Representantes de países e parceiros compartilharam estratégias e investimentos que estão ajudando a superar barreiras e acelerar a eliminação de doenças na Região durante uma sessão informativa realizada no âmbito do Conselho Diretor da OPAS.
Washington, D.C., 1 de outubro de 2026 (OPAS) – Os países das Américas podem acelerar os esforços para eliminar mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas por meio de uma sólida liderança nacional, investimentos estratégicos e apoio específico de parceiros, autoridades de saúde e organismos internacionais.
Essas prioridades foram destacadas durante uma sessão informativa realizada no âmbito do 63º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que reuniu representantes dos países e parceiros para o desenvolvimento com o objetivo de trocar experiências e analisar maneiras de superar os obstáculos à eliminação de doenças.
Ao abrir a sessão, o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, destacou os avanços alcançados desde o relançamento da Iniciativa de Eliminação de Doenças da Organização, em 2023. Cinco países implementaram planos nacionais para a eliminação de múltiplas doenças, sete estão desenvolvendo roteiros e outros 17 estão acelerando suas estratégias de eliminação. Nos últimos 12 meses, cinco países foram certificados por terem eliminado pelo menos uma doença transmissível.
“Os investimentos catalíticos continuam sendo essenciais para superar barreiras, ampliar soluções que já demonstraram resultados e transformar a inovação em acesso para aqueles que mais precisam”, afirmou Barbosa. Ele também ressaltou que os investimentos em eliminação fortalecem a atenção primária à saúde, a vigilância, os laboratórios e os sistemas de informação, gerando benefícios que vão além de doenças específicas.
Representantes da Colômbia, do Peru e das Bahamas compartilharam experiências sobre como os países estão transformando seus compromissos com a eliminação em ações concretas e resultados.
Valentina Antonieta Alarcón Guizado, diretora executiva de Prevenção e Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde do Peru, destacou os esforços para acelerar a eliminação da tuberculose por meio da ampliação de tecnologias inovadoras, como equipamentos portáteis de raios X com inteligência artificial, testes moleculares rápidos e o fortalecimento da atenção primária à saúde. Mais de 230 mil pessoas foram examinadas por meio de raios X portáteis, incluindo comunidades e populações de maior risco.
Mauricio Vera Soto, coordenador do Grupo de Gestão Integrada para Doenças Endemo-Epidêmicas do Ministério da Saúde e Proteção Social da Colômbia, descreveu uma abordagem integrada que abrange mais de 20 doenças transmissíveis e condições relacionadas, entre elas a doença de Chagas, o tracoma, a leishmaniose e a malária. Ele destacou os esforços para aproximar os serviços dos povos indígenas e de outras comunidades desassistidas por meio de modelos integrados de atenção e da cooperação transfronteiriça na bacia amazônica e em grandes centros urbanos.
Michael Darville, ministro da Saúde e Bem-Estar das Bahamas, enfatizou que a eliminação exige um compromisso sustentado durante muitos anos. O país investiu na capacitação dos profissionais de saúde, na capacidade laboratorial, na atenção primária à saúde e em sistemas digitais de monitoramento e notificação, aproveitando sua experiência na eliminação da transmissão vertical (materno-infantil) do HIV.
“A eliminação é um caminho de décadas”, afirmou Darville. “Requer tempo, capacitação, digitalização e investimento.” Ele também destacou a importância da vontade política e da cooperação entre diferentes setores do governo, ressaltando que os Ministérios da Saúde não podem alcançar a eliminação trabalhando de forma isolada.
Avançar por meio de investimentos catalíticos
A sessão também reuniu parceiros para o desenvolvimento e organizações mundiais de saúde para analisar como os investimentos podem acelerar os esforços liderados pelos países. Participantes descreveram investimentos estratégicos capazes de ajudar a introduzir e ampliar inovações, superar barreiras persistentes e desenvolver capacidades que beneficiem múltiplas doenças e prioridades de saúde.
Gillian Gillen, de Assuntos Globais do Canadá (Global Affairs Canada), citou como exemplo os investimentos na eliminação do tracoma. O país destinou 15 milhões de dólares canadenses para apoiar os esforços de eliminação do tracoma em dez países da Região, contribuindo para o fortalecimento da vigilância e para a ampliação do acesso a serviços em comunidades desatendidas.
“O que a torna catalítica é aquilo em que ela se transforma”, afirmou Gillen. Ela explicou que os países estão utilizando atualmente as plataformas estabelecidas para o tracoma para enfrentar a doença de Chagas, a malária e as doenças tropicais negligenciadas da pele, ao mesmo tempo em que oferecem serviços de saúde ocular e tratamentos preventivos, permitindo que um único investimento apoie múltiplas prioridades de saúde. Gillen também fez um chamado para ampliar a ação e o investimento a fim de acelerar a eliminação de doenças nas Américas.
Outros parceiros destacaram o papel da inovação e do fortalecimento dos sistemas de saúde. Victoria Tur Gómez, diretora da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID), ressaltou como os investimentos catalíticos podem fortalecer os sistemas de saúde, ampliar o acesso aos serviços e melhorar os sistemas de monitoramento, contribuindo para acelerar os resultados de saúde na Região.
Philippe Duneton, diretor executivo da Unitaid, apontou a ampliação do acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV e aos equipamentos portáteis de raios X digitais para tuberculose como exemplos de tecnologias capazes de aproximar a prevenção e o diagnóstico das comunidades.
Philip Welkhoff, diretor do Programa de Malária da Fundação Gates, destacou os avanços na eliminação da malária nas Américas e as oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias para acelerar o progresso, fortalecer os sistemas de saúde e reduzir as barreiras de acesso à atenção.
Por sua vez, John Vertefeuille, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, enfatizou que sistemas de vigilância, redes de laboratórios e profissionais de saúde capacitados necessários para a eliminação também fortalecem a capacidade dos países de detectar e responder a ameaças emergentes à saúde.
“As capacidades que tornam esse progresso possível não se limitam a uma única doença”, disse Vertefeuille. Acrescentou que o investimento contínuo nesses sistemas pode proteger as conquistas alcançadas na eliminação e, ao mesmo tempo, contribuir para uma Região mais saudável e segura.
Ao longo da sessão, participantes enfatizaram que a eliminação de doenças requer investimentos nacionais sustentados, aliados a parcerias estratégicas e financiamento catalítico. Ao direcionar recursos para intervenções comprovadas, reduzir lacunas persistentes e fortalecer capacidades que beneficiem múltiplas prioridades de saúde, os países podem acelerar o progresso rumo à eliminação e garantir que os avanços alcançados sejam mantidos ao longo do tempo.
