Nova plataforma permitirá comparar dados de 24 países para identificar lacunas no diagnóstico, tratamento e atenção ao câncer infantil, além de orientar investimentos e políticas de saúde.
Washington, D.C., 25 de setembro de 2026 (OPAS) – A cada ano, cerca de 30 mil crianças e adolescentes menores de 19 anos são diagnosticados com câncer na América Latina e no Caribe, e quase 10 mil morrem em decorrência da doença. Embora muitos cânceres infantis possam ser curados se detectados e tratados a tempo, as taxas de sobrevivência na Região continuam desiguais, variando de cerca de 35% a 80%, devido a fatores como atrasos no diagnóstico, falta de atenção especializada e acesso limitado aos tratamentos.
Para ajudar os países a identificarem e enfrentarem essas lacunas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou nesta sexta-feira (25/9) o Observatório Regional de Câncer Infantil, uma ferramenta que permitirá monitorar avanços, comparar indicadores e utilizar dados padronizados para orientar políticas, investimentos e serviços destinados a melhorar a atenção a crianças e adolescentes com câncer.
O lançamento ocorreu no âmbito do Mês de Conscientização sobre o Câncer Infantil, uma oportunidade para dar visibilidade aos desafios enfrentados por crianças e adolescentes com câncer e promover ações para melhorar sua atenção e sobrevivência.
O Observatório reúne, pela primeira vez, informações comparáveis de 24 países sobre áreas-chave da atenção ao câncer infantil, entre elas o diagnóstico oportuno, a capacidade dos sistemas de saúde, a disponibilidade e cobertura de registros, o cuidado integral e os resultados em saúde.
Até agora, muitos desses dados eram coletados de maneira desigual entre os países, o que dificultava a identificação de lacunas e a comparação dos avanços em nível regional. A ferramenta permitirá identificar com maior precisão onde persistem os maiores desafios e orientar investimentos e políticas para melhorar a sobrevivência infantil.
“Para melhorar a atenção ao câncer infantil, precisamos saber o que está funcionando e onde persistem os desafios”, afirmou Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS/OMS. “O Observatório nos oferece um marco regional comum para acompanhar indicadores-chave e apoiar os países na tomada de decisões baseada em evidências”, acrescentou.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), com o apoio do St. Jude Children’s Research Hospital, lançou em 2018 a Iniciativa Global para o Câncer Infantil, que busca alcançar pelo menos 60% de sobrevivência para todas as crianças e adolescentes com câncer até 2030 e reduzir o sofrimento associado à doença.
Nas Américas, a OPAS trabalha com os países para implementar a iniciativa global por meio do CureAll Américas, um marco que orienta ações para fortalecer os serviços de câncer infantil, ampliar o acesso à atenção, melhorar o diagnóstico e o tratamento e monitorar avanços.
Da fase piloto à ferramenta regional
O desenvolvimento do Observatório começou em 2023, com a definição, validação e busca de consenso em torno de 27 indicadores para monitorar a atenção ao câncer infantil. A fase piloto trabalhou com seis países da sub-região andina para testar a metodologia, identificar fontes de informação e estabelecer um processo comum de revisão, harmonização e validação dos dados.
A partir dessa experiência, o trabalho foi ampliado para outros 18 países da América Latina e do Caribe, alcançando um total de 24 países. Em cada um deles, as autoridades nacionais, com o acompanhamento dos escritórios de país da OPAS/OMS, revisaram os indicadores priorizados, os dados disponíveis e suas respectivas fontes.
Esse processo permitiu identificar lacunas de informação e resolver questões metodológicas, ao mesmo tempo em que estabeleceu as bases para uma coleta de dados cada vez mais padronizada e comparável entre os países.
O desenvolvimento do Observatório contou com a colaboração técnica do St. Jude Global, parceiro-chave da Iniciativa Global para o Câncer Infantil nas Américas.
“Melhorar a sobrevivência ao câncer infantil exige saber o que está funcionando e onde ainda existem barreiras para uma atenção oportuna e de qualidade”, disse Carlos Rodríguez-Galindo, diretor do St. Jude Global. “Contar com dados melhores nos permite acompanhar os países nesse caminho e medir os avanços ao longo do tempo”, acrescentou.
Dados para subsidiar decisões
As informações serão atualizadas periodicamente por meio de um processo coordenado de coleta, revisão e validação técnica com as autoridades nacionais, os pontos focais de câncer infantil e os escritórios de país da OPAS/OMS.
O desenvolvimento do Observatório também contou com o acompanhamento técnico de especialistas e organizações regionais e internacionais, entre elas St. Jude Global, OMS, Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP), Sociedade Latino-Americana de Oncologia Pediátrica (SLAOP), Childhood Cancer International e Organismo Andino de Saúde – Convênio Hipólito Unanue (ORAS-CONHU). A fase inicial nos seis países da sub-região andina recebeu apoio do My Child Matters, da Foundation S.
A seleção e a definição dos indicadores também buscam manter um alinhamento progressivo com os marcos globais de monitoramento da Iniciativa Global para o Câncer Infantil, facilitando que os avanços dos países das Américas possam ser vinculados aos esforços internacionais para melhorar a sobrevivência e a qualidade da atenção ao câncer infantil.
