PANAFTOSA-OPS
A celebração reuniu, em suas instalações, no Rio de Janeiro, autoridades do Brasil, instituições de saúde pública e animal e profissionais que contribuíram para a trajetória do Centro da OPAS
Rio de Janeiro, 27 de agosto de 2026 (PANAFTOSA/SPV-OPAS/OMS) – O Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (PANAFTOSA/SPV) da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) comemorou, neste 27 de agosto, 75 anos de cooperação técnica a serviço da saúde pública veterinária, da saúde animal e do desenvolvimento das Américas, em uma cerimônia que reuniu, em suas instalações em Duque de Caxias, Rio de Janeiro, autoridades brasileiras, instituições vinculadas à saúde animal e à saúde pública e profissionais que fazem parte de sua história.
O aniversário foi uma oportunidade para reconhecer os avanços alcançados ao longo de sete décadas e meia de trabalho conjunto com os países das Américas e, ao mesmo tempo, reafirmar o compromisso da PANAFTOSA com os desafios sanitários presentes e futuros sob a abordagem de Uma Só Saúde.
Criada em 27 de agosto de 1951 por meio de um acordo entre a Repartição Sanitária Pan-Americana, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Governo do Brasil, a PANAFTOSA nasceu com o mandato de apoiar os países da região na prevenção, no controle e na erradicação da febre aftosa.
Desde então, sua missão foi progressivamente ampliada. Atualmente, o Centro oferece cooperação técnica para fortalecer as capacidades nacionais de prevenção, vigilância e controle de doenças zoonóticas e transmitidas por alimentos, contenção da resistência aos antimicrobianos e resposta a outros riscos sanitários na interface entre as pessoas, os animais e o meio ambiente.
“A atuação da PANAFTOSA foi fundamental para os avanços alcançados no enfrentamento da febre aftosa na América do Sul e para avançar rumo à eliminação da raiva humana transmitida por cães, demonstrando que a cooperação entre os países produz resultados concretos e sustentáveis”, afirmou o Diretor da OPAS, doutor Jarbas Barbosa, em sua mensagem em vídeo durante a cerimônia.
Foto: Karina Zambrano/OPS
Uma história construída por meio da cooperação
A trajetória da PANAFTOSA está estreitamente vinculada a alguns dos principais avanços da saúde animal e da saúde pública veterinária nas Américas. Seu trabalho contribuiu para o fortalecimento dos serviços veterinários, dos sistemas de vigilância e diagnóstico e dos mecanismos de coordenação regional que permitiram avançar rumo ao controle e à erradicação da febre aftosa.
A partir dessa experiência, a PANAFTOSA ampliou seu trabalho para outros desafios sanitários, entre eles a eliminação da raiva humana transmitida por cães, a prevenção e o controle da hidatidose, a segurança dos alimentos, a vigilância de doenças zoonóticas, incluindo a influenza aviária e a febre amarela a partir de uma abordagem intersetorial, a resistência aos antimicrobianos e os acidentes causados por animais peçonhentos.
Essa evolução reflete a abordagem de Uma Só Saúde, que reconhece que a saúde das pessoas, dos animais e dos ecossistemas está estreitamente relacionada e que muitos dos riscos sanitários atuais exigem respostas coordenadas e integradas.
“A PANAFTOSA nasceu para enfrentar a febre aftosa e, ao longo de seus 75 anos, evoluiu para acompanhar os países diante de desafios sanitários cada vez mais amplos, abrangendo as zoonoses, a segurança dos alimentos, a resistência aos antimicrobianos e outros riscos sob a abordagem de Uma Só Saúde. Nossa maior força continua sendo a capacidade de evoluir sem perder nossa essência: a cooperação técnica com os países das Américas”, destacou o Diretor da PANAFTOSA, Dr. Manuel Sánchez.
Foto: Karina Zambrano/OPS
O reconhecimento do Brasil e da cooperação regional
A cerimônia contou com a participação de autoridades e instituições brasileiras vinculadas à saúde pública e à saúde animal, refletindo o papel do Brasil como país anfitrião e parceiro estratégico do Centro e o caráter regional da missão da PANAFTOSA.
