28 07 17 eliminatehepatitis home27 de julho de 2017 – Novos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), procedentes de 28 países que sofrem cerca de 70% da carga global de hepatites, indicam que os esforços para eliminar essa doença estão ganhando impulso. Publicados para coincidir com o Dia Mundial da Hepatite, os dados revelam que quase todos esses países estabeleceram comitês nacionais de alto nível para a eliminação das hepatites, junto a planos e metas, e que mais da metade alocou recursos para esse fim.

No Dia Mundial da Hepatite, celebrado nesta sexta-feira (28), a OMS convida os países a continuarem transformando seus compromissos em um aumento de serviços direcionados a eliminar essa doença. Nesta semana, a Organização também adicionou um novo tratamento genérico à sua lista de medicamentos pré-qualificados contra a hepatite C, com o objetivo de aumentar o acesso à terapia, e está promovendo a prevenção por meio da segurança das injeções, um fator chave para reduzir a transmissão das hepatites B e C.

Dos compromissos à prática
"É encorajador ver países que transformam o compromisso em ações para combater a hepatite", afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. "Identificar intervenções com alto impacto é um passo fundamental para a eliminação dessa doença devastadora. Muitos países conseguiram ampliar a vacinação contra a hepatite B. Agora precisamos redobrar os esforços para aumentar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento".

O Dia Mundial da Hepatite deste ano, com o tema "Eliminar a hepatite", pretende intensificar as medidas para alcançar as metas de saúde dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para 2030. Em 2016, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou o primeiro projeto de estratégia global do setor de saúde contra as hepatites virais para ajudar os países a ampliarem suas respostas a essas infecções.

De acordo com os novos dados da OMS, 86% dos países avaliados estabeleceram metas nacionais de eliminação da hepatite e mais de 70% começaram a desenvolver planos nacionais para oferecer acesso a serviços eficazes de prevenção, diagnóstico, tratamento e atenção. Além disso, quase metade dos países estudados buscam a eliminação por meio do acesso universal ao tratamento da hepatite. Contudo, a OMS considera que esse progresso deve ser acelerado.

"A resposta nacional para a eliminação da hepatite está ganhando impulso. No entanto, na melhor das hipóteses, uma em cada dez pessoas que vivem com a doença sabe estar infectada e pode ter acesso ao tratamento. Isso é inaceitável", disse Gottfried Hirnschall, diretor do Departamento Global de HIV e do Programa Global contra a Hepatite.

Hirnschall acrescenta que “para a eliminação da hepatite se tornar uma realidade, os países precisam acelerar seus esforços e aumentar os investimentos em intervenções que podem salvar vidas. Simplesmente não há motivo para que milhões de pessoas ainda não tenham sido testadas para a doença e não possam acessar o tratamento que necessitam com urgência”.

Em 2015, havia 325 milhões de pessoas com hepatites virais e, delas, 257 milhões e 71 milhões de pessoas infectadas, respectivamente, pelos vírus das hepatites B e C – os dois principais assassinos entre os cinco tipos de hepatite. Nesse mesmo ano, as hepatites virais causaram 1,34 milhão de mortes, um dado próximo ao número de mortes por tuberculose e superior ao número de mortes relacionadas ao HIV.

Melhoria do acesso ao tratamento da hepatite C
A hepatite C pode ser completamente curada com antivirais de ação direta dentro de três meses. No entanto, a partir de 2015, apenas 7% dos 71 milhões de pessoas com a doença crônica tinham acesso ao tratamento.

A OMS está trabalhando para garantir que todas as pessoas que precisem desses medicamentos tenham acesso a eles por um preço acessível. Graças à introdução de versões genéricas desses antivirais, os preços reduziram drasticamente em alguns países, sobretudo naqueles de baixa e média renda que possuem uma carga elevada da doença. Novos fármacos estão sendo adicionados à lista de antivirais de ação direta para que os países possam tratar essas infecções.

A OMS pré-qualificou recentemente a primeira versão genérica do sofosbuvir, um desses antivirais. O preço médio do tratamento obrigatório de três meses com esse genérico varia entre US$ 260 e US$ 280, um custo muito inferior ao de 2013, quando se comercializou o primeiro medicamento com esse fármaco. Graças à pré-qualificação feita pela OMS, que garante a qualidade, inocuidade e eficácia dos medicamentos, esse fármaco pode ser adquirido pelas Nações Unidas e organismos de financiamento como UNITAID, que agora inclui em seu mandato o tratamento farmacológico das pessoas com HIV também infectadas pelo vírus da hepatite C.

Tratamento da hepatite B
A infecção crônica pelo vírus da hepatite B causa uma alta morbimortalidade em nível mundial e, por isso, há também um grande interesse em encontrar novos tratamentos. O fármaco mais eficaz contra a doença é o tenofovir, no entanto ele não oferece a cura, tendo que ser administrado durante o curso de vida. Seu preço em muitos países de baixa e média renda é bastante reduzido (até US$ 48 ao ano). Por outro lado, é necessário ampliar urgentemente o acesso aos testes de diagnóstico dessa infecção.

Melhoria da segurança das injeções e da prevenção de infecções para reduzir novos casos de hepatite B e C
O uso de materiais de injeção contaminados nos estabelecimentos de saúde causa um grande número de novos casos de infecção pelos vírus das hepatites B e C em todo o mundo. Por isso, assegurar que essas injeções possam ser utilizadas sem riscos é uma grande estratégia preventiva. Outras estratégias são: prevenir a transmissão por meio de procedimentos invasivos, como cirurgias e atenção odontológica; aumentar as taxas de vacinação contra a hepatite B; e ampliar os programas de redução de danos para os usuários de drogas injetáveis.

A OMS publicou uma série de novas ferramentas de formação e comunicação como parte da campanha “Get the Point - Make smart injection choices”. O objetivo dessa iniciativa é que as injeções sejam aplicadas sem riscos para prevenir as hepatites e outras infecções de transmissão sanguínea nos estabelecimentos de saúde.

Cúpula Mundial de Hepatites
A Cúpula Mundial de Hepatites, que será celebrada de 1 a 3 de novembro em São Paulo, é um importante acontecimento global que permitirá a realização de mais progressos no programa mundial de luta contra as hepatites virais. O evento é organizado conjuntamente entre OMS, Aliança Mundial contra a Hepatite e governo do Brasil e reunirá as principais partes interessadas, reunidas para impulsionar a resposta mundial. O tema do evento é “A aplicação da estratégia mundial do setor de saúde contra as hepatites virais: em direção à eliminação das hepatites como ameaça à saúde pública”.