OPAS e parceiros fortalecem a vigilância do hantavírus e de outras febres hemorrágicas nas Américas

técnicos recebem treinamento

Oficina regional no Panamá fortalece capacidades de vigilância, diagnóstico e resposta em 12 países

Panamá, 12 de junho de 2026 (OPAS) — A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em conjunto com instituições regionais e nacionais, concluiu uma oficina no Panamá para reforçar as capacidades de vigilância, diagnóstico e resposta ao hantavírus e a outras febres hemorrágicas virais nas Américas, em um momento em que essas doenças têm despertado maior atenção na região.

A iniciativa reuniu, de 1º a 4 de junho, 55 especialistas de 12 países em Santiago del Este, com o objetivo de fortalecer a capacidade dos países para detectar, investigar e responder oportunamente a esses vírus, que continuam representando um desafio para a saúde pública.

O hantavírus é um grupo de vírus zoonóticos transmitidos principalmente por roedores, que circula nas Américas há mais de três décadas, especialmente no Cone Sul. Na região, pode causar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença rara, mas potencialmente grave, adquirida principalmente pela inalação de partículas contaminadas por excretas de roedores infectados.

O encontro foi organizado em conjunto com o Instituto Conmemorativo Gorgas de Estudios de la Salud (ICGES), do Panamá; o Instituto Nacional de Enfermedades Infecciosas (INEI-ANLIS Malbrán), da Argentina; o Instituto Nacional de Enfermedades Virales Humanas (INEVH-ANLIS Malbrán); e a Divisão de Patógenos Especiais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), com o apoio dos ministérios da Saúde e da Agricultura do Panamá.

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Fortalecimento da vigilância e resposta

Durante quatro dias, especialistas em epidemiologia, laboratório e zoonoses atualizaram seus conhecimentos, trocaram experiências e analisaram avanços e desafios na vigilância regional. Também examinaram a situação do hantavírus e de outras febres hemorrágicas em âmbito regional e global, com ênfase na necessidade de sistemas de vigilância integrados e coordenados entre os países.

Em dezembro de 2025, a OPAS emitiu um alerta epidemiológico após observar um aumento de casos em países endêmicos e recomendou o reforço da vigilância, do diagnóstico oportuno e da resposta intersetorial.

Um dos eixos centrais da oficina foi o fortalecimento das capacidades laboratoriais, incluindo a atualização em testes moleculares e sorológicos e o uso do sequenciamento genômico para aprimorar a vigilância e a análise de surtos. Os participantes também realizaram exercícios práticos conduzidos por especialistas de centros colaboradores.

O programa incluiu ainda uma simulação de investigação de um surto de febre hemorrágica transmitida por roedores. O exercício integrou a identificação de casos, a análise de fatores de risco, o rastreamento de contatos e a análise de amostras humanas e animais, integrando a vigilância epidemiológica, laboratorial e ecológica em uma abordagem coordenada.

Field training

Abordagem intersetorial e preparação regional

A oficina contou com a participação de equipes nacionais de vigilância epidemiológica, laboratórios e programas de zoonoses, incluindo especialistas em caracterização de habitats, captura de animais e controle de roedores. Essa diversidade de perfis técnicos reforçou a importância da colaboração intersetorial sob a abordagem de Uma Só Saúde.

A atividade integrou os esforços da OPAS para fortalecer a preparação regional frente ao hantavírus, especialmente após o aumento de casos registrado em 2025 e o evento de transmissão internacional associado a um cruzeiro que partiu da Argentina em abril de 2026.

Em 2025, oito países da região notificaram 229 casos confirmados e 59 mortes por síndrome pulmonar por hantavírus, principalmente no Cone Sul. Em 2026, até meados de abril, seis países relataram 94 casos e 13 mortes, o que confirma a persistência da doença na região.

Esses números destacam a importância de manter sistemas de vigilância sólidos e coordenados, capazes de detectar e responder rapidamente a possíveis exposições em diferentes contextos, incluindo aqueles relacionados a viagens e turismo.

“Eventos recentes, como o surto ligado a um navio de cruzeiro, destacam a necessidade de manter capacidades técnicas atualizadas e fortalecer a colaboração intersetorial”, disse Andrea Vicari, chefe da Unidade de Gestão de Ameaças Infecciosas da OPAS. “A OPAS continua trabalhando com os países para fortalecer a vigilância, o diagnóstico oportuno e a resposta integrada ao hantavírus e outras zoonoses”, acrescentou.

Não existe vacina nem tratamento antiviral específico contra o hantavírus. A prevenção, baseada no controle de roedores, na limpeza adequada dos ambientes e na redução da exposição humana, continua sendo a medida mais eficaz de proteção.

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