Países das Américas reforçam compromisso com a eliminação da malária e a cooperação nas regiões de fronteira

Autoridades
OPAS/OMS/Karina Zambrana
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Brasília, 4 de novembro de 2026 (OPAS/OMS) – Delegações do Brasil, da Colômbia, da Guiana, do Suriname e da Venezuela participaram, nesta terça-feira (3/11), em Brasília, da reunião de Alto Nível sobre a Eliminação da Malária. O encontro teve como objetivo acelerar os esforços para eliminar a doença e fortalecer a cooperação entre os países, especialmente nas regiões de fronteira.

Na abertura do encontro, o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Cristian Morales, destacou a importância de transformar os compromissos técnicos estabelecidos entre os países em uma agenda política compartilhada. “A eliminação da malária não será alcançada apenas pela soma dos esforços nacionais, mas pela nossa capacidade coletiva de transformar as fronteiras em espaços de cooperação, solidariedade e proteção da saúde”, afirmou.

O representante também ressaltou que “eliminar a malária é uma conquista de cada país, mas será, acima de tudo, uma vitória compartilhada de todas as Américas”.

O ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, destacou que a eliminação da malária exige compromisso político, investimentos contínuos e ações coordenadas entre os países. “Estamos aqui porque compartilhamos uma convicção. Eliminar a malária é possível (...) Precisamos fortalecer a vigilância epidemiológica, compartilhar informações, combater a resistência aos medicamentos, investir em novas tecnologias e ampliar o acesso ao tratamento, coordenando nossas respostas de maneira ágil e efetiva”.

O secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde do Brasil, Fabiano Pimenta, falou sobre os avanços do Brasil no enfrentamento da malária, ressaltando que, em 2025, foi registrado o menor número de casos dos últimos 47 anos. Ele também enfatizou a importância da cooperação entre os países para garantir a continuidade dos resultados alcançados.

“Eu tenho a certeza de que nenhuma política pública alcança os seus objetivos e, mais do que alcançar os seus objetivos, a sustentabilidade dos avanços obtidos, se não tivermos o que nós estamos vendo aqui hoje, a união de seis países que comungam de problemas comuns em relação à malária, com as suas diversidades culturais, econômicas, ambientais”, afirmou.

A diretora-adjunta da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixadora Maria Luiza Ribeiro Lopes, afirmou que a eliminação da malária passará a integrar as pautas de cooperação da ABC, com acompanhamento nas reuniões entre os países. “Nós vamos incorporar esse tema agora nas nossas pautas respectivas de cooperação em todas as nossas reuniões para acompanhar, e a nossa Agência Brasileira de Cooperação estará à disposição”.

Compromisso com a eliminação da malária nas fronteiras

Em 2024, foram estimados aproximadamente 663 mil casos de malária nas Américas, um aumento de cerca de 16% em relação ao ano anterior. Entre os avanços na região está a certificação do Suriname como país livre da malária pela OMS, em 2025. O resultado demonstra a possibilidade de eliminar a doença por meio de ações sustentadas, do fortalecimento dos sistemas de saúde e da cooperação entre países.

O Plano de Ação para a Eliminação da Malária nas Américas 2026–2030 também orienta os esforços regionais, com foco na inovação, no fortalecimento da vigilância, na ampliação do acesso aos serviços de saúde e na cooperação entre os países.


Como resultado da reunião de Alto Nível, foi assinada uma Carta de Compromisso para a Eliminação da Malária nas Regiões de Fronteira. O documento estabelece ações para ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento em áreas de difícil acesso, fortalecer o intercâmbio oportuno de informações epidemiológicas e desenvolver respostas coordenadas entre os países.


Diálogo entre autoridades de saúde

“A eliminação da malária também é um compromisso com a equidade. Não basta dispor de medicamentos, protocolos e conhecimento científico. Precisamos garantir que esses recursos cheguem a quem mais precisa, em prioridade para as populações que enfrentam maiores barreiras de acesso.” Alexandre Padilha, ministro da Saúde do Brasil.

“Enquanto a malária existir em qualquer parte do Escudo das Guianas, haverá uma ameaça em toda a região. Compartilhamos uma mesma floresta, um mesmo sistema de rios e um mesmo mosquito transmissor (...) Ou vencemos juntos, ou o parasita vence.” André Theodorus Misiekaba, ministro da Saúde, Bem-Estar e Trabalho do Suriname.

“Acreditamos que a participação comunitária é um elemento fundamental em qualquer estratégia de enfrentamento da malária.” Francisco Alejandro Armada Pérez, representante do Ministério da Saúde da Venezuela.

“Acabamos de aprovar nosso primeiro plano de eliminação da malária. Agradeço mais uma vez à Organização Pan-Americana da Saúde, que nos acompanhou e apoiou na elaboração e validação desse plano, em conjunto com os profissionais de saúde da Guiana Francesa.” Manuel Munoz, diretor da Agência Regional de Saúde (ARS) da Guiana Francesa.

“Queremos destacar, na Colômbia, a estratégia de colaboradores voluntários, que constitui uma das principais ferramentas para garantir o acesso oportuno ao diagnóstico e ao tratamento dessas comunidades dispersas, indígenas e de difícil acesso.” Iván Mauricio Cárdenas Cañón, ministro da Saúde da Colômbia.

“A declaração [Carta Compromisso] que temos diante de nós hoje reflete uma transição importante para nós: a passagem do reconhecimento de que compartilhamos um problema, a malária, para a aceitação de que também devemos compartilhar a responsabilidade por sua solução” Reza Niles-Robin, diretora de Serviços de Controle Vetorial da Guiana.