Em sua mensagem por ocasião do aniversário, o Diretor da OPAS, doutor Jarbas Barbosa, destacou a contribuição da PANAFTOSA para os avanços sanitários da região e expressou seu agradecimento ao Governo do Brasil e ao Ministério da Agricultura e Pecuária pelo apoio ao fortalecimento do Centro e ao cumprimento de sua missão regional.
O Representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Morales, destacou como a capacidade técnica brasileira, quando articulada regionalmente por meio da OPAS e da PANAFTOSA, atravessou fronteiras e se traduziu diretamente em vidas salvas. “E agora, vamos trabalhar de maneira ainda mais coesa com a PANAFTOSA, nesta nova etapa de sua história, com uma visão cada vez mais integrada dos desafios da saúde pública veterinária e de Uma Só Saúde”, acrescentou.
Foto: Karina Zambrano/OPS
Entre as autoridades presentes, Carlos Goulart, Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (MAPA), agradeceu a oportunidade de o Ministério estar presente na celebração dos 75 anos de trajetória da PANAFTOSA e destacou o orgulho de o Brasil sediar a instituição. Ressaltou ainda que “o Brasil acreditou desde o início no projeto de multilateralismo”. “Sou um privilegiado por estar aqui celebrando os 75 anos da PANAFTOSA, com o Brasil alcançando um novo status, um novo patamar em matéria de saúde animal e de febre aftosa”, afirmou.
“Temos que ter clareza sobre nossa dívida com a PANAFTOSA, que tem essa força, que Brasil segue acreditando, e essa capacidade de reunir esforços diante das doenças transfronteiriças. Não seria possível alcançar esses resultados sem uma organização multilateral e regional. A PANAFTOSA e a OPAS contribuem para que os países avancem, independente dos mandatos dos governos, ao longo de uma luta de 75 anos”, acrescentou.
Foto: Magno Pereira/PANAFTOSA-OPS
Finalmente, Ricardo Augusto Rosa Mansur, Secretário de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento do Interior do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que “A PANAFTOSA conta com uma trajetória de 75 anos de contribuição fundamental para a saúde animal e a saúde pública veterinária nas Américas. A participação do Rio de Janeiro neste momento reforça a importância da integração entre os diferentes setores e instituições para a prevenção e o enfrentamento dos desafios sanitários. É uma honra celebrar essa história e reafirmar nosso compromisso com Uma Só Saúde, com a produção agropecuária e com o desenvolvimento sustentável do nosso estado”.
Foto: Magno Pereira/PANAFTOSA-OPS
Uma memória construída por aqueles que fizeram parte da PANAFTOSA
Um dos momentos centrais da celebração foi a apresentação do documentário “PANAFTOSA, as vozes de 75 anos de cooperação”, que percorre a trajetória do Centro por meio de depoimentos de ex-diretores e antigos funcionários.
O documentário resgata experiências e lembranças daqueles que contribuíram para construir a instituição e mostra a evolução da PANAFTOSA desde seus primeiros anos de trabalho contra a febre aftosa até sua atual missão em saúde pública veterinária.
A produção também valoriza a dimensão humana desses 75 anos de história: profissionais, técnicos, pesquisadores e colaboradores que, em diferentes funções, contribuíram para consolidar as capacidades do Centro e seu trabalho junto aos países da região.
Olhar para o futuro sem perder de vista os avanços alcançados
O aniversário também permitiu colocar em perspectiva os desafios que a região enfrenta atualmente.
Os avanços no enfrentamento da febre aftosa exigem a manutenção de sistemas sólidos de prevenção, vigilância e preparação diante de uma eventual reintrodução do vírus. Ao mesmo tempo, o surgimento e a expansão de novas ameaças, as doenças zoonóticas, a resistência aos antimicrobianos e os riscos associados aos alimentos exigem uma cooperação cada vez mais integrada entre os setores de saúde humana, saúde animal e meio ambiente.
Setenta e cinco anos após sua criação, a PANAFTOSA reafirma seu compromisso de trabalhar junto aos países para proteger os avanços alcançados, antecipar-se a novos riscos sanitários, fortalecer a preparação para emergências e fortalecer sistemas mais resilientes sob a abordagem de Uma Só Saúde.
Foto: Karina Zambrano/OPS
