Países amazônicos reforçam cooperação para enfrentar enfermidades zoonóticas emergentes

Trabajador de salud
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Brasília, Brasil, 7 de novembro de 2025 (OPAS) — Nove países da região amazônica e do Istmo do Darién acordaram novas ações para fortalecer a segurança sanitária regional, melhorando a vigilância, a preparação e a resposta às zoonoses emergentes — aquelas que podem ser transmitidas de animais para humanos —, consolidando a cooperação regional sob a abordagem de Uma Só Saúde.

Durante a quarta reunião técnica da Rede Amazônica-Darién para Zoonoses Emergentes com Potencial Epidêmico (RADE), coordenada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e realizada em outubro em Macapá, Brasil, representantes dos Ministérios da Saúde, Agricultura e Meio ambiente da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru, Suriname e Venezuela, juntamente com parceiros nacionais e internacionais, definiram as diretrizes do futuro Plano de Ação RADE 2026-2028, que orientará os esforços conjuntos de preparação, sistemas de vigilância, laboratório, modelagem e inteligência epidemiológica.

Reunião de grupo

A reunião também marcou o lançamento oficial da RADE, uma plataforma de cooperação técnica que busca antecipar e conter ameaças zoonóticas antes que se transformem em emergências de saúde pública. No âmbito da primeira assembleia geral da Rede, foram ratificados seu estatuto e estrutura de governança, consolidando um espaço permanente de articulação entre os setores de saúde humana, animal e ambiental.

“Fortalecer a vigilância integrada na Amazônia e no Darién não apenas protege os países da América do Sul e do istmo mesoamericano, mas também reforça a segurança sanitária regional diante de futuras epidemias e pandemias”, destacou Sylvain Aldighieri, diretor de Prevenção, Controle e Eliminação de Doenças Transmissíveis da OPAS.

Além disso, foram criados grupos técnicos de trabalho em quatro áreas prioritárias — laboratório, vigilância, preparação e inteligência e modelagem —, juntamente com três eixos transversais centrados na coordenação intersetorial e internacional, na comunicação de riscos e no fortalecimento de capacidades.

A RADE também impulsionará a pesquisa aplicada, o intercâmbio técnico entre laboratórios e a capacitação conjunta de profissionais nos nove países membros, promovendo o aprendizado mútuo e o fortalecimento das capacidades nacionais.

“A RADE se consolida como um mecanismo único de cooperação transnacional e intersetorial, articulando o intercâmbio de experiências para a detecção oportuna e a resposta a patógenos emergentes entre os nove países membros”, destacou Alexander Rosewell, assessor em Emergências Sanitárias da OPAS no Brasil, que atua como Secretariado Técnico da Rede.

A realização desta reunião contou com o apoio do projeto multinacional Otimização da Resposta à Pandemia por meio do Envolvimento das Comunidades e Territórios na América do Sul (PROTECT), financiado pelo Fundo Pandêmico e implementado pela OPAS e pelo Banco Mundial. O projeto busca fortalecer a prevenção, preparação e resposta a ameaças zoonóticas emergentes e reemergentes na América Latina e no Caribe. 

A Rede Amazônica-Darién consolida-se assim como um mecanismo estratégico para melhorar a segurança sanitária regional, integrando conhecimentos e capacidades frente às zoonoses emergentes que representam uma das principais ameaças à saúde e ao desenvolvimento sustentável na América Latina.