OPAS pede reforço da vacinação e da vigilância diante do aumento de casos de sarampo nas Américas

Child gets measles vaccine
iStock/Ed Maynard
Imagem

Região registra o maior número de casos confirmados em 22 anos e mantém risco muito alto para a saúde pública devido a surtos ativos, lacunas de imunização e elevada mobilidade.

Washington, D.C., 8 de agosto de 2026 (OPAS) – Em um novo alerta epidemiológico, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) pediu aos países das Américas que reforcem a vacinação, a vigilância epidemiológica e a resposta rápida aos surtos de sarampo. O alerta ocorre em um contexto de transmissão persistente em vários países e do maior número de casos registrados na região em mais de duas décadas.

Neste ano, até a semana epidemiológica 28 de 2026, encerrada em 18 de julho, a região notificou 47.459 casos confirmados de sarampo em 16 países e um território. Desses, 44 óbitos foram registrados em três países. Isso representa mais de três vezes o total registrado em todo o ano de 2025, quando foram notificados 15.011 casos confirmados em 15 países e 32 mortes em três países. Guatemala, México, Estados Unidos e Peru concentram 95% dos casos confirmados neste ano.

Embora alguns dos maiores surtos da região apresentem sinais recentes de desaceleração, a transmissão continua ativa em diversos países e, segundo uma avaliação de risco atualizada publicada nesta semana pela OPAS, o risco para a saúde pública associado ao sarampo nas Américas continua classificado como muito alto.

Essa classificação se baseia na persistência dos surtos, nas lacunas de vacinação, no acúmulo de pessoas suscetíveis e na elevada mobilidade associada a viagens internacionais e eventos de grande porte, fatores que podem favorecer a disseminação do vírus dentro e entre os países.

A avaliação também destaca o aumento da mortalidade observado em 2026 em comparação com 2025, bem como a detecção de casos em novas áreas geográficas e o impacto desproporcional sobre populações com maiores barreiras de acesso aos serviços de saúde, incluindo comunidades indígenas e grupos populacionais com baixas coberturas vacinais.

“O sarampo não permite complacência. Sabemos como detê-lo: alcançar altas coberturas vacinais, detectar precocemente cada caso suspeito e responder rapidamente para interromper as cadeias de transmissão”, afirmou Daniel Salas, gerente de Imunização da OPAS. “Cada surto evidencia as lacunas de imunidade que ainda persistem e que precisam ser fechadas com urgência, especialmente entre crianças, comunidades com baixa vacinação e populações com menor acesso aos serviços de saúde”, acrescentou.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas do mundo. É transmitido pelo ar ou por gotículas respiratórias quando uma pessoa infectada respira, tosse ou espirra. Pode causar febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e erupção cutânea e, em alguns casos, complicações graves como pneumonia, encefalite, cegueira e morte. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenir a doença e evitar sua propagação.

De acordo com o alerta epidemiológico, a Guatemala notificou 30.371 casos confirmados e 26 mortes, o maior número de casos registrado na região neste ano. Em seguida aparecem o México, com 12.255 casos e 17 mortes; os Estados Unidos, com 2.260 casos; o Peru, com 1.277 casos; e o Canadá, com 1.107 casos.

O número de casos confirmados registrados em 2026 faz deste o ano de maior incidência de sarampo nas Américas desde 2004, o nível mais elevado observado nos últimos 22 anos.

A situação regional ocorre ainda em um contexto de aumento de casos em nível mundial. Até julho de 2026, haviam sido notificados 186.168 casos confirmados de sarampo à Organização Mundial da Saúde (OMS), um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025.

A OPAS lembrou que crianças pequenas (antes da idade recomendada para a primeira dose da vacina), pessoas não vacinadas ou com esquemas vacinais incompletos, populações indígenas, migrantes, pessoas deslocadas e outros grupos com barreiras de acesso aos serviços de saúde continuam enfrentando maior risco de doença grave e morte.

A Organização reiterou que alcançar e manter coberturas de pelo menos 95% com duas doses da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a transmissão, proteger as populações mais vulneráveis e avançar na recuperação do status regional de eliminação da doença.

A OPAS continua prestando cooperação técnica aos países para fortalecer a vigilância epidemiológica, acelerar a vacinação, aprimorar a preparação e a resposta a surtos e reforçar a comunicação de risco, com atenção especial às áreas com transmissão ativa e às populações com maiores lacunas de imunidade.