Estado brasileiro de Pernambuco e OPAS lançam programa para prevenir e tratar câncer de colo de útero

Imagem do Programa Útero é Vida

Recife, 16 de dezembro de 2021 – O Governo do Estado de Pernambuco lançou, nesta quarta-feira (15), um programa em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) para prevenir e tratar o câncer de colo do útero. 

A iniciativa faz parte das ações previstas no termo de cooperação técnica firmado em 2019 entre as autoridades estaduais e o organismo internacional para apoiar a qualificação do modelo local de atenção à saúde.

“O Programa Útero é Vida vai ao encontro do que nós precisamos neste momento, que é a melhoria da saúde pública da nossa população. E nós preparamos a nossa rede, compramos equipamentos, temos uma consultoria técnica junto com a OPAS, qualificamos as nossas equipes e agora temos condições de ir a campo junto com os municípios para fazer todo um diagnóstico, os exames, e encontrar as mulheres que precisam da prevenção”, destacou o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.

Dentro dessa cooperação técnica, será feito rastreamento e acompanhamento de 80 mil mulheres moradoras do município de Recife e de outras oito cidades do estado – Amaraji, Barreiros, Cortês, Lagoa dos Gatos, Ribeirão, Primavera, São Benedito do Sul e Tamandaré. Posteriormente, o programa será expandido para todas as regiões de Pernambuco e tem o potencial de ser implementado em outras localidades. 

O câncer do colo do útero é o quarto tipo mais comum entre as mulheres no mundo, causando 570 mil novos casos em 2018 e sendo responsável por 311 mil mortes no mesmo ano. No Brasil, é o terceiro tipo de câncer mais frequente e a quarta causa de morte por câncer entre as mulheres. 
  
André Longo, secretário Estadual de Saúde, destacou que, caso descoberto em estágio inicial, essa doença é totalmente curável. “Em Pernambuco, temos indicadores e números insatisfatórios, com uma pernambucana morta a cada dia. Existe uma grande necessidade do exame de rastreamento”, disse. 
  
O subdiretor da OPAS, Jarbas Barbosa, lembrou que, para as gerações futuras, a vacina contra HPV – disponibilizada no Brasil para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 10 a 14 anos – previne o câncer de colo de útero, mas as mulheres de outras faixas etárias precisam de diagnóstico precoce e tratamento imediato para que a doença seja adequadamente curada. 
  
“Quando a gente olha os números do câncer de colo de útero, o Brasil há dez anos está praticamente parado, porque com a tecnologia atual a mulher precisa ir 12, 13, 14 vezes fazer um exame, outro exame, buscar um tratamento. Isso para as populações mais pobres, da área rural, da periferia das grandes cidades, às vezes é uma barreira que impede que ela tenha acesso”, afirmou Barbosa. 
 
A inovação do novo programa para resolver esse problema está no desenvolvimento e disponibilização de testes de HPV de baixo custo, com tecnologia nacional, e que tem o potencial de agilizar o diagnóstico e tratamento em possíveis casos de câncer. Com essa e outras estratégias, a intenção é alcançar as metas da Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Acelerar a Eliminação do Câncer de Colo do Útero.  Essa iniciativa prevê que, até 2030, 90% das meninas deverão estar totalmente vacinadas com a vacina contra o HPV até os 15 anos de idade; 70% das mulheres devem ser rastreadas por meio de um teste de alto desempenho aos 35 anos de idade e novamente aos 45 anos de idade; e 90% das mulheres identificadas com doença cervical ou pré-câncer devem receber tratamento. 
  
“São metas desafiadoras, mas que o estado vem demonstrando desde 2019, quando começamos nossa cooperação técnica, que é possível alcançá-las – qualificando o modelo de atenção à saúde local e ampliando a efetividade do cuidado, principalmente para as mulheres mais vulneráveis”, ressaltou a representante da OPAS e da OMS no Brasil, Socorro Gross. 
 
A cooperação técnica conta ainda com uma rede de atores estratégicos compostos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e OPAS, trabalhando conjuntamente em um grupo técnico com a Secretaria de Saúde de Pernambuco.

Vacinação contra COVID-19

A Organização Pan-Americana da Saúde também está apoiando o programa Vacina Mais Pernambuco, lançado nesta terça-feira (14) com o objetivo de ampliar e acelerar a vacinação contra a COVID-19 no estado. 

A ação conta com equipes itinerantes – formadas por vacinadores e registradores equipados com tablets – que vão percorrer locais com situação epidemiológica de risco e/ou com maior número de indivíduos não vacinados ou que estão em atraso na segunda dose ou dose de reforço.

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