pela Luta contra a Tuberculose; Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro; Frente Parlamentar em Defesa da Vacina; Frente Parlamentar pela Eliminação da Malária na Amazônia; Frente Parlamentar Mista de IST, HIV/AIDS e Hepatites Virais; Frente Parlamentar pela Segurança de Crianças e Adolescentes no Trânsito; Frente Parlamentar Mista em Defesa da Reforma Psiquiátrica e da Luta Antimanicomial; Frente Parlamentar Estadual de Combate e Prevenção à Tuberculose, HIV e Diabetes da ALERJ.

Organizações internacionais
Bloomberg Philanthropies; Campaign for Tobacco-Free Kids; Centre for Addiction and Mental Health; CPLP; Fundação Rockefeller; Global Health Advocacy Incubator; União Internacional contra a Tuberculose e Doenças Pulmonares; Mercocidades; OTCA; Rotary Internacional; Sistema ONU Brasil; St. Jude Global Alliance; The International Foundation for Integrated Care; Universidade Johns Hopkins; World Obesity Federation.

Sociedade civil
Comitê Interinstitucional de Luta contra Tuberculose/RJ; Conanda; CNDPI; Einstein Hospital Israelita; Fundação de Saúde Sasakawa; Grupo Mulheres do Brasil; Instituto Lado a Lado pela Vida; ITpS; Vital Strategies.

vacunación

Organización Panamericana de la Salud

 

Fazendo da saúde 
um compromisso 
para todas as pessoas

Relatórios anuais de país da Organização
Pan-Americana da Saúde 2025

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