Relatório Anual 2025 da OPAS destaca resiliência, inovação e cooperação regional para a saúde nas Américas

Children running through the fields

Washington, D.C., 19 de março de 2026 (OPAS) – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) divulgou hoje seu Relatório Anual de 2025, destacando avanços importantes em segurança em saúde, eliminação de doenças, transformação digital e fortalecimento dos sistemas de saúde em toda a região das Américas. 

O relatório, disponível em formato digital e intitulado Impulsionando a inovação, gerando impacto, documenta como a colaboração regional e a cooperação técnica contínua têm ajudado os países a enfrentar desafios de saúde tanto antigos quanto emergentes.  

“O ano de 2025 testou a resiliência dos sistemas de saúde e da cooperação internacional”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, no relatório. “Em um contexto de redução do financiamento para a saúde internacional, a Organização Pan-Americana da Saúde demonstrou mais uma vez aquilo que vem mostrando há mais de 120 anos: sua capacidade de se adaptar, entregar resultados e promover a saúde para todas as pessoas nas Américas”.

Marcos de 2025

Apesar de um cenário de saúde pública complexo e em constante evolução, a OPAS continuou trabalhando com os Estados Membros para fortalecer os sistemas de saúde, ampliar o acesso aos serviços e responder a ameaças emergentes. Entre os destaques:

  • Marcos na eliminação de doenças: o Suriname tornou-se o primeiro país da bacia amazônica a ser certificado como livre da malária, elevando para 20 o número total de países livres da doença na Região. O Brasil eliminou a transmissão vertical do HIV, reforçando a liderança das Américas na eliminação de doenças transmissíveis.
  • Atenção às doenças não transmissíveis: a iniciativa Melhor Atenção para doenças não transmissíveis foi significativamente ampliada, com mais de 10 mil unidades de atenção primária em 28 países implementando a iniciativa HEARTS, oferecendo tratamento padronizado para hipertensão a mais de 6 milhões de pessoas.
  • Transformação da atenção primária à saúde: Chile, Panamá e Paraguai aderiram à Aliança para a Atenção Primária à Saúde nas Américas, ampliando a colaboração regional para fortalecer os sistemas de atenção primária e mobilizar investimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Banco Mundial para serviços de saúde.
  • Transformação digital: vinte e dois países aderiram à Rede Global de Certificação em Saúde Digital, possibilitando certificados digitais de vacinação seguros e interoperabilidade entre países, e sete países implementaram a Plataforma de Telessaúde Integrada para ampliar o acesso a especialistas em áreas remotas.
  • Impacto dos Fundos Rotatórios Regionais: os Fundos da OPAS adquiriram mais de 900 milhões de dólares em vacinas, tecnologias e insumos de saúde, distribuindo 234 milhões de doses de vacinas a 33 Estados Membros e ampliando a oferta para medicamentos de alto custo para câncer e doenças raras, gerando economias significativas.
  • Avanço na produção regional: um acordo histórico assinado em janeiro de 2025 entre o governo da Argentina, a Sinergium Biotech, a Pfizer e a OPAS impulsionou a produção regional da vacina pneumocócica PCV20, fortalecendo a capacidade de fabricação na região e oferecendo aos países o preço mais acessível.

O relatório também destaca retrocessos, incluindo a perda do status de eliminação do sarampo na Região das Américas após a reintrodução da transmissão no Canadá. Mais de 14 mil casos confirmados e 30 mortes foram registrados em 13 países, afetando de forma desproporcional populações indígenas e evidenciando a necessidade de manter altas coberturas vacinais, vigilância robusta e resposta rápida a surtos.

Avanço na segurança em saúde 

A segurança em saúde permaneceu como foco central do trabalho da OPAS em 2025. O sistema regional de vigilância da Organização analisou 2,1 milhões de sinais relacionados a possíveis ameaças à saúde, resultando na detecção de 157 eventos de saúde pública nas Américas. Esse sistema permite que os países identifiquem e respondam rapidamente a ameaças emergentes.

A OPAS apoiou os países na resposta a surtos de doenças infecciosas, incluindo febre amarela, dengue e o vírus Oropouche, além de desastres naturais como o furacão Melissa no Caribe.

“A segurança em saúde está no nosso DNA”, afirmou Jarbas Barbosa. “A OPAS foi criada para compartilhar informações, com base na transparência, e para oferecer uma plataforma onde os países possam se reunir e coordenar melhor seus esforços para conter surtos e epidemias.” 

Expansão de parcerias na Região 

A OPAS, a organização internacional de saúde pública mais antiga do mundo, fundada em 1902 e que atende 35 Estados Membros e mais de 1 bilhão de pessoas, mobilizou 552 milhões de dólares em contribuições voluntárias no biênio 2024 – 2025 (até 31 de dezembro de 2025) — um aumento de 111% em comparação com os níveis pré-pandemia de 2019 — ao mesmo tempo em que ampliou suas parcerias.

“Diversificamos nossas fontes de financiamento, ampliamos nossas parcerias e demonstramos que podemos oferecer cooperação técnica de alta qualidade com maior eficiência”, destacou o Jarbas Barbosa. “Junto com nossos parceiros e os governos que atendemos, continuaremos avançando na saúde e no bem-estar de todas as pessoas nas Américas”, concluiu.