amazonia covid19 indigenas20 de julho de 2020 – Os povos indígenas de vários países das Américas estão enfrentando um número crescente de casos e mortes por COVID-19, e a Organização Pan-Americana da Saúde instou as autoridades de saúde a “redobrar esforços para impedir a propagação da infecção nessas comunidades, bem como garantir o acesso aos serviços de saúde”.

O alerta da OPAS (em espanhol e inglês) pede o fortalecimento do manejo de casos, utilizando abordagens culturalmente apropriadas e a implementação de medidas preventivas em todos os níveis do sistema de saúde para reduzir a mortalidade associada à COVID-19.

“A pandemia da COVID-19 representa um risco à saúde dos povos indígenas, tanto os que vivem em áreas urbanas quanto os que vivem em assentamentos remotos ou isolados, onde o acesso aos serviços de saúde é um desafio e a capacidade é muitas vezes limitada para atender toda a população”, diz o alerta da OPAS.

Para interromper a transmissão da COVID-19 nas comunidades indígenas, a OPAS recomenda que os líderes indígenas participem de ações para detectar casos precocemente, obter confirmação laboratorial, isolar casos positivos e rastrear e colocar em quarentena os contatos.

“Entre as populações indígenas que vivem em assentamentos remotos ou isolados e em áreas urbanas, alguns dos fatores de risco que podem estar associados a altas taxas de mortalidade por COVID-19 são desnutrição, acesso deficiente ou falta de acesso aos sistemas de saúde, bem como à água potável e saneamento básico, além da alta carga de doenças parasitárias”, ressalta o alerta.

A OPAS analisou a situação da COVID-19 entre populações indígenas em vários países. Na Bolívia, foram registrados 31.249 casos e 1.135 mortes. O Brasil registrou 7.946 casos confirmados e 177 mortes entre povos indígenas no país. O Canadá teve 334 casos confirmados em cinco províncias, incluindo seis mortes. Em 6 de julho, 1.534 casos confirmados foram notificados, 73 deles fatais, entre os colombianos indígenas, enquanto 4.498 casos foram confirmados no Equador, incluindo 144 mortes. No México, 4.092 casos, 649 deles fatais, foram registrados em populações indígenas. Nos Estados Unidos, 22.539 casos confirmados foram notificados em 12 áreas do Serviço de Saúde Indígena. E, na Venezuela, 152 casos, incluindo uma morte, foram relatados entre os povos indígenas.

As estratégias de vigilância da COVID-19 nas comunidades indígenas devem incluir a vigilância comunitária realizada pelos residentes, bem como a atenção primária, em hospitais e centros de saúde, com atenção especial à notificação de rumores de casos ou mortes relacionadas com febre e falta de ar, que devem ser investigados para determinar a causa e fornecer assistência médica imediata às pessoas afetadas, aponta o alerta da OPAS.

A OPAS destacou a importância de uma boa comunicação sobre COVID-19 entre as comunidades indígenas, usando idiomas indígenas e adaptando mensagens para considerar práticas e culturas locais, com símbolos e imagens quando necessário. “As formas pelas quais as mensagens são transmitidas devem ser validadas pelas próprias populações indígenas. As imagens usadas nos documentos e nas redes sociais devem ser inclusivas e nunca devem estigmatizar os povos indígenas”, afirma o documento.

O alerta recomenda que as autoridades de saúde incentivem o intercâmbio entre profissionais tradicionais, terapeutas ancestrais e outros membros da comunidade “para que medidas específicas como distanciamento social, diagnóstico, isolamento e tratamento considerem suas visões de mundo, práticas ancestrais existentes e contextos. Nesse sentido, também é importante considerar a importância e o significado da medicina tradicional para os povos indígenas”.

A OPAS também observa que são necessárias estratégias diferentes para populações em áreas urbanas, residentes em aldeias, populações indígenas migrantes ou populações indígenas em isolamento voluntário, “considerando que a vulnerabilidade e o diferencial de exposição contra a COVID-19 não afetarão da mesma maneira todas as comunidades indígenas”.

A OPAS está trabalhando em estreita colaboração com organizações indígenas da selva peruana, leste da Bolívia, Amazônia Equatoriana, Amazônia Colombiana e Amazônia Brasileira, representadas pela Coordenação de Organizações Indígenas da Bacia do Rio Amazonas (COICA).