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OPAS pede garantia de diagnóstico e tratamento do câncer, segunda causa de morte nas Américas

2 fev 2021

Em 2020, a pandemia de COVID-19 causou interrupções nos serviços de câncer, colocando vidas em risco. Naquele ano, foram registrados quatro milhões de novos casos e cerca de 1,4 milhão de mortes

Washington D.C., 2 de fevereiro de 2021 – À véspera do Dia Mundial De Combate ao Câncer, comemorado no dia 4 de fevereiro, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, pediu para que o diagnóstico e o tratamento desta doença sejam garantidos nos países das Américas, onde os serviços foram seriamente interrompidos durante a pandemia de COVID-19.

"Enquanto lutamos contra a COVID-19, não devemos esquecer outras doenças graves", disse Etienne. “Temos que combater a pandemia e, ao mesmo tempo, continuar avançando no tratamento de outras doenças, principalmente o câncer. Para os pacientes com câncer, a falta de diagnóstico, tratamento e medicamentos pode ser fatal”, destacou.

O câncer é a segunda causa de morte na Região das Américas. Quatro milhões de novos casos foram diagnosticados em 2020 e cerca de 1,4 milhão de pessoas morreram devido à doença. Cerca de 57% dos novos casos de câncer e 47% das mortes por câncer ocorreram entre pessoas com 69 anos de idade ou menos, no auge de suas vidas.

 De acordo com uma pesquisa da OPAS/OMS sobre doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), incluindo câncer, em sete países da Região, as mudanças nos serviços de câncer relacionadas à pandemia surgiram de múltiplas causas. Isso resultou no cancelamento de procedimentos médicos eletivos, na interrupção dos serviços, na redução da demanda por confinamento e na necessidade de direcionar recursos para a COVID-19.

Além disso, alguns pacientes com câncer têm relutado em ir a ambulatórios ou hospitais para tratamento porque os pacientes com COVID-19 também podem estar presentes nesses locais. Pacientes com câncer correm maior risco de desenvolver formas mais graves e potencialmente mortais da COVID-19.

“Devemos garantir que, apesar da pandemia, as pessoas que já estão com câncer possam ter acesso ao diagnóstico e tratamento, pois isso pode salvar suas vidas”, disse Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS. “Existem ferramentas disponíveis para prevenção, diagnóstico e tratamento que nos dizem como podemos fazer isso”.

A OPAS/OMS desenvolveu orientações sobre como os serviços de câncer podem ser reorganizados durante a pandemia. Esses incluem:

Priorizar o tratamento de pacientes com câncer, levando em consideração quais são as intervenções mais seguras e eficazes, a taxa de desenvolvimento do câncer e os efeitos do retardo do tratamento nos resultados clínicos e na qualidade de vida;

Minimizar o número de visitas presenciais às unidades de saúde, especialmente em áreas onde possa haver outros pacientes que possam ter COVID-19;

Diminuir o risco de exposição ao fornecer serviços e conduzir estudos clínicos em ambientes alternativos de saúde;

Oferecer consultas de acompanhamento, apoio psicológico ou cuidados paliativos por telefone ou remotamente;

Facilitar a administração de medicamentos, testes e amostragem em casa;

Mover consultórios médicos para locais onde haja menor risco de exposição;

E, quando viável, adiar as consultas de acompanhamento presencial: por exemplo, quando os pacientes terminam o tratamento, têm um bom prognóstico ou as consultas podem ser feitas por vídeo chamada.

Chamado para um mundo sem câncer

O Dia Mundial de Combate ao Câncer tem como objetivo salvar milhões de vidas a cada ano, aumentando a conscientização e educando sobre a doença, e chamando governos e pessoas ao redor do mundo a tomar medidas.

De 2019 a 2021, o tema do Dia Mundial de Combate ao Câncer é “Eu sou e eu vou”, uma convocação coletiva a agir para reduzir o impacto global da enfermidade. Quem quer que sejam, esta data convida as pessoas a expressarem quem são e quais ações tomarão para criar um mundo sem câncer.

Entre um terço e meio dos casos de câncer poderiam ser evitados com a redução de fatores de risco, como uso de tabaco, uso prejudicial de álcool, alimentação não saudável e sedentarismo. A vacina contra o papilomavírus humano (HPV) também previne o câncer do colo do útero.

O câncer nunca deve ser uma sentença de morte, nem mesmo durante a pandemia de COVID-19” - Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS