Em encontro promovido pela OPAS no Brasil, países das Américas e parceiros unem esforços para acelerar a prevenção do suicídio

Mesa de abertura do encontro regional de prevenção ao suicídio
OPAS/OMS/Karina Zambrana
Imagem

Brasília, 10 de setembro de 2026 - A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) reúne em Brasília, nos dias 9 e 10 de setembro, delegações do Brasil, Guiana, México, Suriname e Uruguai para avaliar o primeiro ano da Iniciativa Regional de Prevenção ao Suicídio e fortalecer a cooperação entre os países das Américas. A proposta é transformar evidências científicas em ações concretas, fortalecendo abordagens multissetoriais e centradas nas pessoas – além de criar um espaço para a troca de experiências, desafios e lições aprendidas.

O encontro conta com membros de Ministérios da Saúde e outras instituições governamentais, especialistas, sociedade civil e pessoas com experiência vivida, ampliando a diversidade de perspectivas no diálogo.

Na abertura, o representante da OPAS e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Cristian Morales, ressaltou que o problema afeta de forma desigual diferentes grupos populacionais e territórios. Segundo ele, a prevenção exige foco na equidade, no fortalecimento das redes de cuidado e na integração da saúde mental à atenção primária. “Especialmente diante da maior vulnerabilidade observada entre pessoas idosas, povos indígenas e populações rurais, entre outros grupos”, enumerou.

Para Marcelo Kimati, diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde do Brasil, a abordagem do suicídio precisa ser ampla, indo além do setor de saúde. “Precisamos pensar em uma totalidade de políticas públicas relacionadas à diminuição das desigualdades e das vulnerabilidades que estão na raiz desse problema”, afirmou.

Renato Souza, chefe da Unidade de Saúde Mental e Uso de Substâncias da sede da OPAS, lembrou que mais de 100 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano nas Américas. “Por trás de cada número existe uma pessoa, uma família, uma comunidade”, afirmou. “Nós lançamos a Iniciativa com um objetivo simples, mas ambicioso, que é acelerar a implementação de intervenções que sabemos que vão diminuir as taxas de suicídio nos países”, destacou.

O apoio da Fundação da OMS, por meio de doações aos países das Américas feitas por instituições internacionais como a Boehringer Ingelheim, tem contribuído para o desenvolvimento de ações no tema.

Lançada pela OPAS em setembro de 2025, a Iniciativa Regional de Prevenção ao Suicídio apoia os países no fortalecimento de políticas públicas, governança, vigilância, acesso aos serviços de saúde mental e ações de conscientização para reduzir o estigma associado ao tema.

Programação

Durante o evento regional, são abordados temas como determinantes sociais do suicídio; vigilância do suicídio e uso de dados para a ação; fomento de habilidades socioemocionais e apoio psicossocial; planos nacionais de prevenção ao suicídio e coordenação multisetorial; reportagem responsável, redução do estigma e conscientização pública; e o papel da sociedade civil na prevenção e pós-venção do suicídio. Ministram os painéis delegações do Brasil, México, Uruguai, Chile, Suriname e Guiana; Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Fundação Nacional de Pesquisa sobre Suicídio da University College Cork, Centro Colaborador da OMS para Vigilância e Pesquisa em Prevenção do Suicídio; Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (IASP); e outros parceiros estratégicos.

Entre os resultados esperados estão a consolidação de lições aprendidas, a formulação de recomendações regionais alinhadas aos pilares do guia VIVER A VIDA e a identificação de boas práticas que possam ser replicadas em outros países, fortalecendo o compromisso das Américas com uma prevenção do suicídio baseada em evidências e na ação integrada de diversos setores.

Suicide Prevention