Washington, D.C., 26 de fevereiro de 2026 (OPAS) — No mais recente episódio do podcast Hablemos de Salud, o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, apresentou um balanço de seus primeiros três anos de gestão e analisou os principais avanços e desafios em saúde enfrentados pela região das Américas no início de 2026.
“É um balanço muito positivo, apesar dos desafios”, afirmou Barbosa, destacando avanços no fortalecimento das capacidades de prevenção, detecção e resposta a emergências de saúde pública, incluindo a consolidação de uma rede regional de vigilância genômica com a participação de 30 países.
O diretor da OPAS também ressaltou a parceria com o Banco Mundial e o BID para renovar a atenção primária à saúde, à qual vários países da região já aderiram, assim como os progressos na Iniciativa de Eliminação, com certificações recentes de interrupção da transmissão vertical do HIV em vários países, incluindo o Brasil, e da eliminação da malária no Suriname, o primeiro país da Amazônia a alcançá-la.
No entanto, Barbosa advertiu que o panorama epidemiológico continua complexo. Persistem surtos de doenças transmissíveis como sarampo, dengue e chikungunya, enquanto as doenças crônicas não transmissíveis continuam sendo responsáveis por 80% das mortes na região. “Cerca de 34% dessas mortes poderiam ser prevenidas se fortalecermos a capacidade resolutiva da atenção primária para diagnosticar e controlar condições como hipertensão e diabetes”, destacou.
Barbosa também apontou a lacuna crescente entre a expectativa de vida e os anos vividos com saúde, os desafios na mortalidade materna e na saúde mental, a necessidade de maior financiamento para a saúde pública e um déficit projetado de entre 600 mil e um milhão de trabalhadores da saúde até 2030, com problemas de distribuição e capacitação, especialmente em áreas rurais e no Caribe.
“Um grande desafio é acrescentar mais anos saudáveis aos anos que estamos ganhando em expectativa de vida”, afirmou.
Para enfrentar esse cenário, o diretor da OPAS destacou três prioridades estratégicas:
- Preparação sólida para emergências, com vigilância permanente e resposta regional coordenada para a segurança sanitária.
- Sistemas de saúde resilientes, com atenção primária forte, integrada e resolutiva, e financiamento público ideal de pelo menos 6% do PIB, frente aos atuais 4,3%.
- Governança efetiva dos Ministérios da Saúde nas funções essenciais de saúde pública.
O diretor da OPAS também abordou os avanços na produção regional de vacinas e medicamentos — fundamentais para reduzir vulnerabilidades diante de futuras emergências —, o uso ético da inteligência artificial na telessaúde e a capacitação de profissionais de saúde sobre dengue por meio do Campus Virtual da OPAS, o que contribuiu para reduzir significativamente a mortalidade.
Também se referiu ao impacto da redução de recursos da cooperação internacional, que, segundo destacou, exige adaptação sem comprometer as prioridades sanitárias.
O episódio completo está disponível no canal da OPAS no YouTube e nas plataformas de podcast.
