Suicídio entre adolescentes e jovens adultos aumenta nas Américas; OPAS alerta para necessidade urgente de prevenção

Two people holding hands
iStock/busra İspir
Imagem

Mais de 18 mil pessoas entre 10 e 24 anos morreram por suicídio na região em 2021; a taxa subiu 38% em 21 anos, com aumentos mais rápidos entre meninas e no grupo de 10 a 14 anos

Washington, D.C., 20 de maio de 2026 (OPAS) – O suicídio entre adolescentes e jovens adultos nas Américas aumentou nas últimas duas décadas e permanece como a terceira causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos, segundo um novo estudo publicado na The Lancet Regional Health – Americas.

Em 2021, 18.157 adolescentes e jovens adultos morreram por suicídio na região. Embora três de cada quatro óbitos por suicídio tenham ocorrido entre pessoas do sexo masculino, o aumento tem sido mais rápido entre as mulheres. Além disso, o crescimento mais acentuado foi observado em um grupo mais jovem, de 10 a 14 anos, o que levanta uma preocupação urgente para a saúde pública.

“O fato de que a taxa de suicídio entre os jovens tenha aumentado 38% em pouco mais de duas décadas — em comparação com um aumento de 17% na população geral — é um sinal de alerta”, afirmou o diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa. “Devemos fortalecer as ações de prevenção, especialmente entre crianças, adolescentes e adultos jovens, e garantir que recebam apoio a tempo”, destacou.

Múltiplos fatores preveníveis impulsionam o aumento

O artigo destaca que vários fatores podem estar associados a esse aumento, incluindo problemas de saúde mental (depressão e ansiedade que surgem cada vez mais cedo), o uso de substâncias, a exposição excessiva a ambientes digitais e o ciberbullying, a pressão social e o fácil acesso a meios letais.

As evidências também indicam que muitos desses fatores são preveníveis ou tratáveis, especialmente se identificados precocemente.

“O aumento da mortalidade por suicídio entre os mais jovens exige o fortalecimento da detecção precoce e das intervenções nas escolas e comunidades”, afirmou Renato Oliveira e Souza, chefe da Unidade de Saúde Mental e Uso de Substâncias da OPAS. “É necessário continuar ampliando o acesso aos serviços de saúde mental e reforçando as ações voltadas à restrição do acesso a meios letais.”

Com base em dados das Estimativas Globais de Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 35 países entre 2000 e 2021, o estudo constatou que a taxa de mortalidade por suicídio nesse grupo etário (10-24 anos) aumentou de 5,7 para 7,84 mortes por 100 mil habitantes, o que representa um aumento médio anual de 1,48%. As tendências variaram entre países e sub-regiões, mas o aumento foi generalizado, com níveis particularmente altos na América do Norte e em alguns países do Cone Sul.

O estudo, elaborado por um grupo de especialistas da OPAS e da Escola de Medicina Renaissance da Universidade de Stony Brook, em Nova York, também aponta a necessidade de implementar programas escolares de promoção da saúde mental e habilidades socioemocionais, melhorar a identificação precoce e o acompanhamento de pessoas em risco e promover uma cobertura responsável do suicídio nos meios de comunicação.

Iniciativa regional para prevenir o suicídio

Desde 2000, a taxa de mortalidade por suicídio entre a população geral da região aumentou mais de 17%, tornando as Américas a única região do mundo onde essa tendência continua em alta.

Em resposta a essa tendência, a OPAS lançou em 2025 a Iniciativa para a Prevenção do Suicídio nas Américas, voltada a apoiar os países com intervenções baseadas em evidências. A iniciativa busca fortalecer os planos nacionais, ampliar o acesso aos serviços de saúde mental e reduzir o estigma em torno desses temas.

“O suicídio afeta famílias, comunidades e sociedades inteiras, mas é prevenível”, acrescentou Barbosa. “Com compromisso político, investimento e colaboração entre setores, podemos salvar vidas.”

Suicide Prevention