OPAS reúne países das Américas e parceiros para fortalecer resposta à violência contra crianças e adolescentes se preparar para conferência mundial

Foto de participantes do evento
OPAS/OMS/Karina Zambrana
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Brasília, 22 de setembro de 2026 – Delegações dos Ministérios da Saúde de 11 países das Américas, além de Ministérios de outros setores e instituições parceiras, se reuniram em Brasília nos dias 21 e 22 de setembro para fortalecer o diálogo regional multissetorial e preparar conjuntamente a participação da Região na Segunda Conferência Ministerial Mundial sobre Violência contra Crianças e Adolescentes, a ser realizada em novembro deste ano em Manila, Filipinas.

Promovida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a reunião regional contou com a participação presencial dos Ministérios da Saúde do Brasil, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Jamaica, México, República Dominicana, Santa Lúcia e Uruguai. Além disso, participaram o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania e o Ministério das Relações Exteriores, bem como Centros Colaboradores da Organização Mundial da Saúde (OMS) para prevenção da violência no Brasil, Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, Youth & Survivor Summit e UNICEF.

Na abertura do evento, o representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Morales, destacou a dimensão do problema da violência, que afeta uma de cada duas crianças e adolescentes na Região a cada ano. “A violência contra crianças e adolescentes pode e deve ser prevenida. Isso requer enfoque multisetorial que aborde determinantes de violência e o setor saúde desempenha papel estratégico para detecção precoce de situações de violência e acompanhamento, oferta de serviços de atenção integral, apoio a pessoas sobreviventes, encaminhamento oportuno aos serviços de proteção e resposta de outros setores, além de integrar intervenções preventivas para promoção da saúde e bem-estar de crianças e adolescentes”, pontuou.

Olívia de Medeiros, diretora do Departamento de Gestão do Cuidado Integral da Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde do Brasil, enfatizou que abordar esse tema é falar sobre direitos humanos, proteção integral e responsabilidade compartilhada e sublinhou a importância do envolvimento de todos os setores em um problema social complexo. Ressaltou ainda a relevância da atenção primária à saúde no combate à violência contra crianças e adolescentes. “O SUS está presente em todos os municípios e territórios do Brasil, com a oportunidade privilegiada de acompanhar crianças, adolescentes e suas famílias ao longo do tempo. A atenção primária pode reconhecer fatores de risco, sinais de violência, desenvolver ações de promoção e prevenção, acolher situações e principalmente, notificar e acompanhar esses casos.”

A secretaria adjunta de Saúde Indígena do Ministério da Saúde do Brasil, Putira Sacuena, enfatizou a necessidade de abordagens culturalmente adequadas aos povos indígenas. "É fundamental que as estratégias sejam construídas com a participação indígena, respeitando os conhecimentos, os vínculos e as realidades de cada comunidade. A criança indígena, adolescente indígena, é, antes de tudo, sujeito de direitos."

Segundo Ana Cecília Colares, diplomata da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, o Brasil assumiu compromissos robustos na primeira conferência, em Bogotá, que estão sendo traduzidos em ações concretas desde 2024. “Nas Filipinas, pretendemos mostrar o que vem sendo feito nesses últimos anos e assumir novos compromissos para erradicar a violência contra crianças até 2030”, afirmou, ressaltando que a agenda da infância continua sendo uma pauta prioritária para o governo.

Participantes compartilharam os avanços de seus países, lições aprendidas e desafios atuais na resposta dos sistemas de saúde à violência contra crianças e adolescentes em sessões plenárias e sessões de trabalho em grupo. Ao fim do evento, os participantes elaboraram recomendações sobre como continuar fortalecendo a resposta do setor da saúde à violência contra crianças e adolescentes na Região das Américas, em preparação para a Segunda Conferência Ministerial Mundial sobre Violência contra Crianças e Adolescentes.