Semana de Vacinação nas Américas impulsionará aplicação de 90 milhões de doses de diferentes vacinas, incluindo a atualização do esquema vacinal de mais de 7,2 milhões de crianças
Washington D.C., 23 de abril de 2026 (OPAS) – A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) chamou os países das Américas nesta quinta-feira (23/4) a intensificarem as ações de imunização, aproveitando a Semana de Vacinação nas Américas (SVA), que será realizada de 25 de abril a 2 de maio. O chamado ocorre em um contexto de avanços sustentados nas coberturas, que, no entanto, ainda não foram suficientes para evitar um aumento acelerado do sarampo, que já supera os casos registrados em todo o ano de 2025.
“A Região das Américas tem se posicionado como líder mundial em imunização. Somos a primeira região a ter eliminado a poliomielite, a rubéola e a síndrome da rubéola congênita, e a única que recuperou e melhorou suas coberturas de vacinação para níveis anteriores à pandemia”, afirmou o diretor da OPAS, Jarbas Barbosa, em coletiva de imprensa em Washington.
Entre 1974 e 2024, a vacinação infantil nas Américas evitou aproximadamente 15 milhões de mortes em crianças menores de cinco anos, mais de 1,1 bilhão de casos de incapacidade e cerca de 28,4 bilhões de casos de doença. Entretanto, o diretor da OPAS advertiu que “ainda existem lacunas importantes que precisamos preencher”.
A Semana de Vacinação nas Américas busca justamente avançar nesse objetivo. Desde sua criação, em 2002, tem permitido destacar a importância da vacinação como uma das pedras angulares da saúde pública, além de facilitar a aplicação de mais de 1,2 bilhão de doses de vacinas na região. Neste ano, pela primeira vez, o lançamento regional ocorrerá em Ottawa, Canadá, no dia 27 de abril.
Em 2024, a cobertura regional da vacina tríplice viral — contra sarampo, rubéola e caxumba — atingiu 89% na primeira dose e 79% na segunda, enquanto a terceira dose da vacina contra difteria, coqueluche e tétano chegou a 87%. Apesar desses avanços, mais de 1,4 milhão de crianças não receberam nenhuma dose dessas vacinas. “Essas crianças não são números: são vidas, famílias e comunidades inteiras em risco”, destacou Barbosa.
Como parte das atividades deste ano, 21 países planejam aplicar cerca de 90 milhões de doses, incluindo mais de 80 milhões contra a influenza e a atualização de esquemas incompletos de 7,2 milhões de crianças.
Aumento do sarampo: um retrocesso reversível
Durante a coletiva de imprensa, o diretor da OPAS também alertou sobre o aumento de casos de sarampo na região. As Américas foram a primeira região a eliminar essa doença em 2016; esse status foi perdido em 2018, recuperado em 2024 e novamente perdido em 2025.
Em 2025, foram notificados 14.767 casos confirmados em 13 países, quase 32 vezes mais do que em 2024. A tendência continua em 2026: até 5 de abril, mais de 15,3 mil casos já haviam sido registrados, superando o total do ano anterior.
Em nível global, em 2025 foram reportados mais de 250 mil casos de sarampo, mais da metade na África, na Região do Pacífico Ocidental e na Europa. Menos de 6% corresponderam às Américas. No entanto, nos primeiros três meses de 2026, a região concentrou 21% dos casos notificados globalmente.
“A reemergência do sarampo nas Américas é um retrocesso importante, mas completamente reversível, que exige uma ação decisiva”, afirmou Barbosa.
O diretor da OPAS alertou que o sarampo “não é uma doença leve” e pode causar complicações graves como pneumonia, encefalite e cegueira, além de poder levar à morte. Em 2025, cerca de 13% das pessoas infectadas precisaram de hospitalização e 93% não estavam vacinadas. Entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026, foram notificadas 43 mortes associadas ao sarampo na região.
“O principal desafio não é a disponibilidade de vacinas, mas chegar a tempo às pessoas que ainda não estão protegidas”, afirmou Barbosa. Fatores como a desinformação, a baixa percepção de risco e as barreiras de acesso contribuíram para a queda das coberturas em alguns grupos.
Como o sarampo é altamente contagioso, manter sua eliminação requer coberturas superiores a 95% com duas doses. “Um único caso pode desencadear um surto se não alcançarmos esses níveis de proteção”, advertiu.
A OPAS apoia os países fortalecendo a vigilância epidemiológica, a resposta rápida a surtos e o planejamento da vacinação, além de facilitar o acesso a vacinas por meio de seus Fundos Rotatórios. Em 2025, esses mecanismos permitiram adquirir 234 milhões de doses com economias próximas de 50%.
“Eliminar não é uma conquista permanente: é um objetivo que deve ser defendido todos os dias”, afirmou Barbosa. “Já conseguimos interromper o sarampo antes. Podemos fazê-lo novamente.”
O diretor da OPAS concluiu destacando que a vacinação “não é apenas uma decisão individual, mas um ato de solidariedade coletiva” e reiterou que é possível avançar rumo a uma região onde as doenças preveníveis por vacinação deixem de ser uma ameaça à saúde pública.
