Mundo tem mais de 700 milhões de pessoas com hipertensão não tratada

25 Ago 2021
aferição pressão

Número de pessoas que vivem com hipertensão dobrou para 1,28 bilhão desde 1990

25 de agosto de 2021 (OMS) – O número de adultos com hipertensão entre 30 e 79 anos aumentou de 650 milhões para 1,28 bilhões nos últimos 30 anos, de acordo com a primeira análise global abrangente das tendências na prevalência, detecção, tratamento e controle da hipertensão – liderada pelo Imperial College London e Organização Mundial da Saúde (OMS) e publicado nesta quarta-feira (25) na revista The Lancet. Quase metade dessas pessoas não sabia que tinha a condição.

A hipertensão aumenta significativamente o risco de doenças cardíacas, cerebrais e renais e é uma das principais causas de morte e doenças em todo o mundo. Pode ser facilmente detectada por meio da aferição da pressão arterial, em casa ou no centro de saúde, e muitas vezes pode ser tratada de forma eficaz com medicamentos de baixo custo.

O estudo, conduzido por uma rede mundial de médicos e pesquisadores, cobriu o período de 1990–2019. Usou dados de aferição e tratamento da pressão arterial de mais de 100 milhões de pessoas com idade entre 30 e 79 anos em 184 países, cobrindo juntos 99% da população global, o que o torna a revisão mais abrangente das tendências globais em hipertensão até o momento.

Ao analisar essa enorme quantidade de dados, os pesquisadores descobriram que houve pouca mudança na taxa geral de hipertensão no mundo de 1990 a 2019, mas a carga mudou de nações ricas para países de baixa e média renda. A taxa de hipertensão diminuiu nos países ricos - que agora costumam ter algumas das taxas mais baixas -, mas aumentou em muitos países de baixa ou média renda.

Como resultado, Canadá, Peru e Suíça tiveram uma das prevalências de hipertensão mais baixas do mundo em 2019, enquanto algumas das taxas mais altas foram observadas na República Dominicana, Jamaica e Paraguai para mulheres e Hungria, Paraguai e Polônia para homens. (Consulte a nota aos editores para obter informações detalhadas/classificações por país).

Embora o percentual de pessoas com hipertensão tenha mudado pouco desde 1990, o número de pessoas com hipertensão dobrou para 1,28 bilhão. Isso se deve principalmente ao crescimento e envelhecimento da população. Em 2019, mais de um bilhão de pessoas com hipertensão (82% de todas as pessoas com hipertensão no mundo) viviam em países de baixa e média renda.

Lacunas significativas no diagnóstico e tratamento

Embora seja simples diagnosticar a hipertensão e relativamente fácil tratá-la com medicamentos de baixo custo, o estudo revelou lacunas significativas no diagnóstico e tratamento. Cerca de 580 milhões de pessoas com hipertensão (41% das mulheres e 51% dos homens) desconheciam sua condição porque nunca foram diagnosticadas.

O estudo também indicou que mais de metade das pessoas (53% das mulheres e 62% dos homens) com hipertensão, ou um total de 720 milhões de pessoas, não estavam recebendo o tratamento de que precisam. A pressão arterial foi controlada, o que significa que os medicamentos foram eficazes em trazer a pressão arterial aos intervalos normais, em menos de uma em cada quatro mulheres e um em cada cinco homens com hipertensão.

O professor Majid Ezzati, autor sênior do estudo e professor de Saúde Ambiental Global da Escola de Saúde Pública do Imperial College London, disse: “Quase meio século depois de começarmos a tratar a hipertensão, que é fácil de diagnosticar e tratar com medicamentos de baixo custo, é uma falha de saúde pública que tantas pessoas com pressão alta no mundo ainda não estejam recebendo o tratamento de que precisam”.

Homens e mulheres no Canadá, Islândia e República da Coreia tinham maior probabilidade de receber medicamentos para tratar e controlar efetivamente sua hipertensão, com mais de 70% dos hipertensos recebendo tratamento em 2019. Comparativamente, homens e mulheres na África Subsaariana, países do centro, sul e sudeste da Ásia e ilhas do Pacífico são os que têm menos probabilidade de receber medicamentos. As taxas de tratamento eram inferiores a 25% para mulheres e 20% para homens, em vários países dessas regiões, criando uma enorme desigualdade mundial no tratamento.

