Avaliação de risco e simulação reforçam capacidade do país para prevenir e responder a ameaças zoonóticas
Brasília, 05 de maio de 2026 – O Brasil deu um passo importante no fortalecimento de sua preparação frente à influenza aviária zoonótica ao realizar, em Brasília, uma Avaliação de Risco Intersetorial (EVIR) seguida de um Exercício de Simulação (SimEx). As atividades reuniram instituições-chave dos setores de saúde humana, saúde animal, meio ambiente e áreas estratégicas do governo, com o objetivo de fortalecer a vigilância, a preparação e a resposta coordenada do país, na abordagem Uma Só Saúde.
A iniciativa foi organizada pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e seu Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (PANAFTOSA/SPV), em parceria com o Ministério da Saúde e com apoio técnico e financeiro do Banco Mundial.
Durante três dias, especialistas de diferentes setores analisaram, de forma integrada, os principais riscos associados à influenza aviária no país. A metodologia EVIR, desenvolvida pelo PANAFTOSA, permitiu identificar pontos críticos, mapear potenciais vias de transmissão e apoiar a priorização de ações de vigilância, prevenção e resposta, promovendo maior clareza sobre papéis e responsabilidades institucionais entre os setores envolvidos.
Na sequência, o exercício de simulação avaliou a capacidade operacional das instituições diante de cenários semi-realistas, permitindo testar fluxos de respostas, mecanismos de coordenação e processos de tomada de decisão. Esse tipo de exercício é fundamental para identificar lacunas, alinhar protocolos e fortalecer a resposta institucional antes a ocorrência de emergências reais. Como resultado, será elaborado um relatório com recomendações sobre como fortalecer as capacidades nacionais para preparação, vigilância e resposta à influenza aviária, contribuindo para a revisão do Plano Interinstitucional de Enfrentamento da Influenza Aviária na abordagem Uma Só Saúde.
A iniciativa ocorre em um contexto regional de atenção crescente à influenza aviária A(H5N1), com circulação do vírus em aves e mamíferos nas Américas. No Brasil, a detecção de focos, principalmente em aves silvestres e de subsistência, reforça a importância de manter sistemas de vigilância robustos e uma resposta coordenada entre setores. Segundo a Atualização Epidemiológica da OPAS/OMS de 11 de março de 2026, entre abril de 2022 e 9 de março de 2026 foram registrados 75 casos humanos em cinco países da região. No Brasil, entre 2023 e meados de abril de 2026 foram registrados 188 focos em animais.
A agenda realizada em Brasília está alinhada à diretriz acordadas pelos países da Região das Américas de fortalecer avaliações intersetoriais de risco para influenza aviária zoonótica, baseadas em evidências e na coordenação entre saúde humana, saúde animal e meio ambiente.
A ampla participação institucional refletiu o compromisso do país com a abordagem integrada, envolvendo profissionais do Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura e Pecuária, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Ministério das Relações Exteriores e Ministério da Defesa. O SimEx também contou com a participação de representantes da Casa Civil, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Defesa Civil, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
As atividades foram realizadas no âmbito do projeto PROTECT, Otimização da Resposta a Pandemias por meio de Comunidades e Territórios Engajados na Bacia Amazônica, uma iniciativa regional financiada pelo Fundo para Pandemias e implementada em parceria pelo Banco Mundial, pela OPAS e pelos Ministérios da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente de sete países da América do Sul: Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Uruguai, Paraguai e Bolívia.
No marco do PROTECT, exercícios de simulação e diagnósticos intersetoriais com enfoque Uma Só Saúde já foram realizados na Colômbia, no Chile e no Equador, como parte de uma estratégia regional para fortalecer capacidades nacionais e promover aprendizado entre países. A realização do SimEx no Brasil dá continuidade a esse processo, contribuindo para uma abordagem coordenada, baseada em evidências, para a preparação e resposta a ameaças zoonóticas emergentes. O exercício contou ainda com financiamento, apoio técnico e operacional direto do Banco Mundial.
Ao promover a integração entre setores e o uso de ferramentas baseadas em evidências, o Brasil avança no fortalecimento de suas capacidades para prevenir, detectar e responder a ameaças sanitárias, contribuindo para a segurança em saúde na região das Américas.
