Ministério da Saúde do Brasil reconhece estados e municípios que eliminaram a transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatite B

Certificacao Subnacional
OPAS/OMS/Karina Zambrana
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Brasília, 3 de dezembro de 2025 – O Ministério da Saúde do Brasil entregou nesta quarta-feira (3/12) a cinco estados e 50 municípios a certificação pela eliminação da transmissão vertical de HIV, sífilis e/ou hepatite B, além de conceder selos de boas práticas. O representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Cristian Morales, participou da atividade.

Cristian Morales destacou que a iniciativa de certificação subnacional do país está alinhada aos indicadores e modelos da OPAS e da OMS. “Hoje celebramos não apenas indicadores, celebramos vidas protegidas, sistemas fortalecidos e compromisso permanente do Brasil com uma agenda de equidade e de prevenção”, disse. O Brasil adotou essa estratégia em 2017 e definiu a aplicação em municípios com mais de 100 mil habitantes.

O representante da OPAS e da OMS no Brasil também ressaltou que a estratégia “estimula a organização dos serviços, fortalece a vigilância epidemiológica, aprimora a qualidade diagnóstica e integra princípios fundamentais de direitos humanos, igualdade de gênero e participação social”.

O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, chamou a atenção para a importância dos secretários e secretárias de saúde, prefeitos, membros do Conselho Municipal de Saúde, dos governos estaduais, do Conselho Estadual e do movimento social, para seguir avançando na eliminação da transmissão vertical do HIV, da sífilis, da hepatite B, entre outras doenças. “Para que a gente possa, a cada ano, quem foi bronze hoje, ser ouro no próximo ano, e mais gente vir para as metas de eliminação, não só em relação a HIV”. Ouro, prata e bronze são as categorias dos selos de boas práticas entregues pelo Ministério da Saúde aos municípios e estados pelos resultados apresentados.

Renata Soares, do Movimento das Cidadãs Posithivas, falou que o momento de certificação reafirma o trabalho coletivo entre gestores, profissionais e movimentos sociais. “A prevenção só se completa quando alcança quem está nas margens. Quando rompe estigmas, quando dialoga com a realidade diversa e quando reconhece que cuidado também é luta por direitos”.

Panorama

O Brasil registrou queda de 13% no número de óbitos por aids entre 2023 e 2024, o que representa mais de mil vidas salvas, segundo o novo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde na segunda-feira (1/12). Os dados refletem os avanços em prevenção, diagnóstico e, principalmente, no acesso gratuito pelo SUS a terapias de ponta capazes de tornar o vírus indetectável e intransmissível.

O número de mortes por aids no Brasil caiu de mais de 10 mil em 2023 para 9,1 mil em 2024. Pela primeira vez, o número de óbitos ficou abaixo de dez mil em três décadas. Os casos de aids também apresentaram redução no período, com queda de 1,5%, passando de 37,5 mil em 2023 para 36,9 mil no último ano.

No componente materno-infantil, também segundo dados do Ministério da Saúde, o país registrou queda de 7,9% nos casos de gestantes com HIV (7,5 mil) e de 4,2% no número de crianças expostas ao vírus (6,8 mil). O início tardio da profilaxia neonatal caiu 54%, o que demonstra melhora significativa na atenção ofertada no pré-natal e nas maternidades.

Além disso, o Brasil manteve a taxa de transmissão vertical abaixo de 2% e a incidência da infecção em crianças abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos. O país também atingiu mais de 95% de cobertura em pré-natal, testagem para HIV e oferta de tratamento às gestantes que vivem com o vírus.

Prevenção, diagnóstico e tratamento

O Brasil adota a estratégia de prevenção combinada, que reúne diferentes métodos para reduzir o risco de infecção pelo HIV. Antes centrada principalmente na distribuição de preservativos, a política incorporou ferramentas como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que reduzem o risco de infecção antes e depois da exposição ao vírus. Para dialogar com o público jovem, que vem reduzindo o uso de preservativos, o Ministério da Saúde lançou camisinhas texturizadas e sensitivas, com a aquisição de 190 milhões de unidades de cada modelo.

O país também ampliou o acesso à Profilaxia Pré-Exposição. Desde 2023, o número de usuários da PrEP cresceu mais de 150%, resultado que fortaleceu a testagem, aumentou a detecção de casos e contribuiu para a redução de novas infecções. Atualmente, 140 mil pessoas utilizam a PrEP diariamente.

No diagnóstico, houve expansão na oferta de exames com a aquisição de 6,5 milhões de duo testes para HIV e sífilis, 65% a mais do que no ano anterior, além da distribuição de 780 mil autotestes, que facilitam a detecção precoce e o início oportuno do tratamento.

O Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro mantém oferta gratuita de terapia antirretroviral e acompanhamento a todas as pessoas diagnosticadas com HIV. Mais de 225 mil utilizam o comprimido único de lamivudina mais dolutegravir – combinação de alta eficácia, melhor tolerabilidade e menor risco de efeitos adversos a longo prazo. Por concentrar o tratamento em uma única dose diária, o esquema favorece a adesão e melhora a qualidade de vida.