É encorajador que alguns países de média renda tenham ampliado o tratamento com sucesso e agora estão obtendo melhores taxas de tratamento e controle do que a maioria das nações de alta renda. Por exemplo, Costa Rica e Cazaquistão agora têm taxas de tratamento mais altas do que a maioria dos países de maior renda.

Bin Zhou, pesquisador da Escola de Saúde Pública do Imperial College London, liderou a análise e afirmou que, “embora as taxas de tratamento e controle da hipertensão tenham melhorado na maioria dos países desde 1990, houve pouca mudança em muitas nações da África Subsaariana e das Ilhas do Pacífico. Financiadores internacionais e governos nacionais precisam priorizar a equidade de tratamento global para este grande risco à saúde mundial”.

Nova diretriz da OMS para tratamento de hipertensão

O documento “WHO Guideline for the pharmacological treatment of hypertension in adults”, também lançado nesta quarta-feira, fornece novas recomendações para ajudar os países a melhorarem o tratamento da hipertensão.

Taskeen Khan, do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS, que liderou o desenvolvimento da diretriz, ressaltou: “A nova diretriz global sobre o tratamento da hipertensão, a primeira em 20 anos, fornece a orientação baseada em evidências mais atuais e relevantes sobre o início de medicamentos para hipertensão em adultos.”

As recomendações abrangem o nível de pressão arterial para iniciar a medicação, que tipo de medicamento ou combinação de medicamentos usar, o nível de pressão arterial alvo e com que frequência fazer verificações de acompanhamento da pressão arterial. Além disso, a diretriz fornece a base de como os médicos e outros profissionais de saúde podem contribuir para melhorar a detecção e o controle da hipertensão.

Bente Mikkelsen, diretora do Departamento de Doenças Não Transmissíveis da OMS, acrescentou que, “seguindo as recomendações desta nova diretriz, aumentando e melhorando o acesso a medicamentos para pressão arterial, identificando e tratando comorbidades como diabetes e doenças cardíacas pré-existentes, promovendo dietas mais saudáveis e atividade física regular e controlando mais estritamente os produtos do tabaco, os países poderão salvar vidas e reduzir gastos com saúde pública”.

Nota aos editores

O estudo “Worldwide trends in hypertension prevalence and progress in treatment and control from 1990 to 2019: a pooled analysis of 1,201 population-representative studies with 104 million participants”, pela NCD Risk Factor Collaboration (NCD-RisC), foi publicado na The Lancet. DOI: 10.1016 / S0140-6736 (21) 01330-1.

Os dados foram obtidos a partir de 1.201 estudos com 104 milhões de participantes em 184 países, com idades entre 30 e 79 anos, com aferição da pressão arterial e dados sobre o tratamento da condição.

A hipertensão foi definida como pressão arterial sistólica ≥140 mmHg, pressão arterial diastólica ≥90 mmHg e/ou uso de medicação para hipertensão.


10 países com a prevalência de hipertensão mais baixa em 2019

MULHERES

Ranking

País

Prevalência como % da população

1

Suíça

17%

2

Peru

18%

3

Canadá

20%

4

Taiwan (província da China)

