OPAS chama países a reforçarem a vacinação diante do aumento de casos de difteria nas Américas

mujer vacunandose

Washington, D.C., 15 de junho de 2026 (OPAS) – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) faz um chamado aos países das Américas para fortalecer os programas de imunização de rotina e reduzir as lacunas de vacinação diante do aumento de casos de difteria notificados na região.

Segundo o alerta epidemiológico emitido recentemente pela OPAS, durante as primeiras 21 semanas de 2026 foram registrados 163 casos confirmados de difteria nas Américas, incluindo cinco mortes - mais do que o dobro dos casos notificados em 2025 e significativamente acima da média observada nos últimos anos. Os casos foram notificados no Brasil, Haiti e Peru, sendo o Haiti o país que concentrou a grande maioria das infecções (159 casos) e todas as mortes.

Mais da metade dos casos confirmados este ano ocorreu em pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida.

O aumento ocorre em um contexto em que a cobertura de vacinação contra a difteria permanece abaixo dos níveis necessários para prevenir surtos.

Após três anos consecutivos de recuperação, a cobertura regional da terceira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP) caiu de 88% em 2023 para 87% em 2024, abaixo da meta de 95% recomendada para garantir uma forte proteção comunitária. Vários países continuam relatando coberturas inferiores a 80%, enquanto outros apresentam altas taxas de abandono (interrupção do esquema) entre a primeira e a terceira dose da vacina.

No alerta, a OPAS adverte que, dada a situação atual - em que a cobertura de vacinação contra a difteria tem permanecido abaixo dos níveis ideais nos últimos anos, juntamente com o surgimento de novos casos em alguns países da região -, os países devem reduzir as lacunas de vacinação por meio do fortalecimento dos programas de vacinação de rotina, recuperação da vacinação e das atividades de acompanhamento. A OPAS também chama os países a reforçarem a vigilância epidemiológica de doenças preveníveis por vacinação.

A queda nas coberturas vacinais tem deixado grupos populacionais vulneráveis a doenças preveníveis por vacinação. Embora as Américas tenham alcançado avanços importantes no controle da difteria nas últimas décadas, a doença continua circulando globalmente e pode reaparecer quando as coberturas vacinais diminuem.

A OPAS incentiva os países a utilizarem estratégias de microplanejamento para identificar e vacinar populações que não foram alcançadas pelos serviços de vacinação. A Organização também recomenda aproveitar cada oportunidade de contato das pessoas com o sistema de saúde para verificar o estado vacinal e completar os esquemas necessários.

O alerta destaca que “é urgente aumentar as coberturas tanto do esquema primário (3 doses) quanto dos reforços recomendados (3 doses) em crianças, adolescentes e adultos”, a fim de prevenir novos casos e surtos.

Além da vacinação, a OPAS faz um chamado aos países para fortalecer a vigilância, garantir a confirmação laboratorial rápida dos casos suspeitos, manter estoques adequados de soro antidiftérico e capacitar os profissionais de saúde na detecção e resposta a surtos.

A difteria é uma infecção bacteriana grave causada por Corynebacterium diphtheriae e transmitida por meio de gotículas respiratórias. Caracteriza-se pela formação de uma membrana espessa acinzentada (pseudomembrana) na garganta e nas amígdalas, que pode obstruir as vias respiratórias. Se não tratada, as toxinas produzidas pela bactéria podem causar graves dificuldades respiratórias, além de danos ao coração e ao sistema nervoso, podendo levar à morte. Pessoas não vacinadas ou com esquemas vacinais incompletos permanecem as mais expostas ao risco de infecção.

A OPAS recomenda que os países ofereçam às crianças o máximo nível de proteção, alcançando e mantendo coberturas vacinais de pelo menos 95% com o esquema primário de três doses da vacina DTP e os reforços recomendados. A Organização também orienta fortalecer a conscientização pública sobre os sintomas da difteria e a importância da vacinação, ao mesmo tempo em que recomenda que os profissionais de saúde estejam preparados para detectar, notificar e manejar rapidamente casos suspeitos.

“A vacinação é fundamental para prevenir casos e surtos”, afirma a OPAS no alerta, destacando que reduzir as lacunas de vacinação e manter altas coberturas é essencial para proteger as populações das Américas.