Cruzeiro do Sul (AC), 13 de abril de 2026 – Em uma celebração no Território Puyanawa, o Ministério da Saúde do Brasil anunciou o Mês de Vacinação dos Povos Indígenas (MVPI). A cerimônia aconteceu na Aldeia Barão, que fica no município de Mâncio Lima, Acre, junto ao povo Puyanawa e outras etnias do Alto Rio Juruá. A iniciativa está vinculada à Semana de Vacinação nas Américas, impulsionada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) entre os dias 25 de abril e 2 de maio, e está integrada à Semana Mundial de Imunização, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) entre 24 e 30 de abril.
“Iniciar o Mês de Vacinação dos Povos Indígenas em um território com desafios históricos de acesso é uma decisão estratégica e necessária. Nosso objetivo é ampliar a cobertura vacinal justamente em locais de baixa cobertura, garantindo que a informação chegue de forma clara e respeitosa, e que a população compreenda a importância da imunização para a proteção individual e coletiva”, disse a secretária de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Lucinha Tremembé.
O Mês de Vacinação dos Povos Indígenas é promovido pela Secretaria de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde e tem o objetivo de aplicar 89 mil doses de vacinas em 650 aldeias, principalmente em áreas de difícil acesso. “Sua decisão faz a diferença. Imunização para todos” é o lema da campanha deste ano no Brasil, que mobilizará 2,5 mil trabalhadores em todo o país para apoiar a vacinação nos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) de 25 de abril a 25 de maio de 2026.
“A vacinação é uma oportunidade de vida”, enfatizou Lely Guzmán, coordenadora de Imunização na OPAS. Ela lembrou que “estamos vivendo uma situação complexa, sofrendo novamente com a desinformação, onde o sarampo está tirando a vida de crianças, muitas delas indígenas. Estamos tendo doenças respiratórias para as quais temos vacinas para proteger nossas comunidades, nossa cultura, e manter nossos povos saudáveis e protegidos”.
O cacique da aldeia Ipiranga, Joel Puyanawa, lembrou que a pandemia de COVID-19 tirou várias vidas em sua aldeia e reforçou a importância da vacinação para preservação da vida e da cultura. “Esse programa veio exatamente para despertar, para dizer que a vacinação ainda continua dentro da experiência do ser humano, das ciências do ser humano, na ciência espiritual, na ciência cultural. A gente tem que saber casar as medicinas para o efeito poder ser aquele efeito esperado”, disse, incentivando seu povo a se vacinar.
O evento também teve a participação do prefeito de Mâncio Lima, Anderson Lima; da secretária Municipal de Saúde do município, Rusie Paula; do presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi) do DSEI Alto Rio Juruá, José Auricélio Sereno Kaxinawá; do major do Comando de Fronteira Juruá/61º Batalhão de Infantaria de Selva, Fabio dos Santos Moreira, e de outras autoridades.
