Fundos Rotatórios ajudam a impulsionar produção local e regional de produtos de saúde, afirma OPAS em evento internacional no Brasil

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OPAS/OMS/Karina Zambrana
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Rio de Janeiro, 26 de março de 2026 – Durante o evento de lançamento da primeira chamada de propostas da Coalizão Global para a Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo, na terça-feira (24/03), o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Cristian Morales, afirmou que os Fundos Rotatórios Regionais da OPAS ajudam a impulsionar a produção local e regional de vacinas, medicamentos e insumos de saúde nas Américas, tornando-a região menos dependente de produtos de saúde produzidos em outras partes do mundo.

Morales explicou que os Fundos Rotatórios Regionais da OPAS existem há 50 anos e são um mecanismo de compra agregada, onde se combina a demanda de países maiores, como o Brasil, com a demanda de países menores. Ele destacou ainda que as vacinas, medicamentos e suprimentos ofertados via estes mecanismos estão alinhados aos programas de saúde e às prioridades dos Estados Membros, em consonância com a proposta da Coalizão. “Os Fundos são instrumentos de cooperação técnica e de produção de solidariedade entre os países das Américas”.

Para o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, a Coalizão – liderada pelo Ministério da Saúde, com secretariado executivo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – representa um avanço estratégico para o enfrentamento de desafios globais em saúde. “O primeiro desafio a ser enfrentado foi definido em conjunto pelo comitê diretivo: a dengue. Atualmente, cerca de metade da população mundial está em risco de contrair a doença, com quase 400 milhões de infecções por ano, presente em todos os continentes”, ressaltou.

Alexandre Padilha explicou ainda que “o Brasil possui a vacina do Butantan, que representa uma grande esperança. Contudo, ainda há desafios em relação à produção, ao diagnóstico e ao tratamento. Por isso, as parcerias internacionais podem fortalecer a produção local e regional de vacinas, tratamentos e diagnósticos, além de estimular a inovação e promover o acesso equitativo”.

A Coalizão foi proposta pelo Brasil em 2024, quando o país ocupava a presidência do G20, que é um fórum de cooperação econômica internacional composto por 19 países (África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia e Turquia) e dois órgãos regionais: a União Africana e a União Europeia. 

“Em um momento de crescentes desafios de saúde global, esta chamada de propostas reflete um compromisso coletivo com a ciência, a pesquisa e desenvolvimento e a equidade em saúde, fortalecendo a produção regional, promovendo tecnologias inovadoras para doenças prioritárias e possibilitando o crescimento científico e econômico de forma sustentável”, disse o diretor-geral assistente da OMS para Promoção da Saúde, Prevenção de Doenças e Cuidados, Jeremy Farrar, que também preside o Comitê Consultivo da Coalizão.

O presidente da Fiocruz e secretário executivo da Coalizão, Mario Moreira, destacou a importância de enfrentar desafios para ampliar e garantir a sustentabilidade no acesso a produtos de saúde. “A Coalizão representa uma ação singular no cenário da saúde global ao propor uma articulação concreta entre inovação, produção local e regional e acesso equitativo. A primeira chamada traduz a ambição dessa ação: é o momento em que passamos do compromisso político para a implementação, mobilizando diversos parceiros em torno de soluções que respondam às necessidades reais das populações mais vulneráveis”, pontuou. Segundo ele, a expectativa é de que essa chamada inaugure uma nova forma de trabalho, mais coordenada, sinérgica, estratégica e orientada para impacto.

A chamada de propostas busca identificar e apoiar projetos que estimulem a estruturação de redes globais sustentáveis que garantam tecnologias essenciais, como vacinas, terapias e diagnósticos, para doenças negligenciadas e pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade. Podem se candidatar governos, organizações internacionais, instituições privadas e públicas e organizações sem fins lucrativos.