OPAS participa do MEDTROP 2026 e destaca prioridades para a saúde nas Américas

mesa de abertura
Divulgação SBMT
Imagem

Brasília, 17 de agosto de 2026 – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) está presente no 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP 2026), que reúne pesquisadores, profissionais de saúde e estudantes de todo o país. Na abertura do evento, realizada em 16 de agosto, o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, destacou a importância do tema desta edição, “Saúde nos trópicos: uma visão integradora sob a perspectiva do sul global”. Segundo ele, essa perspectiva é especialmente relevante porque muitas das soluções mais eficazes em saúde pública surgiram em países que enfrentam esses desafios.

“As Américas têm uma longa trajetória na eliminação de doenças transmissíveis, apoiada pela inovação, por instituições sólidas de saúde pública, pela atenção primária, pela vigilância epidemiológica e por sistemas universais de saúde, como o SUS do Brasil”, explicou em vídeo.

Jarbas Barbosa chamou a atenção para as oportunidades sem precedentes de acelerar o progresso, proporcionadas por vacinas, testes diagnósticos rápidos para múltiplas doenças no ponto de atenção, tratamentos mais curtos, tecnologias digitais e inteligência artificial. Ressaltou, no entanto, que o principal desafio é garantir que essas inovações cheguem às pessoas e comunidades que mais precisam.

“Temos que trabalhar tanto em aumentar o acesso a essas novas tecnologias, ferramentas e estratégias e ao mesmo tempo trabalhar de maneira inovadora, fazendo de uma maneira diferente muitas vezes para adaptar as populações vulneráveis que ainda persistem com barreiras de acesso e que elas realmente consigam beneficiar-se desses avanços”.

Nesse sentido, o diretor ressaltou que a Iniciativa da OPAS de Eliminação de Doenças propõe uma nova forma de organizar os sistemas de saúde e oferece um marco prático para transformar as inovações disponíveis em resultados concretos para a saúde pública.

“Ao fortalecer a vigilância, as redes laboratoriais, os sistemas de informação e saúde, a prestação integrada de serviços, a participação comunitária e uma governança coordenada, ela [a Iniciativa da OPAS de Eliminação de Doenças] apoia os países na ampliação do acesso à prevenção, ao diagnóstico, ao tratamento e ao cuidado, especialmente para as populações em situação de maior vulnerabilidade, incluindo aquelas que vivem em áreas remotas e comunidades indígenas”, disse.

Eliminação de doenças transmissíveis nas Américas

O diretor da OPAS relatou também que, desde o início de 2025, sete países das Américas foram reconhecidos pela eliminação de pelo menos uma doença transmissível. Entre eles está o Brasil, que recebeu, no ano passado, a validação da eliminação da transmissão vertical do HIV e, mais recentemente, apresentou o dossiê para a validação da eliminação da transmissão vertical da hepatite B.

Jarbas Barbosa também destacou que, em 2026, o Chile se tornou o primeiro país das Américas a eliminar a hanseníase como problema de saúde pública. Ao mencionar o desafio da doença no Brasil, afirmou que é uma área que o país “pode avançar muito, se revisar estratégias, com inovação e integração na atenção primária”.

Além disso, as Ilhas Turks e Caicos foram os primeiros territórios da Região a eliminar a transmissão materno-infantil da hepatite B somando-se a outros países da região e do Caribe que também conseguiram essa meta. O diretor mencionou ainda a eliminação da malária no Suriname e a importância de o Brasil utilizar as novas ferramentas disponíveis para avançar nessa área.

“Esses avanços demonstram que é possível alcançar a eliminação de doenças quando nós reunimos compromisso político, sistemas de saúde fortalecidos, excelência científica e cooperação caminhando conjuntamente”, explicou destacando que essa mesma perspectiva orienta a gestão integrada para prevenção e controle de arboviroses, como a dengue e Chikungunya.

A solenidade de abertura do 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, realizada em Brasília, reuniu autoridades, gestores, pesquisadores, docentes e representantes de instituições da área da saúde e da sociedade civil organizada. A cerimônia marcou o início oficial de uma programação dedicada ao debate sobre os principais desafios da medicina tropical.

A OPAS apoia tecnicamente a realização do MEDTROP por meio de termos de cooperação estabelecidos com o Ministério da Saúde.

Programação

Na manhã de domingo (16/8), como atividade prévia ao MEDTROP 2026, representantes do poder público, de instituições de ensino e pesquisa, de organismos internacionais, de entidades da área da saúde e de organizações da sociedade civil discutiram estratégias para enfrentar os determinantes sociais e as desigualdades que impactam as condições de saúde da população.

Com moderação técnica do Ministério da Saúde, as atividades tiveram como eixo central os caminhos para a eliminação das doenças determinadas socialmente. A OPAS participou da iniciativa, que também reuniu autoridades e especialistas da Rede Brasileira de Pesquisas em Tuberculose (Rede TB), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), do Coletivo da Sociedade Civil no Programa Brasil Saudável, da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

Os debates buscaram aproximar diferentes perspectivas e experiências, fortalecendo a construção coletiva de estratégias para enfrentar as condições sociais, econômicas, ambientais e territoriais que contribuem para a persistência de doenças e desigualdades em saúde.

A OPAS também promove uma programação técnica em seu estande no Congresso, com espaços de diálogo sobre temas como o fortalecimento da capacidade laboratorial do Brasil; a eliminação da oncocercose, da malária e do tracoma no país; sarampo; saúde nas fronteiras; detecção de poliovírus e resposta a surtos de poliomielite; saúde sexual e reprodutiva; e saúde indígena na agenda climática, entre outros.