Brasil solicita validação de eliminação da transmissão vertical da hepatite B

r. Jarbas Barbosa received form President Lula and Minister Padilha the dossier requesting the certification of the elimination of mother-to-child transmission of hepatitis B as a public health problem.blem.

O pedido, apresentado no Dia Mundial Contra as Hepatites Virais, inicia um processo de avaliação internacional que poderá tornar o Brasil um dos primeiros países da região das Américas a validar essa conquista em saúde pública.

Rio de Janeiro, 29 de julho de 2026 (OPAS) – O Brasil apresentou à Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) o dossiê para solicitar a validação de eliminação da transmissão vertical (materno-infantil) da hepatite B como problema de saúde pública, um passo que poderá tornar o país um dos primeiros da região das Américas a validar oficialmente esse marco.

A entrega ocorreu em 28 de julho, durante uma cerimônia conduzida pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva; pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha; pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus; e pelo diretor da OPAS, Jarbas Barbosa.

A apresentação do dossiê coincidiu com a comemoração do Dia Mundial Contra as Hepatites Virais, realizada no âmbito da Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), em um evento organizado pelo Governo do Brasil e pela OMS sob o lema “Hepatites: vamos derrubar as barreiras”.

O Brasil informou que cumpriu, por dois anos consecutivos, os critérios internacionais necessários para solicitar a validação de eliminação da transmissão vertical (materno-infantil) da hepatite B. Entre eles, estão uma prevalência estimada de infecção ativa pelo vírus em crianças menores de cinco anos abaixo da meta de 0,1%, bem como coberturas superiores a 95% na atenção pré-natal e acima de 90% na vacinação neonatal contra a hepatite B.

“A Região das Américas demonstrou que é possível proteger as novas gerações contra a hepatite B por meio da vacinação, de serviços sólidos de saúde materno-infantil e de um compromisso sustentado dos países”, afirmou Jarbas Barbosa, diretor da OPAS. “O Brasil está bem posicionado para avançar rumo a essa validação e sua experiência pode servir de inspiração para outros países da região.”

A solicitação será inicialmente avaliada pela OPAS, revisada por um comitê independente de especialistas e, posteriormente, analisada pelo Comitê Mundial de Validação da OMS, responsável por determinar se os países cumprem os critérios estabelecidos para a validação.

A validação da eliminação da transmissão vertical faz parte de um esforço mundial para interromper infecções evitáveis de mães para filhos.

A hepatite B é uma infecção viral que afeta o fígado e pode causar doença crônica, cirrose e câncer hepático. Quando a infecção ocorre nos primeiros anos de vida, o risco de desenvolver uma infecção crônica é muito maior.

Nas Américas, a OPAS ampliou essa abordagem em 2017 por meio da iniciativa ETMI Plus, incorporando também a hepatite B e a doença de Chagas aos esforços regionais de eliminação de doenças que podem ser transmitidas de mãe para filho.

Posteriormente, a OMS integrou formalmente a hepatite B aos critérios globais de validação da transmissão materno-infantil, no âmbito da estratégia de “tripla eliminação” vertical do HIV, sífilis e hepatite B. Para obter a validação, os países devem demonstrar que a infecção foi reduzida a níveis extremamente baixos entre crianças pequenas e manter elevadas coberturas de vacinação e de atenção pré-natal.

Em dezembro de 2025, o Brasil foi validado pela OMS pela eliminação da transmissão vertical do HIV, tornando-se o maior país do mundo a alcançar esse resultado. O país busca agora avançar na eliminação de outras infecções transmitidas de mãe para filho, incluindo a hepatite B, como parte de uma estratégia mais ampla de saúde pública.

Avanços regionais rumo à eliminação

Durante a comemoração do Dia Mundial Contra as Hepatites Virais, Barbosa destacou que a Região das Américas alcançou avanços importantes na redução da hepatite B na infância graças a décadas de investimento em imunização e ao fortalecimento dos serviços de saúde materno-infantil.

Ele também ressaltou que as Ilhas Turcas e Caicos se tornaram recentemente o primeiro território das Américas validado pela OMS pela eliminação da transmissão vertical da hepatite B, uma conquista que demonstra ser possível avançar rumo a novas metas de eliminação aproveitando os progressos já alcançados no enfrentamento do HIV e da sífilis.

“Hoje, a prevalência da hepatite B entre crianças menores de cinco anos nas Américas está muito abaixo das metas estabelecidas para 2030”, afirmou. “No entanto, nosso trabalho está longe de terminar. Cerca de 10 milhões de pessoas na região ainda vivem com hepatite B ou hepatite C, e muitas continuam sem diagnóstico, tratamento ou acesso oportuno a serviços de qualidade.”

O diretor da OPAS destacou ainda que as experiências da resposta ao HIV demonstram que a combinação de evidências científicas, liderança política, participação comunitária e investimento sustentado pode se traduzir em avanços concretos rumo à eliminação de doenças.

“Brasil, México, Colômbia, Chile, Guiana e outros países estão ampliando o acesso aos testes e tratamento, aproximando os serviços das comunidades e integrando a atenção às hepatites na atenção primária à saúde”, afirmou Barbosa.

Segundo dados da OPAS, entre 2018 e 2025 os países da região adquiriram mais de 574 milhões de dólares em vacinas, diagnósticos e medicamentos relacionados às hepatites por meio dos mecanismos de compras conjuntas da Organização, o que contribuiu para ampliar o acesso a tecnologias essenciais para prevenção e tratamento.

A OPAS trabalha com os países das Américas para eliminar mais de 30 doenças transmissíveis e condições relacionadas até 2030 por meio de sua Iniciativa de Eliminação. A eliminação da transmissão vertical do HIV, da sífilis, da hepatite B e da doença de Chagas faz parte desse esforço regional para garantir que as futuras gerações nasçam livres de infecções preveníveis.