Vacinas durante a gestação protegem mães e recém-nascidos, mas coberturas permanecem insuficientes nas Américas

Mujer embarazada despu'es de haber sido vacunada

Durante um webinar regional, especialistas da OPAS alertaram sobre as lacunas persistentes na vacinação materna e fizeram um chamado para fortalecer a recomendação de vacinas durante o pré-natal para proteger gestantes e seus bebês.

Washington, D.C., 1 de setembro de 2026 (OPAS) — As vacinas administradas durante a gestação podem prevenir doenças graves em mulheres e proteger recém-nascidos durante seus primeiros meses de vida, mas as coberturas de vacinação materna continuam insuficientes em grande parte das Américas, alertaram especialistas durante um webinar regional organizado pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Aproximadamente 47% das mortes infantis no mundo ocorrem durante o período neonatal, ou seja, nos primeiros 28 dias de vida. Muitas dessas mortes estão associadas a infecções que podem ser prevenidas por meio da  vacinação materna, incluindo coqueluche, tétano neonatal e vírus sincicial respiratório (VSR).

“A vacinação durante a gestação é uma das intervenções de saúde pública mais seguras e custo-efetivas. Não apenas protege a gestante, mas oferece ao recém-nascido uma proteção fundamental durante seus primeiros meses de vida”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa. “O acesso oportuno às vacinas recomendadas, acompanhado de informações confiáveis, claras e compreensíveis, é essencial para ampliar essa proteção e contribuir para um melhor início de vida”, acrescentou.

Durante o encontro, os especialistas destacaram que a imunização materna proporciona uma dupla proteção: por um lado, protege a mãe e o feto contra infecções potencialmente graves durante a gestação; por outro, protege o recém-nascido por meio da transferência de anticorpos durante a gravidez, oferecendo defesas em uma fase em que ele ainda não pode receber todas as vacinas recomendadas. Além disso, contribui para reduzir a morbidade e a mortalidade associadas a doenças como influenza, tétano, coqueluche e VSR.

As vacinas recomendadas durante a gestação variam de acordo com as políticas nacionais. Nas Américas, a vacinação materna contra influenza, coqueluche e COVID-19 faz parte das estratégias rotineiras de imunização, enquanto a vacinação contra o VSR vem sendo incorporada progressivamente por um número crescente de países.

Em determinadas circunstâncias, outras vacinas também podem ser administradas durante a gestação, como as de hepatite B, hepatite A, febre amarela, poliomielite, raiva ou meningococo, de acordo com o risco de exposição ou situação epidemiológica.

No entanto, desafios importantes persistem. Em 2025, metade dos países das Américas que notificaram dados registrou cobertura vacinal contra influenza em gestantes de 61%. Para as vacinas contra tétano, difteria e coqueluche, o indicador foi de 77,3%. Esses números refletem diferenças significativas entre os países e, em alguns casos, limitações na disponibilidade de dados.

Essas lacunas representam oportunidades perdidas para proteger duas populações especialmente vulneráveis: as gestantes e os recém-nascidos.

Apesar dos desafios, os países da Região ampliaram progressivamente as ferramentas disponíveis para proteger mães e recém-nascidos. Em apenas três anos desde a aprovação da vacina materna contra o VSR, 11 países da Região passaram a utilizar a vacinação materna contra o vírus para prevenir infecções respiratórias graves em bebês durante os primeiros meses de vida.

“Fortalecer a vacinação materna requer integrar a imunização ao atendimento pré-natal, melhorar a recomendação ativa de vacinas por parte dos profissionais de saúde e garantir que as mulheres recebam informações claras e baseadas em evidências para tomar decisões informadas”, afirmou Daniel Salas, gerente executivo do Programa Especial de Imunização Integral da OPAS.

Os especialistas também destacaram a importância de fortalecer os sistemas de informação para registrar e monitorar a vacinação durante a gestação. A falta de integração entre registros de vacinação e prontuários clínicos pode gerar oportunidades perdidas de vacinação, dificuldades para acompanhar os esquemas vacinais e limitações para avaliar os resultados dos programas.

Nesse contexto, a OPAS promove ferramentas como o Sistema de Informação Perinatal (SIP Plus), que permite registrar, identificar, compartilhar e monitorar informações sobre vacinação materna, contribuindo para uma atenção mais integrada às gestantes e aos recém-nascidos.

A OPAS trabalha com os países para integrar a vacinação ao pré-natal, fortalecer tanto os sistemas de informação quanto as campanhas de comunicação social e ampliar o acesso às vacinas recomendadas, com o objetivo de que cada contato de uma gestante com os serviços de saúde se transforme em uma oportunidade para proteger duas vidas.