Washington D.C., 4 de fevereiro de 2026 (OPAS) – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu um novo alerta epidemiológico sobre o sarampo na região das Américas, fazendo um chamado aos países para intensificar as atividades de vigilância epidemiológica, vacinação e resposta rápida diante de surtos, a fim de interromper a transmissão e proteger as populações vulneráveis.
O alerta, publicado nesta terça-feira (3/2), destaca a persistência de casos e surtos em vários países da região, em um contexto de aumento sustentado de casos ao longo de 2025 em comparação com os últimos cinco anos, tendência que parece continuar em 2026.
A OPAS recomenda fortalecer a vigilância e a busca ativa de casos, incluindo o diagnóstico laboratorial, implementar atividades complementares de vacinação para fechar lacunas de imunidade e garantir uma resposta oportuna diante de qualquer caso suspeito.
Situação epidemiológica na região
Em 2025, a região notificou 14.891 casos confirmados de sarampo, incluindo 29 óbitos, em 13 países: Argentina (36 casos), Belize (44 casos), Bolívia (597 casos), Brasil (38 casos), Canadá (5.436 casos, incluindo dois óbitos), Costa Rica (um caso), El Salvador (um caso), Estados Unidos (2.242 casos, incluindo três óbitos), Guatemala (um caso), México (6.428 casos, incluindo 24 óbitos), Paraguai (49 casos), Peru (cinco casos) e Uruguai (13 casos). Esse total representa um aumento de 32 vezes em relação aos 466 casos registrados em 2024.
Nas três primeiras semanas de 2026, foram confirmados 1.031 casos adicionais de sarampo em sete países — Bolívia (10), Canadá (67), Chile (um), Estados Unidos (171), Guatemala (41), México (740) e Uruguai (um) — sem óbitos notificados. Esse total representa um aumento de 43 vezes em comparação com os 23 casos notificados no mesmo período de 2025.
As evidências disponíveis indicam que, entre os casos confirmados com informações disponíveis, 78% não estavam vacinados e, em 11%, o antecedente vacinal era desconhecido. Embora a maior proporção de casos tenha sido registrada em adolescentes e adultos jovens, as taxas de incidência mais elevadas foram observadas em menores de um ano, seguidos por crianças de um a quatro anos e de cinco a nove anos, o que reforça a necessidade de garantir esquemas completos de vacinação e medidas adicionais de proteção em contextos de surto.
Em nível mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que, durante 2025, foram notificados mais de 552 mil casos suspeitos de sarampo em 179 países, dos quais cerca de 45% (247.623) foram confirmados, o que reflete um ressurgimento global da doença em um contexto de lacunas persistentes de imunidade.
Cobertura vacinal e lacunas de imunidade
As coberturas regionais com a vacina contra sarampo, rubéola e caxumba nas Américas apresentaram um leve aumento em 2024 em relação a 2023 (de 87% para 89% na primeira dose e de 76% para 79% na segunda), mas continuam abaixo dos 95% recomendados para evitar surtos. Apenas 33% dos países e territórios da região alcançaram 95% ou mais de cobertura com a primeira dose, e somente 20% atingiram essa meta com a segunda dose. Estima-se que 1,5 milhão de crianças não receberam nenhuma dose dessa vacina em 2024.
A OPAS destacou que o sarampo é altamente contagioso, mas prevenível por meio da vacinação oportuna com duas doses da vacina. Nos países com surtos ativos, reiterou a necessidade de intensificar a vacinação, a busca ativa de casos e a resposta rápida para interromper a transmissão.
Ao mesmo tempo, para todos os países da região, ressaltou a importância de fechar lacunas de imunidade, manter uma vigilância sensível e oportuna e proteger os viajantes por meio da vacinação, especialmente quando se dirigem a áreas com transmissão ativa.
No contexto da Copa do Mundo de Futebol de 2026 e de outros eventos de massa com alta mobilidade de pessoas, a OPAS recomenda que os países aumentem a sensibilidade de seus sistemas de vigilância por meio da implementação de buscas ativas, a fim de detectar oportunamente a ausência ou presença de casos de sarampo e rubéola.
A OPAS continuará monitorando a situação do sarampo e atualizará as recomendações de acordo com a evolução epidemiológica.
