Na Região, 24 países adotaram o esquema de dose única da vacina contra o HPV, mas são necessários mais esforços para ampliar o rastreamento e o tratamento.
Washington D.C., 3 de fevereiro de 2026 (OPAS) – Neste Dia Mundial Contra o Câncer celebrado em 4 de fevereiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) chamou os países a acelerarem os esforços para alcançar as metas de eliminação do câncer do colo do útero até 2030 nas Américas, alertando que, com apenas cinco anos restantes, o ritmo atual coloca em risco o cumprimento dos objetivos, apesar dos avanços na vacinação.
Todos os anos, mais de 78 mil mulheres são diagnosticadas com câncer do colo do útero nas Américas, e mais de 40 mil morrem em decorrência da doença. Oitenta e três por cento dessas mortes ocorrem na América Latina e no Caribe, onde as taxas de mortalidade são três vezes mais altas do que na América do Norte. Esses números refletem profundas desigualdades no acesso à prevenção, à detecção precoce e aos serviços de tratamento oportuno.
O câncer do colo do útero é uma das mais de 30 doenças e condições relacionadas que a OPAS busca eliminar como parte de sua Iniciativa de Eliminação de Doenças. Para alcançar esse objetivo, os países devem cumprir três metas até 2030: atingir 90% de cobertura da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) entre meninas antes dos 15 anos; rastrear 70% das mulheres com testes de alto desempenho aos 35 e aos 45 anos; e garantir que 90% das mulheres com lesões pré-cancerosas ou câncer invasivo recebam tratamento.
“Progressos importantes já estão sendo observados na Região”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, em uma mensagem em vídeo. “A vacina contra o HPV está disponível em 49 dos 51 países e territórios das Américas, o que representa uma cobertura programática de 70% para a primeira dose da vacina entre as mulheres da região. Além disso, 24 países e territórios adotaram o esquema de dose única, o que aumenta significativamente a cobertura”, acrescentou.
Persistem desafios, especialmente nas áreas de rastreamento e tratamento. Embora 14 países tenham introduzido o teste de HPV como parte de seus programas de rastreamento, a cobertura permanece baixa e a disponibilidade de dados ainda é limitada. Lacunas significativas também existem no tratamento, já que apenas 18 países informam dispor de serviços de radioterapia.
Se as tendências atuais continuarem, as mortes por câncer do colo do útero nas Américas deverão ultrapassar 46,2 mil até 2030, o que ressalta a urgência de acelerar a implementação de intervenções custo-efetivas que já estão disponíveis.
Para acelerar o progresso rumo à eliminação, a OPAS presta cooperação técnica aos países na elaboração de planos nacionais de atenção integral ao câncer do colo do útero. Por meio dos Fundos Rotatórios Regionais, os Estados Membros podem adquirir vacinas contra o HPV e testes de rastreamento, colposcópios, dispositivos de ablação térmica e equipamentos eletrocirúrgicos a preços acessíveis. A integração dessas tecnologias à atenção primária à saúde ajuda a reduzir lacunas e garante que todas as mulheres, independentemente de onde vivam, tenham acesso a serviços que salvam vidas
A OPAS também trabalha com parceiros estratégicos para fortalecer a resposta. A colaboração com a Unitaid e com a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) busca reforçar a prevenção, a detecção e a atenção ao câncer do colo do útero nas Américas.
