Enquanto países se preparam para Copa do Mundo da FIFA 2026™, OPAS emite recomendações para fortalecer vigilância e vacinação contra o sarampo

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Washington, D.C., 2 de junho de 2026 (OPAS) — Enquanto os países das Américas se preparam para a Copa do Mundo da FIFA 2026™ e outros eventos com grande concentração de pessoas, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) chama as autoridades sanitárias a fortalecerem a vigilância epidemiológica e laboratorial do sarampo, a vacinação e as medidas de resposta rápida diante dos surtos que continuam afetando a região.

Em um alerta epidemiológico emitido em 29 de maio, a OPAS recomenda que os países da região revisem o desempenho de seus sistemas de vigilância do sarampo e da rubéola, bem como as coberturas vacinais, para identificar as áreas com maior risco e implementar ações preventivas. A Organização alerta que o aumento da transmissão do sarampo e o crescimento das viagens internacionais criam condições favoráveis para a propagação da doença durante grandes eventos internacionais.

“Especificamente, e no contexto da Copa do Mundo da FIFA 2026™, assim como de outros eventos de grande concentração, os países devem aumentar a sensibilidade de seus sistemas de vigilância por meio da implementação da busca ativa de casos para documentar a ausência de casos de sarampo e rubéola, além de fornecer informações e serviços de vacinação aos viajantes”, afirmou a OPAS no alerta.

Para reduzir o risco de propagação internacional durante esse evento, a OPAS recomenda que os países orientem viajantes com seis meses de idade ou mais, que não possam apresentar comprovante de vacinação conforme recomendações do Calendário Nacional de Vacinação ou evidência de imunidade, a receberem uma dose da vacina contra sarampo e rubéola, preferencialmente duas semanas antes de viajar para áreas onde haja transmissão dessas doenças.

A Organização também recomenda que os países forneçam aos viajantes informações sobre os sinais e sintomas do sarampo e da rubéola antes da partida, incluindo febre, exantema, tosse, coriza, conjuntivite, dor nas articulações e inchaço dos gânglios linfáticos.

Durante a viagem, a OPAS recomenda que os países orientem os viajantes que apresentarem sintomas compatíveis com sarampo ou rubéola a buscarem atendimento médico imediatamente, utilizarem máscara, evitarem contato próximo com outras pessoas, abstendo-se de visitar locais públicos durante os sete dias após o aparecimento do exantema e seguirem as medidas recomendadas para reduzir o risco de transmissão.

Ao retornar, os países devem incentivar os viajantes que suspeitem ter contraído sarampo ou rubéola a entrar em contato com um profissional de saúde e informar sobre seu histórico recente de viagens.

A OPAS também chamou os países a fortalecerem a vigilância epidemiológica em áreas de alto risco, incluindo regiões de fronteira, aeroportos, portos e locais onde ocorram grandes eventos internacionais. O alerta recomenda intensificar a busca ativa de casos, garantir a investigação rápida dos casos suspeitos, manter equipes de resposta rápida capacitadas e fortalecer a coordenação para o rastreamento internacional de contatos e a resposta a surtos quando necessário.

Aumento de casos nas Américas e no mundo

O alerta ocorre em um contexto de aumento sustentado dos casos de sarampo em nível global e regional. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 1º de janeiro e 13 de maio de 2026 foram notificados 184.489 casos de sarampo em 155 Estados Membros, dos quais 100.239 (54,3%) foram confirmados. A região do Sudeste Asiático concentrou 29% dos casos reportados, seguida pelo Mediterrâneo Oriental (21%), enquanto as regiões da África e das Américas representaram, cada uma, 19% do total.

Nas Américas, foram confirmados 20.521 casos e 25 mortes em 16 países e um território entre as semanas epidemiológicas 1 e 20 de 2026. Esse número representa um aumento de quatro vezes em comparação com os 5.123 casos registrados no mesmo período de 2025 e já supera o total notificado durante todo aquele ano.

O México confirmou 10.920 casos e 13 mortes em 2026 até o momento, enquanto a Guatemala registrou 6.209 casos e 12 mortes. O Canadá notificou 1.018 casos e os Estados Unidos 1.952. O Peru notificou 301 casos, enquanto outros países da região identificaram casos associados a surtos ou importações, incluindo Brasil, Bolívia, Belize, Costa Rica, El Salvador, Honduras, Panamá e Uruguai.

Segundo a OPAS, a maioria dos casos notificados ocorreu entre pessoas não vacinadas ou com histórico vacinal desconhecido. A Organização destacou que o aumento das viagens internacionais e os surtos em curso evidenciam a importância de manter sistemas robustos de vigilância e garantir que os viajantes estejam protegidos contra doenças preveníveis por vacinação antes de participar de grandes eventos internacionais.

A OPAS também lembrou às autoridades sanitárias que o certificado de vacinação contra o sarampo não é um requisito de entrada nos países segundo o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), e enfatiza que a vacinação continua sendo a medida mais eficaz para prevenir a transmissão e proteger a saúde pública.