21%

5

Espanha

21%

6

República da Coreia

21%

7

Japão

22%

8

Reino Unido

23%

9

China

24%

10

Islândia

24%


HOMENS

Ranking

País

Prevalência como % da população

1

Eritreia

22%

2

Peru

23%

3

Bangladesh

24%

4

Canadá

24%

5

Etiópia

25%

6

Ilhas Salomão

25%

7

Papua Nova Guiné

25%

8

República Democrática Popular do Laos

26%

9

Camboja

26%

10

Suíça

26%


10 países com a maior prevalência de hipertensão em 2019

MULHERES

Ranking

País

Prevalência como % da população

1

Paraguai

51%

2

Tuvalu

51%

3

Dominica

50%

4

República Dominicana

49%

5

São Tomé e Príncipe

48%

6

Jamaica

48%

7

Haiti

48%

8

Iraque

48%

9

Essuatíni

47%

10

Botsuana

47%


HOMENS

Ranking

País

Prevalência como % da população

1

Paraguai

62%

2

Hungria

56%

3

Polônia

55%

4

Argentina

54%

5

Lituânia

54%

6

Romênia

53%

7

Belarus

52%

8

Croácia

51%

9

Tajiquistão

51%

10

Sérvia

50%


10 países com a maior taxa de tratamento de hipertensão em 2019

MULHERES

Ranking

País

Taxa como % de todas as mulheres com hipertensão

1

República da Coreia

77%

2

Costa Rica

76%

3

Cazaquistão

74%

4

Estados Unidos da America

73%

5

Islândia

72%

6

Venezuela

71%

7

El Salvador

71%

8

Portugal

71%

9

Canadá

71%

10

Eslováquia

70%


HOMENS

Ranking

País

Taxa como % de todos os homens com hipertensão

1

Canadá

76%

2

Islândia

71%

3

República da Coreia

67%

4

Estados Unidos da América

66%

5

Cazaquistão

66%

6

Malta

65%

7

Costa Rica

63%

8

Alemanha

61%

9

República Checa

59%

10

Cingapura

59%


10 países com a menor taxa de tratamento de hipertensão em 2019

MULHERES

Ranking

País

Taxa como % de todas as mulheres com hipertensão

1

Ruanda

11%

2

Níger

15%

3

Kiribati

15%

4

Etiópia

16%

5

Vanuatu

16%

6

Tanzânia

17%

7

Ilhas Salomão

17%

8

Madagascar

19%

9

Moçambique

19%

10

Quênia

21%


HOMENS

Ranking

País

Taxa como % de todos os homens com hipertensão

1

Ruanda

10%

2

Quênia

10%

3

Moçambique

10%

4

Vanuatu

11%

5

Ilhas Salomão

11%

6

Níger

12%

7

Madagascar

13%

8

Uganda

13%

9

Togo

14%

10

Burkina Faso         

14%


10 países com o maior aumento na prevalência de hipertensão entre 1990 e 2019

MULHERES

Ranking

País

Aumento em pontos percentuais (1990 - 2019)

1

Kiribati

13

2

Tonga

13

3

Tuvalu

12

4

Indonésia

12

5

Brunei Darussalam

10

6

Haiti

9

7

Jamaica

9

8

Myanmar

9

9

Samoa

9

10

Uzbequistão

9


HOMENS

Ranking

País

Aumento em pontos percentuais (1990 - 2019

1

Uzbequistão

15

2

Argentina

13

3

Paraguai

10

4

África do Sul

10

5

China

10

6

Brunei Darussalam

9

7

Tajiquistão

8

8

Jamaica

8

9

República Dominicana

8

10

Tuvalu

8


10 países com o maior declínio na prevalência de hipertensão entre 1990 e 2019

MULHERES

Ranking

País

Diminuição em pontos percentuais (1990 - 2019)

1

Alemanha

18

2

Espanha

14

3

Japão

13

4

Cingapura

12

5

Federação Russa

12

6

Itália

12

7

Áustria

11

8

Reuno Unido

11

9

Israel

11

10

Suécia

10


HOMENS

Ranking

País

Diminuição em pontos percentuais (1990 - 2019)

1

Alemanha

19

2

Suíça

14

3

Reino Unido

13

4

Finlândia

12

5

Canadá

12

6

Luxemburgo

10

7

Noruega

10

8

Áustria

9

9

Itália

8

10

Malawi

8


10 países com o maior aumento na taxa de tratamento entre 1990 e 2019

MULHERES

Ranking

País

Aumento em pontos percentuais (1990 - 2019)

1

República da Coreia

46

2

Taiwan (Província da China)

38

3

África do Sul

36

4

Costa Rica

35

5

Polônia

35

6

Venezuela

35

7

Sérvia

33

8

Brunei Darussalam

33

9

Cingapura

33

10

Colômbia

33


HOMENS

Ranking

País

Aumento em pontos percentuais (1990 - 2019)

1

República da Coreia

50

2

Canadá

46

3

Costa Rica

40

4

Alemanha

39

5

Islândia

39

6

Taiwan (Província da China)

37

7

Cazaquistão

37

8

Polônia

36

9

Suíça

36

10

Noruega

34