Brasília, 18 de setembro de 2026 (OPAS) – Maria ainda não nasceu, mas já recebe a proteção produzida pelo organismo da mãe, Rita Lins. Com 31 semanas de gestação, a enfermeira recebeu recentemente as vacinas contra difteria, tétano e coqueluche (dTpa) e contra o vírus sincicial respiratório (VSR), oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado com mães e bebês faz parte da trajetória do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que completa 53 anos nesta sexta-feira (18/09).
O Brasil está entre os países pioneiros na adoção da vacina dTpa para gestantes e também incorporou, em 2025, a vacina contra o VSR, fortalecendo a imunização durante a gestação e nos primeiros meses de vida dos bebês. O SUS também oferece às gestantes vacinas contra influenza, COVID-19 e hepatite B. Cada imunizante possui indicações específicas, que consideram o período da gestação, o histórico vacinal e as condições individuais de saúde.
“Estou protegendo minha filha antes mesmo de ela nascer. Os anticorpos produzidos com a vacinação passam para ela e ajudam a evitar formas graves de algumas doenças”, contou Rita Lins.
A proteção para o bebê é transferida pela placenta e esse processo é especialmente importante nos primeiros meses de vida, quando a criança ainda não pode receber determinadas vacinas.
“A vacinação durante a gestação é uma das estratégias de saúde pública mais eficazes e custo-efetivas ao longo da vida, além de ser parte essencial de um pré-natal de qualidade”, explicou a coordenadora do Programa de Imunização da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Lely Guzmán.
Proteção desde o início da vida
Aproximadamente 47% das mortes de crianças menores de 5 anos no mundo ocorrem no período neonatal, que compreende os primeiros 28 dias de vida. O dado reforça a importância das medidas de prevenção e dos cuidados oferecidos ainda durante a gestação.
A Região das Américas tem uma trajetória de liderança na imunização materna. Atualmente, 22 países e territórios da Região incluem a dTpa em seus calendários, estratégia que contribuiu para a eliminação do tétano materno e neonatal como problema de saúde pública nas Américas.
Doença evitável pela vacinação, o tétano materno e neonatal está relacionado principalmente a condições inadequadas de higiene durante o parto e nos cuidados com o cordão umbilical. Estima-se que as vacinas e outras estratégias globais de eliminação dessas doenças tenham evitado mais de 1,5 milhão de mortes neonatais entre 2000 e 2020.
A vacinação contra o vírus sincicial respiratório também é oferecida durante a gestação. Na Região das Américas, além do Brasil, Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Estados Unidos, México, Panamá, Peru e Uruguai já incorporaram o imunizante. O VSR é uma das principais causas de bronquiolite e pneumonia em crianças pequenas e provoca, anualmente, cerca de 33 milhões de infecções respiratórias em menores de 5 anos de idade no mundo.
Coberturas ainda são insuficientes na Região
Apesar dos avanços, as coberturas vacinais entre gestantes permanecem insuficientes e desiguais nas Américas. Em 2025, metade dos países que notificaram dados registrou cobertura de 61% ou menos para a vacina contra a influenza entre gestantes. Para as vacinas que protegem contra tétano, difteria e coqueluche, metade dos países notificantes apresentou cobertura de 77,3% ou menos.
Entre os desafios estão as desigualdades territoriais no acesso, a fragmentação entre os serviços de pré-natal e de vacinação, as dificuldades para alcançar gestantes em áreas de maior vulnerabilidade ou de difícil acesso e a circulação de informações falsas sobre a segurança dos imunizantes.
A Atenção Primária à Saúde tem papel central na superação desses desafios, por meio do acompanhamento das gestantes, da avaliação da situação vacinal, da recomendação das doses indicadas e do esclarecimento de dúvidas.
“As vacinas recomendadas durante a gestação são seguras, eficazes e amplamente monitoradas para garantir proteção adequada para as pessoas, suas famílias e comunidades, concluiu Lely Guzmán.
Prêmio de jornalismo em saúde
Foi prorrogado até 30 de setembro o prazo de inscrições de reportagens no VII Prêmio SBIm de Jornalismo em Saúde, que este ano tem como tema a “Vacinação da gestante: proteção para a mãe e o bebê”. A iniciativa foi criada em 2009 pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), com os objetivos de estimular a produção de reportagens sobre vacinação e de reconhecer o valor dos profissionais de comunicação para a saúde pública do Brasil.
A atual edição conta com a colaboração técnica da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) — no contexto do Acordo de Cooperação assinado com a SBIm em 2024 — e o apoio institucional da Federação das Associações Brasileiras de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
O prêmio é dividido em três categorias: impresso (jornais ou revistas), áudio e vídeo (rádio e televisão) e texto para internet (sites e agências de notícias). Serão aceitas matérias sobre o tema do concurso, de um ou mais autores, veiculadas a partir de 31 de maio. Os vencedores em cada categoria receberão R$ 7.000,00. Os segundos colocados, R$ 3.500,00. São aceitos até dois trabalhos por concorrente.
A ficha de inscrição e mais informações estão disponíveis em www.premiosbim.com.br
