Semana do Bem-Estar 2026: OPAS conclama ao fortalecimento da governança, da participação social e da ação intersetorial para enfrentar os desafios da saúde

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O Diretor da OPAS, Dr. Jarbas Barbosa, abriu o lançamento da campanha dedicada à comemoração do 40º aniversário da Carta de Ottawa para a Promoção da Saúde, alertando para “a persistência das iniquidades em saúde, os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde e a crescente carga das doenças não transmissíveis”.

Washington, D.C., 14 de setembro de 2026 — O Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Dr. Jarbas Barbosa, abriu o evento de lançamento da Semana do Bem-Estar 2026 com um chamado para “fortalecer a governança, a participação social e a ação intersetorial” diante dos desafios para a saúde enfrentados pela Região das Américas. Entre eles, Barbosa destacou “a persistência das iniquidades em saúde, as mudanças climáticas, que também têm um impacto significativo sobre a saúde das pessoas, a acelerada transição demográfica observada na América Latina e no Caribe, a transformação de nossas cidades e a crescente carga das doenças não transmissíveis”.

Em 2026, a Semana do Bem-Estar comemora o 40º aniversário da Carta de Ottawa para a Promoção da Saúde (1986), um documento histórico que posicionou a saúde como resultado de processos sociais, políticos, ambientais e econômicos que vão além do âmbito exclusivo do setor saúde. A OPAS celebra a Semana do Bem-Estar nas Américas desde 2011, com o objetivo de promover uma visão positiva, integral e participativa da saúde em toda a Região.

Diante desse cenário, o Diretor da OPAS destacou que as Américas têm alcançado “importantes avanços” na promoção da saúde, no contexto da implementação da Estratégia e Plano de Ação sobre Promoção da Saúde da organização. Entre os resultados mencionados pelo Dr. Barbosa, “os países das Américas fortaleceram suas políticas, ampliaram iniciativas de ambientes saudáveis, consolidaram redes de municípios e cidades saudáveis, promoveram a participação social e reforçaram o trabalho intersetorial”. Especificamente, 19 países e territórios das Américas contam com políticas nacionais de ambientes saudáveis; 17 desenvolveram políticas ou programas para abordar os determinantes sociais da saúde e reduzir as iniquidades; 14 implementam políticas nacionais específicas de promoção da saúde; e 18 integraram a promoção da saúde aos serviços baseados na Atenção Primária à Saúde.

“Para continuar avançando, será necessário mais do que investimentos: serão necessários liderança sustentada, parcerias sólidas e uma visão de longo prazo”, afirmou Barbosa, que renovou o compromisso da OPAS “com a saúde para todas as pessoas, fortalecendo as alianças entre governos, sociedade civil, academia, setor privado e organizações internacionais, a fim de promover políticas que coloquem as pessoas e as comunidades no centro da tomada de decisões, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade”.

A diretora interina do Departamento de Determinantes Sociais e Ambientais para a Equidade em Saúde da OPAS, Orielle Solar, destacou que a Semana do Bem-Estar representa uma oportunidade para fortalecer parcerias e acelerar a ação coletiva diante de desafios cada vez mais complexos. Segundo ela, a promoção da saúde continua sendo “uma das ferramentas mais eficazes para enfrentar as doenças não transmissíveis, as mudanças climáticas e as iniquidades que afetam a Região”.

Empoderamento, determinantes sociais e evidência

Lisa Indar, diretora executiva da CARPHA, recordou que a Semana do Bem-Estar das Américas tem suas raízes no movimento impulsionado pelo Caribe para enfrentar a epidemia de doenças não transmissíveis. Ela destacou que promover a saúde não consiste apenas em informar sobre hábitos saudáveis, mas também em criar ambientes que facilitem escolhas saudáveis e sustentáveis para toda a população. “Devemos empoderar as pessoas e as comunidades para que sejam protagonistas da própria saúde”, defendeu, ao mesmo tempo em que ressaltou a necessidade de fortalecer a resiliência comunitária diante dos desafios atuais.

Representando a Secretaria Executiva do Conselho de Ministros da Saúde da América Central e da República Dominicana (SE-COMISCA), José Renán de León Cáceres sublinhou a necessidade de atualizar a agenda de promoção da saúde para responder a desafios emergentes que transcendem o setor da saúde. Além dos determinantes sociais da saúde, destacou a crescente influência dos determinantes digitais e comerciais, bem como a importância de promover políticas públicas equitativas que protejam o bem-estar das populações mais vulneráveis. “A saúde deve estar presente em todas as políticas e em todas as decisões que afetam a vida das pessoas”, afirmou.

O secretário executivo da ORAS-CONHU, Fernando Araos, centrou sua intervenção em três prioridades para avançar rumo a sociedades mais saudáveis: “governar para o bem-estar, investir onde a vida encontra mais obstáculos e medir aquilo que realmente importa para a saúde e a qualidade de vida das pessoas”. Araos acrescentou que as políticas públicas devem ir além dos indicadores econômicos tradicionais e orientar-se para “garantir condições que permitam a todas as pessoas desenvolver plenamente seus projetos de vida”. “O que não é medido”, acrescentou, “não é transformado, e o que não é priorizado, não é corrigido”, disse, defendendo uma tomada de decisões baseada em evidências e focada na redução das desigualdades.