OPAS pede proteção ao aleitamento materno diante da crescente influência do marketing digital

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Durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno, a Organização alerta para o impacto da publicidade online direcionada de fórmulas infantis e pede o fortalecimento das regulamentações e vigilância no ambiente digital.

Washington, D.C., 31 de julho de 2026 (OPAS) – À véspera do início da Semana Mundial do Aleitamento Materno (1 a 7 de agosto), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) fez um chamado aos países das Américas para reforçarem a proteção das famílias diante do crescente marketing digital de substitutos do leite materno e de outros produtos que podem interferir na amamentação.

Embora o aleitamento materno continue sendo uma das intervenções mais eficazes para proteger a saúde e o desenvolvimento de crianças, o ambiente em que as famílias tomam decisões sobre a alimentação infantil mudou profundamente. A publicidade personalizada nas redes sociais, o uso de influenciadores digitais, os algoritmos e a inteligência artificial estão criando novos desafios para garantir que mães, pais e cuidadores recebam informações objetivas e baseadas em evidências.

A amamentação fornece nutrição ideal para os lactentes, fortalece o sistema imunológico, reduz o risco de doenças e favorece um desenvolvimento saudável. Também traz benefícios significativos para a saúde das mães.

Na América Latina e no Caribe, apenas 43% dos lactentes recebem aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, percentual muito abaixo da meta global de 60% estabelecida para 2030. Segundo a OPAS, essa lacuna resulta de múltiplos fatores, entre eles um ambiente digital cada vez mais sofisticado, que pode influenciar as decisões sobre a alimentação infantil.

A OPAS alerta que muitas dessas estratégias atuam de forma pouco visível para os usuários. As empresas utilizam cada vez mais ferramentas digitais para direcionar conteúdos específicos a gestantes, mães recentes e outros cuidadores por meio de promoções em redes sociais, recomendações de influenciadores e publicidade integrada a plataformas digitais.

“A amamentação é muito mais do que uma escolha individual. É uma das formas mais eficazes de garantir que as crianças tenham o melhor começo possível na vida”, afirmou Vanessa García Larsen, chefe da Unidade de Fatores de Risco da OPAS. “Na era digital, proteger a amamentação também significa proteger as famílias de práticas comerciais que podem influenciar suas decisões.”

Dados apresentados recentemente em um seminário regional da OPAS mostram que apenas 45% dos países da América Latina e do Caribe adotaram alguma medida relacionada ao Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno. Apenas dois países, Brasil e Argentina, apresentam alinhamento substancial com o Código, enquanto vários países do Caribe ainda não possuem legislação específica. Além disso, um monitoramento regional identificou possíveis infrações em redes sociais, sites e outras plataformas digitais, onde se concentrou a maior parte da publicidade detectada.

“A publicidade e a promoção de fórmulas infantis comerciais evoluíram e o ambiente digital continua sendo uma lacuna regulatória que ainda não enfrentamos”, afirmou Mónica Mazariegos, pesquisadora do Instituto de Nutrição da América Central e Panamá (INCAP). “As estratégias digitais permitem que as empresas alcancem mães, pais e cuidadores com alta frequência e elevado grau de personalização, por meio de publicidade direcionada.”

Mazariegos destacou que mais de 80% da publicidade desses produtos ocorre por meios digitais e que estudos realizados na América Central mostram que a exposição a esse marketing está associada a uma maior probabilidade de compra e uso desses produtos, além de uma redução de cerca de 50% na continuidade da amamentação após os 12 meses.

O Código Internacional de Comercialização de Substitutos do Leite Materno foi aprovado pela Assembleia Mundial da Saúde em 1981 para proteger a amamentação e garantir que as decisões sobre alimentação infantil não sejam influenciadas por práticas comerciais inadequadas. Mais recentemente, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução que amplia as disposições do Código para abordar melhor o marketing digital, incluindo redes sociais, criadores de conteúdo, influenciadores e outras plataformas digitais.

Especialistas concordaram que a resposta exige atualizar as leis para incluir o marketing digital, fortalecer os mecanismos de monitoramento e fiscalização, utilizar novas tecnologias para detectar infrações e ampliar a cooperação regional diante de uma publicidade que ultrapassa fronteiras. Também destacaram a necessidade de proteger os dados pessoais e aumentar a transparência em relação à publicidade direcionada.

A OPAS também destaca que a proteção contra o marketing de substitutos do leite materno deve ser complementada por serviços de apoio à amamentação, aconselhamento às famílias e políticas que permitam às mulheres amamentar durante o tempo recomendado. Essas medidas fazem parte das intervenções mais eficazes para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno.

“A solução passa por assegurar que as famílias recebam informações objetivas e baseadas em evidências, livres de influências comerciais indevidas”, acrescentou García Larsen. “Para isso, precisamos de marcos regulatórios atualizados, mecanismos eficazes de monitoramento e maior transparência no ambiente digital.”

A Semana Mundial do Aleitamento Materno 2026 será celebrada de 1 a 7 de agosto sob o lema “Amamentação para um início de vida sustentável: fortalecer o que funciona”. Como parte das atividades da semana, a OPAS realizará em 7 de agosto um seminário virtual para compartilhar experiências e estratégias voltadas ao fortalecimento das políticas e programas de apoio à amamentação na região.