Autoridades aprovaram novas estratégias regionais para fortalecer a preparação para emergências, enfrentar a resistência aos antimicrobianos, reduzir a dengue e outras arboviroses e melhorar a segurança dos alimentos, além de avançar no acesso a vacinas, medicamentos e outras tecnologias.
Washington, D.C., 2 de outubro de 2026 (OPAS) – O 63º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) foi concluído com a aprovação, pelos países das Américas, de uma série de decisões destinadas a fortalecer a preparação para emergências de saúde cada vez mais frequentes, enfrentar a resistência aos antimicrobianos, reduzir a crescente carga da dengue e de outras arboviroses, melhorar a segurança dos alimentos e ampliar o acesso a tecnologias em saúde.
Durante cinco dias, ministros, ministras e outras autoridades de saúde das Américas se reuniram em Washington, D.C., para analisar as principais prioridades de saúde pública, revisar os avanços das iniciativas regionais e adotar decisões destinadas a fortalecer os sistemas de saúde e promover a saúde e o bem-estar em toda a região.
“As resoluções e decisões adotadas durante este Conselho orientarão nosso trabalho nos próximos anos. Mas seu verdadeiro valor não será medido pelo que foi aprovado nesta sala. Será medido pelas mudanças que ocorrerem na vida das pessoas a quem servimos”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa.
Fortalecimento da segurança sanitária
Um dos principais resultados da reunião foi a aprovação da Estratégia para fortalecer a gestão de risco e emergências de saúde em prol da segurança sanitária 2026-2031, cujo objetivo é fortalecer a capacidade dos países de prevenir, preparar-se e responder a emergências de saúde, ao mesmo tempo em que são construídos serviços e sistemas de saúde mais seguros e resilientes e reforçada a cooperação regional.
A estratégia é adotada em um contexto no qual as Américas enfrentam desastres, surtos e outras ameaças à saúde cada vez mais frequentes. Entre 2021 e 2024, quase 30% de todos os desastres registrados no mundo ocorreram na região.
Os Estados Membros também aprovaram o Plano de ação sobre resistência aos antimicrobianos 2027-2031, que promove uma abordagem de Uma Só Saúde e busca fortalecer a vigilância, capacidade laboratorial, prevenção e controle de infecções, uso adequado de antimicrobianos e o acesso a testes diagnósticos e vacinas.
Da mesma forma, o Conselho aprovou a Estratégia de gestão integrada para prevenção e controle de arboviroses 2026-2035, que fortalecerá a resposta regional a doenças como dengue, chikungunya e zika por meio de melhorias na vigilância, prevenção, controle de vetores, atenção clínica e resposta a surtos.
A estratégia foi adotada após a maior epidemia de dengue registrada até o momento nas Américas. Em 2024, os países notificaram mais de 13 milhões de casos e mais de 8,4 mil mortes pela doença na região.
Uma nova Estratégia e plano de ação sobre segurança dos alimentos 2026-2031 apoiará os países no fortalecimento dos sistemas de segurança dos alimentos, vigilância, serviços de laboratório e abordagens baseadas em risco para reduzir as doenças transmitidas por alimentos e melhorar a coordenação entre setores.
O novo marco aborda um importante desafio de saúde pública nas Américas, onde se estima que as doenças transmitidas por alimentos afetem 43,7 milhões de pessoas e causem cerca de 78 mil mortes por ano.
Fortalecimento do acesso a tecnologias em saúde
Os países também avançaram nos esforços para fortalecer e modernizar os Fundos Rotatórios Regionais da OPAS, que facilitam o acesso a vacinas, medicamentos, testes diagnósticos e outras tecnologias essenciais em saúde.
“Esses mecanismos permitem que os países continuem ampliando o acesso a vacinas, medicamentos, diagnósticos e outras tecnologias que salvam vidas todos os dias em nossa região”, destacou Barbosa.
As mudanças aprovadas buscam tornar os Fundos mais eficientes, flexíveis e sustentáveis, mantendo, ao mesmo tempo, a compra conjunta como um mecanismo fundamental para ampliar o acesso a produtos de saúde com qualidade garantida a preços acessíveis.
Somente durante o último biênio, os Fundos Rotatórios Regionais da OPAS contribuíram para proteger aproximadamente 170 milhões de pessoas por meio de mecanismos de compra conjunta e financiamento compartilhado.
Avanços para a saúde nas Américas
O 63º Conselho Diretor também abordou prioridades como a eliminação de doenças, atenção primária à saúde e saúde digital, além de oferecer um espaço para que os países compartilhassem experiências e soluções destinadas a fortalecer os sistemas de saúde.
Durante a semana, a OPAS apresentou uma nova edição da publicação Saúde nas Américas, que detalha que quase 40% da carga de doenças da região poderia ser evitada por meio de uma prevenção mais robusta, diagnóstico e tratamento precoces e sistemas de saúde mais eficazes.
O Conselho também reconheceu as conquistas alcançadas durante o último ano na eliminação de doenças no Brasil, Chile, El Salvador, Bahamas e Ilhas Turcas e Caicos, incluindo avanços históricos no enfrentamento do HIV, hanseníase, tracoma, raiva e hepatite B. Essas conquistas destacam os avanços que podem ser alcançados por meio de compromisso político sustentado, sistemas de saúde sólidos, evidências científicas e cooperação regional.
A OPAS também comemorou o 50º aniversário de seu Programa de Emergências, reconhecendo cinco décadas de apoio aos países para se prepararem, responderem e se recuperarem de algumas das emergências de saúde mais complexas enfrentadas pela região.
Além das deliberações do Conselho Diretor, a semana incluiu a 78ª sessão do Comitê Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas, na qual autoridades de saúde debateram prioridades mundiais e regionais de saúde, incluindo o futuro financiamento da saúde global e o trabalho da OMS na região.
Ao participar de forma virtual, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou os avanços das Américas na preparação para emergências de saúde, eliminação de doenças, saúde digital e cooperação regional e afirmou que os Fundos Rotatórios Regionais da OPAS constituem um dos exemplos mais bem-sucedidos de solidariedade em ação no mundo.
Também afirmou que essas conquistas “refletem a liderança política, o compromisso dos trabalhadores da saúde e das comunidades e o valor duradouro da cooperação regional”.
“Durante esta semana, vimos mais uma vez que a diversidade de nossa região é uma de nossas maiores fortalezas. Nenhum país tem todas as respostas. Mas, juntos, contamos com uma extraordinária riqueza de experiência, conhecimentos e criatividade”, afirmou Barbosa.
“Ao concluirmos esta reunião, mantenhamos vivo o diálogo, trocando ideias, aprendendo uns com os outros e participando de debates construtivos que fortaleçam nossas decisões e nossas instituições”, acrescentou o diretor da OPAS.
As decisões adotadas nesta semana contribuirão para fortalecer a capacidade da região de prevenir e responder a ameaças à saúde, ampliar o acesso a tecnologias em saúde e avançar rumo a sistemas de saúde mais sólidos e resilientes nas Américas.
