OPAS emite alerta sobre circulação simultânea de influenza sazonal e vírus sincicial respiratório na região das Américas

Vacccinated patient gets a band aid
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Washington D.C., 10 de janeiro de 2026 (OPAS) – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) recomendou aos países das Américas que se mantenham vigilantes e fortaleçam a preparação dos serviços de saúde diante da circulação simultânea da influenza sazonal e do vírus sincicial respiratório (VSR), que pode gerar maior pressão sobre hospitais e unidades de saúde durante o restante da temporada de inverno no hemisfério norte.

O alerta epidemiológico atualiza o aviso emitido pela OPAS em 4 de dezembro de 2025, quando advertiu sobre uma possível temporada respiratória mais precoce ou mais intensa do que o habitual.

Em nível global, a circulação da influenza vem aumentando de forma sustentada desde outubro de 2025, com predomínio da influenza A(H3N2) e sinais de início precoce em vários países do hemisfério norte. Paralelamente, observam-se sinais de aumento progressivo da circulação do VSR.

Nas Américas, a positividade para influenza se mantém acima de 10% no hemisfério norte, com incrementos sustentados na América do Norte e na América Central, e níveis próximos de 20% no Caribe, onde predomina a circulação da influenza A(H3N2).

A revisão de dados de países selecionados (Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Espanha) mostra que, no hemisfério norte, a temporada de influenza teve início de forma precoce e rápida, com aumento das consultas ambulatoriais (especialmente na população pediátrica) e de hospitalizações, principalmente entre pessoas idosas.

Embora os padrões sejam compatíveis com uma dinâmica sazonal e a gravidade se mantenha comparável à de temporadas anteriores, sem excesso de mortalidade observado até o momento, em alguns países os níveis de atividade — incluindo a detecção de influenza e o atendimento na atenção primária por síndrome gripal — superam os registrados em temporadas recentes.

Nesse contexto, o aumento progressivo da circulação do VSR pode ampliar a pressão sobre os sistemas de saúde, razão pela qual é necessário um acompanhamento próximo e contínuo da situação, a fim de ajustar oportunamente os planos de resposta dos serviços de saúde.

“A circulação simultânea de influenza e VSR é um desafio que exige que priorizemos a vacinação — que protege contra os casos graves que podem requerer hospitalização — e mantenhamos uma vigilância próxima que permita agir a tempo para prevenir surtos maiores e evitar a sobrecarga dos hospitais”, explicou o doutor Marc Rondy, assessor regional em epidemiologia de doenças com potencial epidêmico e pandêmico da OPAS.

A OPAS ressalta que os resultados de estudos interinos mostram que as vacinas atuais contra a influenza são eficazes para prevenir hospitalizações (com efetividade de 30%–40% em adultos e de até 75% em crianças), e por isso chama os países a alcançarem altas coberturas vacinais, especialmente em grupos prioritários como crianças, gestantes, pessoas idosas e aquelas com doenças crônicas.

Diante desse cenário, a OPAS chama os países da região a:

  • Fortalecerem a vigilância integrada de influenza, VSR, SARS-CoV-2 e outros vírus respiratórios, e reportar semanalmente os dados às plataformas FluNET e FluID para contribuir com o monitoramento regional e global.
  • Prepararem e ajustarem os planos de resposta dos serviços de saúde diante de possíveis aumentos simultâneos de casos e hospitalizações por influenza e VSR.
  • Priorizarem a vacinação contra a influenza e a COVID-19 em grupos de risco, incluindo pessoas idosas, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores da saúde.
  • Implementarem estratégias de prevenção do VSR, incluindo o uso de vacinas maternas e anticorpos monoclonais de ação prolongada em recém-nascidos e lactentes, de acordo com as recomendações da OPAS/OMS.
  • Reforçarem a comunicação de riscos, promovendo práticas preventivas essenciais.

A OPAS lembra à população que se vacinar contra a influenza, lavar as mãos com frequência, cobrir a boca ao tossir ou espirrar, usar máscara em locais fechados se apresentar sintomas, além de permanecer em casa em caso de febre ou sintomas respiratórios para evitar transmitir a doença a outras pessoas e buscar atendimento médico precoce diante de sintomas graves, são medidas simples e eficazes para proteger a si mesmos e suas famílias, especialmente crianças e pessoas idosas.