Diretor da OPAS pediu ampliação do acesso a inovações como a PrEP oral e injetável, os testes rápidos e a autotestagem para o HIV, bem como o fortalecimento do diagnóstico precoce e do início oportuno do tratamento para avançar rumo à eliminação do HIV.
Rio de Janeiro, 27 de julho de 2026 (OPAS) – A região das Américas dispõe atualmente de mais ferramentas do que nunca para prevenir, diagnosticar e tratar o HIV, mas muitas delas ainda não chegam a todas as pessoas que necessitam, afirmou o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, durante a abertura da Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026).
Barbosa destacou que ampliar o acesso a inovações como a profilaxia pré-exposição (PrEP) oral e injetável de longa duração, os testes rápidos e a autotestagem para o HIV, juntamente com a ampliação do diagnóstico precoce e a garantia do início oportuno do tratamento, será fundamental para acelerar a eliminação do HIV como problema de saúde pública na região.
Em sua intervenção, Barbosa ressaltou que as Américas demonstraram ser possível alcançar metas ambiciosas de saúde pública por meio da cooperação, de evidências científicas e de sistemas de saúde robustos. Lembrou que a região eliminou a poliomielite e a rubéola, e que diversos países eliminaram a transmissão vertical do HIV (de mãe para filho), experiências que oferecem uma base sólida para acelerar a eliminação do HIV como problema de saúde pública.
Também enfatizou que alcançar essa meta exigirá combinar inovações em prevenção, diagnóstico e tratamento com liderança política, equidade e estreita colaboração com as comunidades.
O diretor da OPAS acrescentou que os países da América Latina e do Caribe atualmente financiam 92% dos investimentos em HIV com recursos nacionais, demonstrando o compromisso sustentado da região com a resposta à epidemia e um dos mais altos níveis de financiamento interno do mundo.
“A pergunta já não é se temos as ferramentas para acabar com o HIV como problema de saúde pública. Nós as temos. A pergunta é se conseguimos garantir que elas cheguem a todas as pessoas que delas necessitam, independentemente de onde vivam, de quem sejam ou das circunstâncias que enfrentam”, afirmou Barbosa. “A inovação só transforma vidas quando as pessoas podem acessá-la.”
Segundo os dados mais recentes disponíveis, as mortes relacionadas à AIDS na América Latina e no Caribe diminuíram 46% entre 2010 e 2025. Em 2024, o acesso ao tratamento antirretroviral evitou 117 mil mortes relacionadas à AIDS. Além disso, o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP) aumentou de 35 mil pessoas em 2020 para mais de 326 mil em 2025.
Apesar desses avanços, persistem importantes lacunas de acesso e cobertura. Aproximadamente um em cada três novos diagnósticos de HIV continua sendo realizado tardiamente e cerca de 900 mil pessoas que vivem com HIV na América Latina e no Caribe ainda não recebem tratamento.
A redução da mortalidade relacionada ao HIV e a atenção à doença avançada pelo HIV serão dois dos principais eixos da participação da Organização na AIDS 2026. Embora as ferramentas para prevenir e tratar a infecção tenham melhorado substancialmente, os diagnósticos tardios, o início tardio do tratamento e as dificuldades para manter as pessoas vinculadas aos serviços de saúde continuam contribuindo para mortes evitáveis e para a carga de coinfecções, como a tuberculose, que permanece como a principal causa de morte entre pessoas com doença avançada pelo HIV.
Nesse contexto, a Organização apresentou novas iniciativas para acelerar a eliminação do HIV na região.
Como parte de sua agenda na AIDS 2026, a OPAS apresentou a Aliança pela Eliminação do HIV nas Américas, uma nova plataforma regional destinada a avançar rumo à eliminação do HIV até 2030 por meio de uma maior cooperação entre governos, comunidades, organismos internacionais, academia, parceiros para o desenvolvimento e setor privado.
A Aliança faz parte da Iniciativa de Eliminação de Doenças da OPAS e busca fortalecer a liderança política, ampliar o acesso equitativo à inovação e promover investimentos sustentáveis para acelerar a eliminação do HIV em toda a região.
Além disso, a OPAS está promovendo o “Caminho à Eliminação do HIV nas Américas”, uma estrutura baseada em evidências que ajudará os países a medir avanços, identificar lacunas e demonstrar seu progresso rumo à eliminação do HIV.
“Se mantivermos o compromisso político, protegermos os investimentos realizados e colocarmos a equidade no centro de cada decisão, acabar com o HIV como problema de saúde pública estará ao nosso alcance”, afirmou Barbosa. “Nenhum país alcançará essa meta sozinho.”
O diretor da OPAS alertou que as pressões financeiras, as mudanças nas prioridades políticas e as persistentes desigualdades podem colocar em risco os avanços alcançados.
Reiterou que atingir essa meta exigirá fortalecer sistemas de saúde centrados nas pessoas, ampliar o acesso à PrEP e a outras inovações, integrar os serviços relacionados ao HIV, à tuberculose, às hepatites virais e às infecções sexualmente transmissíveis, trabalhar em conjunto com as comunidades para reduzir o estigma e a discriminação e manter o investimento nacional que tem permitido à região avançar de forma sustentada.
Durante a Conferência, a OPAS promoverá essas prioridades por meio de uma série de eventos de alto nível dedicados à eliminação do HIV, à doença avançada pelo HIV e ao acesso equitativo às inovações para prevenção, diagnóstico e tratamento.
