A iniciativa entre CSL Seqirus e Sinergium, com o acompanhamento da OPAS, instalará no país uma plataforma de produção celular para vacinas contra a gripe
Buenos Aires, 6 de março de 2026 (OPAS) — A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) anunciou um acordo de transferência de tecnologia celular para a produção de vacinas contra a influenza sazonal, coordenado junto aos laboratórios CSL Seqirus, com tecnologia desenvolvida em sua planta nos Estados Unidos, e à empresa Sinergium, da Argentina.
Essa iniciativa permitirá modernizar e fortalecer as capacidades locais e regionais de produção de vacinas, ao incorporar uma plataforma mais avançada do que a tradicionalmente utilizada. O anúncio foi realizado durante a visita à Argentina do diretor da OPAS, Jarbas Barbosa.
“A produção regional de vacinas é um componente essencial da segurança sanitária nas Américas. Este acordo representa um passo concreto para fortalecer a capacidade tecnológica da região, reduzir dependências externas e melhorar nossa preparação frente a futuras epidemias e pandemias”, afirmou Jarbas Barbosa.
Diferentemente dos métodos tradicionais baseados em ovos, a tecnologia celular oferece maior flexibilidade, escalabilidade e consistência nos processos de produção, o que permite otimizar os tempos de fabricação, aumentar a eficiência e facilitar o desenvolvimento de vacinas contra a influenza sazonal e com potencial pandêmico.
O acordo apoia-se na experiência dos Fundos Rotatórios da OPAS no planejamento e na consolidação da demanda por vacinas na região, bem como na articulação com os países, o que gera previsibilidade e sustentabilidade no acesso a essas tecnologias sanitárias.
Graças à estratégia de produção regional impulsionada pela OPAS, a Argentina passou a cobrir 50% da demanda regional de vacinas contra influenza sazonal adquiridas por meio dos Fundos Rotatórios, frente a apenas 8% anteriormente. Além disso, graças às compras em volume, o preço da vacina produzida no país foi reduzido em aproximadamente 15%. Isso transforma a Argentina em um fornecedor estratégico nas Américas e contribui para fortalecer a competitividade regional na produção de vacinas.
“Argentina conta com uma base biotecnológica sólida e recursos humanos altamente qualificados”, disse o gerente executivo dos Fundos Rotatórios Regionais da OPAS, Santiago Cornejo. “Como resultado dessa transferência tecnológica, espera-se que o país não apenas fortaleça sua capacidade produtiva, mas também amplie a oferta regional de vacinas e se consolide como um ator estratégico no mercado global”, acrescentou.
Prevê-se que a nova plataforma entre em operação em 2028, com uma capacidade estimada de produção de até 400 milhões de doses anuais quando estiver em pleno funcionamento.
A estratégia proposta e os esforços para ampliar a produção regional de outras vacinas, como PCV20 e hepatite A, somados à vacina contra influenza sazonal, podem gerar para o país exportações de até 250 milhões de dólares por ano por meio dos Fundos Rotatórios. Como se trata de compromissos multianuais de quatro anos, as exportações poderiam alcançar até 1 bilhão de dólares em produtos biológicos com tecnologia de ponta.
Essa iniciativa faz parte da agenda de cooperação técnica da OPAS para fortalecer a resiliência sanitária da região. Na Argentina, dá continuidade a avanços recentes, entre eles a introdução da vacina PCV20 por meio do Fundo Rotatório, o apoio ao projeto de desenvolvimento local de vacinas baseadas em tecnologia de mRNA e a assinatura de convênios com as 24 jurisdições do país para facilitar sua participação no Fundo Estratégico da OPAS. Essas ações apoiam uma agenda nacional voltada para ampliar a produção, a disponibilidade e o acesso equitativo a ferramentas sanitárias críticas.
Sobre a influenza
A influenza sazonal representa uma carga significativa para a saúde pública nas Américas. Segundo análises recentes em seis países da América do Sul, com uma população total de 307 milhões de pessoas, a OPAS estima que, em média, a cada ano, durante as temporadas de influenza entre 2015 e 2019, foram registrados entre 51 e 78 milhões de casos leves a moderados (16% a 25% da população), entre 323.379 e 490.049 hospitalizações e entre 22.662 e 46.971 mortes.
A vacinação é uma estratégia fundamental para prevenir complicações graves e reduzir hospitalizações e mortes associadas à influenza. Estudos mostram que as vacinas disponíveis contra a doença são seguras e eficazes para prevenir hospitalizações e complicações, com uma eficácia estimada que varia entre 30% e 75%, dependendo do grupo etário, da temporada e da correspondência entre a vacina e as cepas circulantes.
Sobre os Fundos Rotatórios Regionais
Os Fundos Rotatórios Regionais da OPAS — compostos pelo Fundo Rotatório para o Acesso a Vacinas (com mais de 40 anos de funcionamento) e pelo Fundo Rotatório Regional para Suprimentos Estratégicos de Saúde Pública — são mecanismos de cooperação técnica que permitem consolidar a demanda regional, aproveitar economias de escala e negociar de forma transparente com fornecedores.
Essa abordagem reduz custos, fortalece os programas nacionais de imunização e saúde e contribui para o controle e a eliminação de doenças nas Américas.
Por meio desses Fundos, a OPAS trabalha com os Estados Membros para fortalecer as capacidades de produção e fornecimento de vacinas e outras tecnologias médicas essenciais, com o objetivo de garantir acesso equitativo em toda a região. Esse trabalho inclui planejamento da demanda, coordenação de compras conjuntas, fortalecimento logístico, apoio regulatório, assistência técnica e desenvolvimento de capacidades nacionais para responder de forma rápida e segura a surtos e emergências sanitárias.
