COVID-19: OMS atualiza guia com recomendações sobre uso de máscaras

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8 de abril de 2020 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na noite desta segunda-feira (6) um guia atualizado com orientações sobre a utilização de máscaras no contexto da COVID-19, inclusive para países e territórios que avaliam recomendar ou já recomendam o uso por pessoas sem sintomas. O organismo internacional também voltou a reforçar que as máscaras cirúrgicas e respiradores, como N95, devem ser priorizadas para profissionais de saúde.

[ATUALIZAÇÃO: Com base em novas descobertas da ciência, as orientações sobre uso de máscaras foram atualizadas em 5 de junho de 2020: Clik aqui]

De acordo com o guia técnico provisório, intitulado “Orientação sobre o uso de máscaras no contexto da COVID-19”, os tomadores de decisão nos países e territórios devem considerar o nível de vulnerabilidade de seus grupos populacionais. Por exemplo, pessoas idosas e com comorbidades – como doença cardiovascular e diabetes mellitus – podem ter mais chances de desenvolver uma doença grave ou morrer.

Outra orientação é levar em conta o cenário em que a população vive em termos de densidade populacional, de risco de propagação rápida (por exemplo, ambientes fechados, comunidades carentes, acampamentos) e de capacidade de adotar o distanciamento físico (por exemplo, em um ônibus). Da mesma forma, há que se considerar se a pessoa trabalha em contato próximo com o público (por exemplo, agente comunitário, caixa de supermercado) e qual o risco de exposição ao vírus, entre outros fatores.

O guia também ressalta que pode haver vantagens e desvantagens no uso da máscara por pessoas sem sintomas. Entre os riscos potenciais estão a auto-contaminação, que pode ocorrer quando a pessoa toca e reutiliza uma máscara contaminada; possíveis dificuldades respiratórias; falsa sensação de segurança, levando a potencialmente menos adesão a outras medidas preventivas, como distanciamento físico e higiene das mãos; entre outros. Uma das possíveis vantagens apontadas é a redução do risco potencial de transmissão de uma pessoa que foi infectada e está no período pré-sintomático (antes do aparecimento de sintomas como tosse seca e febre).

Qualquer que seja a abordagem adotada por autoridades nacionais e subnacionais, é importante desenvolver uma forte estratégia de comunicação para explicar à população as circunstâncias, critérios e razões da decisão. As pessoas devem receber instruções claras sobre quais máscaras usar, quando e como.

Máscaras caseiras

O vice-diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Jarbas Barbosa, abordou o tema nesta terça-feira (7), durante coletiva de imprensa virtual. Segundo ele, a ciência mostra que o uso de máscaras cirúrgicas é recomendável para pessoas que apresentam sintomas e aquelas que estão cuidando de um paciente com COVID-19, além dos profissionais de saúde.

“Quando adotamos uma recomendação, precisamos examinar a ciência por trás dessa recomendação e a viabilidade dela. Alguns países têm recomendado o uso de máscaras caseiras, feitas com panos. Não temos evidências científicas fortes de que isso terá um papel importante na redução da velocidade de transmissão. Porém, em algumas semanas, com muitos países fazendo esse tipo de recomendação, poderemos ter estudos para mostrar qual o efeito dessas medidas”.

De acordo com Jarbas Barbosa, no caso dos países e territórios que decidem recomendar uso de máscaras para pessoas sem sintomas, é importante informar à população que não se trata de uma “bala de prata”, que sozinha protegerá da infecção pela COVID-19. “A população precisa manter todas as outras medidas, como lavar as mãos, cobrir a tosse e o espirro, evitar contato próximo com outras pessoas. Se você estiver usando [máscaras caseiras], não se esqueça de todas as outras medidas, porque para elas temos 100% de certeza de que protegerão contra a transmissão da COVID-19”, reforçou o vice-diretor.

Características

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está colaborando com parceiros em pesquisa e desenvolvimento para entender melhor a eficácia e a eficiência das máscaras não cirúrgicas (também chamadas máscaras caseiras). Além disso, o organismo internacional está incentivando fortemente os países que emitem recomendações para o uso de máscaras em pessoas sem sintomas a realizarem pesquisas sobre o tema. A OMS atualizará suas orientações quando novas evidências estiverem disponíveis.

Nesse ínterim, os tomadores de decisão podem avançar com as orientações sobre o uso de máscaras não cirúrgicas. Onde isso for feito, as seguintes características devem ser levadas em conta: número de camadas de tecido; se o material usado permite uma respiração adequada; repelência à água/qualidades hidrofóbicas; formato da máscara; e ajuste da máscara.

Máscaras cirúrgicas

Segundo o guia técnico, caso a pessoa use máscaras cirúrgicas, o uso e descarte apropriados são essenciais para garantir sua eficácia e evitar qualquer aumento no risco de transmissão associado ao uso e descarte incorretos. Devem ser seguidos estes passos:

-Coloque a máscara com cuidado, de modo a cobrir a boca e o nariz, e amarre com segurança para minimizar o espaço vazio entre o rosto e a máscara;
-Enquanto estiver usando, evite tocar na máscara;
-Remova a máscara usando a técnica apropriada (ou seja: não toque na frente, remova o laço por trás);
-Após a remoção ou sempre que tocar inadvertidamente em uma máscara usada, limpe as mãos usando álcool em gel ou água e sabão;
-Se a máscara ficar úmida, substitua por uma nova máscara limpa e seca
-Não reutilize máscaras descartáveis;
-Descarte as máscaras descartáveis após cada uso e imediatamente após a remoção.

Saiba mais

Folha informativa sobre COVID-19: www.paho.org/pt/covid19