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COVID-19 destaca necessidade urgente de reiniciar esforço global para acabar com tuberculose

23 mar 2021

Genebra, 22 de março de 2021 – Estima-se que 1,4 milhão de pessoas receberam tratamento para tuberculose (TB) em 2020, de acordo com dados preliminares compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de mais de 80 países – uma redução de 21% em relação a 2019. Os países com os maiores as lacunas relacionadas foram a Indonésia (42%), África do Sul (41%), Filipinas (37%) e Índia (25%).

“Os efeitos da COVID-19 vão muito além da morte e da doença causadas pelo vírus. A interrupção dos serviços essenciais para pessoas com TB é apenas um exemplo trágico de como a pandemia está afetando desproporcionalmente algumas das pessoas mais pobres do mundo, que já corriam maior risco de TB”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Esses dados preocupantes apontam para a necessidade de os países fazerem da cobertura universal de saúde uma prioridade-chave enquanto respondem e se recuperam da pandemia para garantir o acesso a serviços essenciais para tuberculose e todas as doenças”.

Construir sistemas de saúde para que todos possam obter os serviços dos quais precisam é fundamental. Alguns países já tomaram medidas para mitigar o impacto da COVID-19 na prestação de serviços, fortalecendo o controle de infecções, expandindo o uso de tecnologias digitais para proporcionar aconselhamento e suporte remotos e fornecer prevenção e tratamento domiciliar da tuberculose.

Porém, muitas pessoas com TB não têm acesso aos cuidados dos quais precisam. A OMS teme que mais de meio milhão de pessoas possam ter morrido de tuberculose em 2020 simplesmente por não terem conseguido obter um diagnóstico.

Este não é um problema novo: antes da COVID-19 surgir, a diferença entre o número estimado de pessoas que desenvolvem tuberculose a cada ano e o número anual de pessoas oficialmente diagnosticadas era de cerca de 3 milhões. A pandemia agravou enormemente a situação.

Uma maneira de resolver isso é por meio de exames de TB restaurados e aprimorados para identificar rapidamente as pessoas com infecção ou doença. A nova orientação emitida pela OMS no Dia Mundial da Tuberculose visa ajudar os países a identificar as necessidades específicas das comunidades, as populações com maior risco da doença e os locais mais afetados para garantir que as pessoas tenham acesso aos serviços de prevenção e cuidados mais adequados. Isso pode ser alcançado por meio de um uso mais sistemático de abordagens de triagem que empregam novas ferramentas.

Isso inclui o uso de testes moleculares de diagnóstico rápido, o uso de detecção auxiliada por computador para interpretar a radiografia de tórax e o uso de uma gama mais ampla de abordagens para a triagem de TB em pessoas que vivem com HIV. As recomendações são acompanhadas de um guia operacional para facilitar a implementação.

Apenas isso não será suficiente. Em 2020, em seu relatório para a Assembleia Geral das Nações Unidas, o secretário-geral da ONU emitiu um conjunto de 10 recomendações prioritárias que os países devem seguir, incluindo a ativação de liderança de alto nível e ação em vários setores para reduzir urgentemente as mortes por tuberculose; aumentar o financiamento; avançar na cobertura universal de saúde para prevenção e atenção à TB; abordar a resistência aos medicamentos, promovendo os direitos humanos e intensificando a pesquisa sobre a doença.

E, criticamente, será vital reduzir as iniquidades em saúde.

“Durante séculos, as pessoas com tuberculose estão entre as mais marginalizadas e vulneráveis. A COVID-19 intensificou as disparidades nas condições de vida e capacidade de acesso aos serviços dentro e entre os países”, disse Tereza Kasaeva, diretora do Programa Global de TB da OMS. “Devemos agora fazer um esforço renovado para trabalhar juntos e garantir que os programas de TB sejam fortes o suficiente para qualquer emergência futura - e procurar maneiras inovadoras de fazer isso.”

Nota aos editores

O Dia Mundial da Tuberculose é comemorado em 24 de março de cada ano para aumentar a conscientização e a compreensão sobre um dos principais assassinos infecciosos do mundo e catalisar ações para enfrentar seu impacto devastador na saúde, social e econômico em todo o mundo.