250917 confpanamericana25 de setembro de 2017 – Os furacões que devastaram partes do Caribe e os terremotos que causaram mortes no México ocuparam um lugar central na abertura da 29ª Conferência Sanitária Pan-Americana, realizada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Até sexta-feira (29), ministros da Saúde e autoridades de saúde nas Américas estarão reunidos em Washington D.C., nos Estados Unidos.

Carissa F. Etienne, diretora da OPAS, falou aos ministros dos países afetados, expressando “sinceras condolências por ocasião das mortes e dos feridos, devastação e destruição total, deslocamento extenso e trauma psicológico resultantes dos furacões Harvey, Irma, Joseph e Mary". Dirigiu-se também ao povo do México ao destacar que “estendemos nossos mais profundos sentimentos a respeito das vidas perdidas e grande dano que resultou dos poderosos terremotos que impactaram seu país”.

“Nos comprometemos a trabalhar com todos vocês para assegurar um rápido reestabelecimento e o funcionamento efetivo de seus sistemas de saúde. As perdas econômicas resultantes destes desastres, incluindo seus impactos físicos diretos, serão astronômicas. A reconstrução será longa e difícil para todas as pessoas afetadas, mas particularmente para os pequenos estados insulares em desenvolvimento, para os pobres e pessoas que vivem em condições de vulnerabilidade”, afirmou Etienne ao se dirigir a todos os delegados que assistem à conferência.

O novo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, reiterou as mesmas preocupações em seu discurso de abertura aos ministros da Saúde. “Estes furacões são uma trágica lembrança de que o nosso clima está mudando, com efeitos devastadores para a saúde. É uma recordação oportuna, se precisássemos de uma, de que devemos tomar medidas tanto para mitigar como para nos adaptar aos efeitos da mudança climática em saúde”, pontuou. Tedros disse ainda que a OMS está dedicando esforços especiais a esse respeito para apoiar “os pequenos estados insulares em desenvolvimento, os menos responsáveis pela mudança climática, mas o que mais estão em risco”.

Thomas Price, secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS, sigla em inglês) dos Estados Unidos, também se referiu aos desastres em seus comentários ao afirmar: “Nossas orações estão dirigidas para uma recuperação contínua dos recentes furacões e terremotos que atingiram o México e o Caribe. Sabemos que os países e povos da região têm sofrido muito durante as últimas semanas. Tivemos a oportunidade de ver em primeira mão algumas das devastações no Texas e na Flórida. É doloroso e uma lembrança crucial da importância de investir na preparação e resposta em saúde pública. Price acrescentou que “devemos estar preparados não só para furacões e terremotos, mas também para ameaças biológicas”.

Ao lembrar da devastação causada pelo ebola na África Ocidental, Price disse que “as doenças infecciosas não respeitam as fronteiras entre os países – como sabem, sem dúvidas, os povos da Libéria, Guiné e Serra Leoa, e como todos sabemos bem. E, como temos visto em nosso próprio hemisfério com a epidemia do vírus zika, podem se propagar rapidamente por meio de viagens internacionais, colocando em perigo a saúde, segurança e prosperidade de pessoas do mundo inteiro”.

Price também manifestou que “há uma grande disparidade de preparação entre os países, que precisa abordar: o custo humano dos surtos de doenças pode aumentar rapidamente, de forma desnecessária, quando os países não têm capacidade para responder”. Da mesma forma, indicou que “a segurança sanitária é uma prioridade” em sua agenda, que a OPAS tem um papel importante a desempenhar na segurança sanitária mundial e que espera que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos de seu país “trabalhe com a OPAS e todos os Estados Membros nestes esforços”.

Etienne falou sobre a necessidade de uma forte ênfase nas políticas e ações de saúde pública para aumentar a equidade em saúde. “Devemos reconhecer coletivamente a necessidade de um enfoque maior no bem-estar humano e em assegurar que o crescimento econômico proporcione progresso para todos. Nossas decisões políticas devem ser informadas mediante uma avaliação de seus impactos nas populações que vivem em condições de vulnerabilidade e nas diferentes dimensões do bem-estar, assim como suas consequências distributivas”.

A diretora da OPAS indicou também a necessidade de foco na mudança climática e seu impacto em saúde. “Todos devemos cooperar para reduzir os fatores que estão contribuindo para a mudança climática e para mitigar seus efeitos na saúde”, disse, acrescentando que novas políticas e ações em áreas são necessárias, como o uso da terra, códigos de construção, habitações resistentes a furacões, proteção nas costas e litorais e gestão da água, assim como “novos enfoques para o desenvolvimento sustentável”.

Os ministros da Saúde das Américas se reúnem esta semana na sede da OPAS para discutir políticas de saúde pública, enfrentar os desafios de saúde e guiar a cooperação técnica da organização em cada país. A Conferência Sanitária Pan-Americana é a autoridade máxima da OPAS, convocada a cada cinco anos para determinar suas políticas e prioridades. Também atua como fórum para o intercâmbio de informações e ideias a respeito da prevenção de doenças; preservação, promoção e recuperação da saúde física e mental; e o fomento à saúde. Acompanhe virtualmente: https://livestream.com/opstv/CSP29.