Washington, D.C., 3 de junho de 2026 (OPAS) — O diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, apresentou hoje o Relatório Anual 2025 da Organização ao Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), destacando os avanços e desafios da saúde pública nas Américas e ressaltando o papel da solidariedade, da inovação e da ação coletiva no fortalecimento da saúde regional.
A apresentação ocorreu durante uma sessão ordinária do Conselho Permanente da OEA, realizada antes da Assembleia Geral da OEA, que acontecerá no fim deste mês, no Panamá. Como organismo especializado em saúde do Sistema Interamericano, a OPAS informa anualmente à OEA sobre os avanços da saúde regional e a cooperação técnica com os Estados Membros.
Ao apresentar o relatório, intitulado Impulsionar a inovação, gerar impacto, Jarbas Barbosa destacou que “o relatório reflete como os países das Américas continuam avançando na área da saúde por meio da solidariedade, da inovação e da ação coletiva”.
Principais resultados de 2025
Jarbas Barbosa destacou que, em 2025, as Américas continuaram liderando globalmente os avanços na eliminação de doenças. O Suriname tornou-se o primeiro país da bacia amazônica certificado como livre da malária, elevando para 20 o número de países livres da doença na região. O Brasil também obteve a validação pela eliminação da transmissão vertical do HIV.
Ao mesmo tempo, ele apontou um importante retrocesso nos avanços sanitários regionais. “Em novembro, a Região das Américas perdeu seu status de eliminação do sarampo após o restabelecimento da transmissão endêmica da doença”, afirmou. Segundo ele, a OPAS está trabalhando em estreita colaboração com os países para fortalecer a vigilância, rastrear cadeias de transmissão e acelerar as ações de imunização, com o objetivo de restabelecer o status de eliminação do sarampo na região.
O diretor da OPAS ressaltou ainda que a atenção primária à saúde continua sendo central para a transformação dos sistemas de saúde e para a ampliação do acesso equitativo aos serviços. Por meio da Aliança para a Atenção Primária à Saúde nas Américas — liderada conjuntamente pela OPAS, pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento — foram mobilizados cerca de 1 bilhão de dólares para fortalecer o primeiro nível de atenção. Em 2025, Chile, Paraguai e Panamá aderiram à iniciativa, elevando para cinco o número total de países participantes. Ele observou ainda que, até o momento, dez países já se uniram à iniciativa.
Jarbas Barbosa também destacou a expansão da iniciativa HEARTS nas Américas, que atualmente opera em mais de 10 mil unidades de atenção primária em 28 países, oferecendo tratamento padronizado para hipertensão a mais de 6 milhões de pessoas. Nos países onde a iniciativa foi plenamente implementada, seis em cada dez pacientes conseguem controlar a pressão arterial, quase o dobro da média regional.
Vigilância, preparação e resposta
O diretor da OPAS ressaltou a importância de fortalecer as capacidades de preparação e resposta rápida. Em 2025, o sistema regional de vigilância da OPAS verificou mais de 2,1 milhões de alertas e detectou 157 eventos de saúde pública. A Organização respondeu a mais de 38 emergências de saúde pública, incluindo surtos de dengue, mpox e sarampo, além dos impactos do furacão Beryl no Caribe.
No Haiti, ele destacou que a OPAS apoiou 59 estabelecimentos de saúde, fortaleceu a vigilância da cólera e ajudou a manter serviços essenciais de saúde, em coordenação com esforços interamericanos mais amplos, incluindo o Roteiro da OEA para o Haiti.
No Caribe, a OPAS mobilizou 16 equipes médicas de emergência e entregou mais de 23 toneladas de suprimentos para apoiar a Jamaica, Cuba e o Haiti. A inauguração do novo Centro de Operações de Emergência em Barbados representou um passo importante para o fortalecimento da capacidade regional de preparação e resposta a emergências.
Acesso, produção regional e transformação digital
Jarbas Barbosa destacou os avanços no acesso a vacinas, medicamentos e tecnologias em saúde por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da OPAS, que, em 2025, adquiriram cerca de 1 bilhão de dólares em insumos e entregaram mais de 230 milhões de doses de vacinas a 33 países e nove territórios. Ele também ressaltou a ampliação do acesso a medicamentos de alto custo para o tratamento do câncer e de doenças raras, gerando economias significativas para os Estados Membros.
Destacou ainda um acordo histórico na Argentina entre o governo, a Sinergium Biotech, a Pfizer e a OPAS para a produção regional de uma vacina pneumocócica, que será incorporada aos Fundos Rotatórios com o objetivo de ampliar o acesso e a acessibilidade financeira desse imunizante.
A transformação digital também avançou de forma acelerada, com 20 países promovendo iniciativas de interoperabilidade, telessaúde e uso responsável da inteligência artificial por meio da Rota Pan-Americana para a Saúde Digital.
“Os resultados já são visíveis na prática”, afirmou Jarbas Barbosa, citando exemplos como o uso de drones para a entrega de medicamentos em áreas remotas do Panamá e de ferramentas de inteligência artificial para apoiar a triagem da tuberculose em unidades prisionais do Paraguai.
Fortalecimento institucional e cooperação com a OEA
Jarbas Barbosa destacou que, para o biênio 2026–2027, o orçamento da OPAS foi reduzido em 19%, o que resultou na diminuição de postos permanentes e na manutenção de medidas de contenção de gastos, incluindo a redução de viagens e a priorização de contratações essenciais.
Ele também ressaltou a modernização institucional por meio da iniciativa OPAS Avante 3.0 (PAHO Forward 3.0), que gerou mais de 7 milhões de dólares em economias em 2025 por meio de melhorias em eficiência, transparência e prestação de contas.
O diretor da OPAS saudou a recente resolução da Assembleia Geral da OEA sobre saúde mental, que solicita a criação de um grupo de trabalho interamericano em coordenação com a OPAS. “Sentimo-nos honrados com essa confiança e já estamos trabalhando para transformar essa prioridade hemisférica em ações e resultados concretos”, afirmou.
Ele também reafirmou o compromisso da OPAS de fortalecer a cooperação técnica com a OEA em temas como o Haiti, a biossegurança laboratorial e a inclusão de pessoas com deficiência.
“Como organismo especializado em saúde do Sistema Interamericano, a OPAS continuará trabalhando ao lado dos Estados Membros para fortalecer parcerias e transformar esses esforços em resultados sustentáveis para a saúde”, afirmou Jarbas Barbosa.
Ao concluir sua apresentação, destacou o valor da ação coletiva: “Porque, quando cooperamos em saúde, protegemos vidas, fortalecemos instituições e construímos sociedades mais seguras, resilientes e prósperas para nossos povos. As Américas continuarão sendo uma região que cuida, que inova e que avança unida.”
