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OPAS pede por melhoria no controle da diabetes para evitar complicações e COVID-19 grave

12 nov 2020

Nas Américas, mais de 60 milhões de pessoas vivem com diabetes, que, se não controlada, pode causar doenças cardíacas, cegueira, doenças renais e amputações. A diabetes também é uma condição pré-existente que aumenta o risco de formas graves da COVID-19

Washington D.C., 12 de novembro de 2020 – Às vésperas do Dia Mundial da Diabetes, em 14 de novembro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pede um melhor controle da doença para prevenir tanto suas complicações e quanto aquelas associadas à infecção por COVID-19. O organismos internacional também pede que pessoas que vivem com diabetes continuem tendo acesso a serviços de atenção primária à saúde e tratamento em meio à pandemia de COVID-19.

“Estamos duplamente preocupados com o risco que a diabetes pode representar para aqueles que vivem com a doença em geral e durante a pandemia em particular”, disse a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne. "Pessoas com diabetes que não têm acesso a serviços de saúde e medicamentos que permitem seu controle adequado correm maior risco de desenvolver complicações como deficiência visual, doença renal e amputações de membros inferiores, mas agora também correm maior risco de adoecer gravemente se contraírem COVID-19.”

Nas Américas, mais de 60 milhões de pessoas vivem com diabetes, principalmente do tipo 2, e se nenhuma ação for tomada, estima-se que haverá mais de 100 milhões de adultos com a doença em 2040. Além disso, a cada ano mais de 340 mil pessoas na região morrem de complicações relacionadas à doença. Enquanto isso, a COVID-19 já infectou mais de 21 milhões de pessoas na região e os casos continuam a aumentar.

COVID-19 e diabetes

A pandemia de COVID-19 interrompeu a rotina diária de milhões de pessoas na região e tornou a doença mais difícil de controlar. Menos pessoas compareceram a unidades de saúde para consultas de acompanhamento devido a medidas de permanência em casa, medo de infecção pelo novo coronavírus e interrupções nos serviços de saúde. Uma pesquisa recente da OPAS/OMS documentou que mais da metade dos países nas Américas relataram que os serviços de gerenciamento de diabetes e suas complicações foram interrompidos durante a pandemia de COVID-19, com acesso limitado a medicamentos e tecnologias essenciais.

"Muitas pessoas podem não estar recebendo seus medicamentos para diabetes ou podem não ter acesso aos cuidados de que precisam para controlar sua doença, o que é muito preocupante, visto que aqueles que vivem com diabetes correm maior risco de desenvolver formas graves de COVID-19", disse Anselm Hennis, diretor do Departamento de Doenças Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS.

A OPAS pediu aos países para que garantam o tratamento da diabetes totalmente disponível aos pacientes durante a pandemia. Isso pode significar oferecer atendimento fora dos ambientes tradicionais, utilizando soluções digitais de saúde, disseminando informações e aproximando o atendimento da população por meio de agentes comunitários de saúde. A insulina também deve permanecer acessível para aqueles que precisam dela.

A Organização também chamou os profissionais de saúde - incluindo enfermeiras - para garantir que as pessoas com diabetes entendam seu risco e tenham acesso a serviços de saúde de qualidade, informações e ferramentas para controlar sua doença. A OPAS também pediu às pessoas que vivem com a enfermidade que controlem sua doença mantendo-se ativas, alimentando-se de forma saudável e monitorando sua condição, especialmente durante a pandemia.

“Embora muitos possam ter medo de visitar uma clínica, agora não é o momento de pular as visitas de monitoramento da diabetes”, afirmou a diretora da OPAS, Carissa F. Etienne. “As pessoas ainda podem obter os cuidados de que precisam e suas prescrições, mas devem se lembrar de praticar o distanciamento físico, lavar as mãos com frequência e usar máscaras”, observou.

Desacelerando a progressão da diabetes

O sobrepeso e a obesidade, que afetam mais de 60% dos adultos da região, estão fortemente associados à diabetes, uma doença crônica progressiva caracterizada por níveis elevados de glicose no sangue. A diabetes tipo 2 - responsável pela maioria dos casos globais e em grande parte devido ao peso corporal excessivo, dieta não saudável e sedentarismo - está aumentando em todo o mundo. Desde 1980, o número de pessoas com diabetes tipo 2 na região triplicou.

As complicações da diabetes podem ser evitadas por meio de um melhor tratamento e qualidade do atendimento. A doença pode ser prevenida por meio de políticas fiscais e de saúde, legislação, mudanças ambientais e conscientização pública para prevenir fatores de risco, incluindo obesidade, alimentação não saudável e estilos de vida sedentários.

Exemplos dessas intervenções são impostos sobre bebidas açucaradas, proibição da publicidade de alimentos ultraprocessados ​​para crianças, rotulagem frontal dos alimentos para informar os consumidores sobre alto teor de sal, açúcar e gordura e promoção de espaços recreativos seguros e acessíveis para encorajar uma vida ativa. Uma dieta saudável e 30 minutos de atividade física moderada todos os dias podem reduzir a probabilidade de crianças e adolescentes ficarem acima do peso.

Como parte do Plano de Ação Global para a Prevenção e Controle de Doenças Não Transmissíveis, a OPAS apoia os países da região nos esforços para reduzir as complicações relacionadas à diabetes e à mortalidade prematura. A Organização também ajuda os países a comprarem medicamentos para tratar a enfermidade a preços acessíveis, reduzindo os custos associados ao tratamento.