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OMS destaca progresso na aceleração do acesso ao diagnóstico e tratamento da hepatite C em países de baixa e média renda

27 jan 2021

Genebra, 27 de janeiro de 2021 – Muitos países de baixa e renda reduziram o sofrimento causado pela hepatite C graças a um maior acesso a testes e tratamento. Alguns alcançaram um aumento de 20 vezes no número de pessoas tratadas com medicamentos antivirais de ação direta seguros e eficazes entre 2015 e 2018, de acordo com o relatório de progresso global sobre a aceleração do acesso ao diagnóstico e tratamento da doença divulgado nesta quarta-feira (27) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Queda nos preços sustenta sucesso

Os países de baixa e média renda agora gastam um valor mais baixo, US$ 60 por paciente para um curso de tratamento de 12 semanas com sofosbuvir genérico pré-qualificado pela OMS e daclatasvir. Os valores oferecidos pelos fornecedores de testes de diagnóstico rápido para hepatite C pré-qualificados pela OMS variaram entre US$ 1 e US$ 8 a unidade.

Até 2018, mais de 120 países haviam adotado uma estratégia nacional de hepatites virais, em contraponto com 20 países em 2012. A aceleração ocorreu a partir da adoção da primeira Estratégia Global do Setor de Saúde para Hepatites Virais 2016-2021, desenhada pela OMS, com vários países fazendo progressos impressionantes para aumentar o compromisso do governo, elaborar planos estratégicos nacionais, simplificar as diretrizes, bem como aumentar a disponibilidade de diagnósticos e opções de tratamento mais baratos e com qualidade garantida.

Apesar dos desafios impostos pela pandemia de COVID-19, o progresso alcançado até o momento é impressionante, mas frágil, e o acesso aos testes e tratamento da hepatite C não atingiu níveis de cobertura suficientes para atingir a meta global de eliminação das hepatites virais como um importante ameaça à saúde pública até 2030. Globalmente, no final de 2017, apenas 5 milhões (7%) das 71 (62–79) milhões de pessoas com infecção crônica por hepatite C tinham recebido tratamento cumulativo com antivirais de ação direta.

“À medida que os países continuam a enfrentar a carga da doença e as interrupções nos serviços causadas pela pandemia de COVID-19, é fundamental garantir que o recente ímpeto e os ganhos na resposta à hepatite C não sejam perdidos”, afirmou disse Minghui Ren, diretor-geral adjunto da OMS para Cobertura Universal de Saúde para Doenças Transmissíveis e Não Transmissíveis. “Os esforços globais para ampliar o acesso a intervenções de alto impacto para a hepatite C devem ser sustentados e acelerados na próxima década como parte de esforços mais amplos para a cobertura universal de saúde.”

“As fontes de antivirais e diagnósticos de ação direta genéricos com garantia de qualidade estão aumentando constantemente e os preços continuam caindo”, disse Mariangela Simão, diretora-geral assistente de Acesso a Medicamentos e Produtos de Saúde da OMS. “Mesmo assim, muitos países não estão acessando esses preços baixos. Maior transparência de mercado, juntamente com orientação e compartilhamento de experiências de todo o mundo, dão exemplos práticos para países e comunidades para expandir o acesso e enfrentar as barreiras persistentes”.

Apesar das recentes quedas de preços, a disponibilidade e acessibilidade de diagnósticos continuam sendo uma grande barreira para o aumento do tratamento em países de baixa e média renda. Será vital expandir o acesso a diagnósticos in vitro de hepatite C simples, acessíveis e de qualidade garantida para que os países possam testar um grande número de pessoas, identificar pacientes que precisam de tratamento e fornecer cuidados adequados.

“Acelerar o acesso universal aos testes de diagnóstico de hepatite e analisadores de diagnóstico de múltiplas doenças que podem ser usados no ponto de atendimento ou próximo a ele é essencial”, declarou Meg Doherty, diretora do Departamento de Programas Globais de HIV, Hepatites e IST da OMS. “Continuaremos trabalhando com governos, parceiros técnicos, sociedade civil e especialistas mundiais para promover a descentralização, compartilhamento de tarefas, simplificações e integração de serviços de rastreamento e diagnóstico com a infraestrutura existente nos países.”